O bombardeiro obsoleto que custou milhões

Em 1946, a inteligência militar americana reparou que o “tio Joe” Stalin, como foi momentaneamente conhecido após a Segunda Guerra Mundial, não era tão simpático para os interesses americanos como aparentava. Ambos tinham derrotado um inimigo comum, mas um novo conflito ameaçava surgir. Um ano antes, a América tinha usado dois bombardeiros especiais para lançar duas bombas atómicas sobre o Japão e concluir a guerra. E este tipo de armamento podia ser usado para intimidar a nova nação adversária.

O B-36, construído pela Convair e apelidado de “Pacificador”, começou a ser testado em 1946 e foi colocado ao serviço da Força Aérea em 1949. À época, era o maior avião jamais construído, com uma envergadura de asas de 70 metros e espaço para transportar quatro bombas atómicas de 10 toneladas cada.

Tinha um alcance de 16 mil quilómetros sem necessitar de reabastecimento, o que lhe permitia entrar no espaço aéreo soviético, a uma altitude de 40 mil pés (12 mil metros), sem ser interceptado. Infelizmente, ainda tinha motores de hélice. E no ano seguinte, com o início da Guerra da Coreia, a Força Aérea Soviética surpreendeu os americanos com o caça a jacto MiG-15.

O B-36 ficou imediatamente obsoleto como bombardeiro atómico, pois podia ser interceptado facilmente, e a Força Aérea encomendou o seu substituto, o B-52, também conhecido como “Fortaleza Aérea”. Muitos exemplares foram transformados para outras tarefas, pelo que ainda ficaram em actividade até 1959. Mesmo assim, o custo por unidade foi superior a quatro milhões de dólares, o que hoje em dia significaria um investimento total de 19,7 mil milhões de dólares, para construir 835 aviões que ficaram obsoletos após um ano de actividade.

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