Ferrari F512 M, a continuação do Testarossa

O F512 M foi a última evolução de um dos Ferrari mais importantes para a história da marca: o Testarossa, de 1984. Apresentado no Salão de Paris, em Outubro desse ano, substituiu o Berlinetta Boxer como o novo topo de gama da Ferrari.

Partilhando muitos componentes mecânicos com o seu antecessor, era radicalmente diferente, tanto à superfície da sua carroçaria, desenhada por Diego Ottina – que trabalhava na Pininfarina sob a supervisão de Leonardo Fioravanti, autor do BB – como por baixo desta.

Uma alteração significativa foi a montagem dos radiadores atrás, dos lados, no seguimento das espantosas estrias nas portas. Assim se resolveram dois problemas do BB: o aquecimento do habitáculo – devido à circulação de líquido de refrigeração entre o motor e os radiadores, à frente – e a ausência de espaço para bagagem. Além disso, no novo modelo, o ar quente sai depois pelas aberturas no capot e na traseira, gerando uma carga aerodinâmica, que permite dispensar uma asa traseira, ao contrário do Lamborghini Countach. Em contrapartida, o Testarossa tinha uma das mais imponentes e largas traseiras de sempre.

A eficiência aerodinâmica foi bastante melhorada, com um cx de 0,36 em vez de 0,40 para o 512 BBi, bem como a habitabilidade e visibilidade no interior.

Quanto ao motor, o V12 a 180º é uma evolução do utilizado no 512 BBi. A capacidade manteve-se inalterada nos 4.942 cc, mas uma cabeça de 48 válvulas e nova injecção Bosch permitiram um ganho de 50 CV, ao mesmo tempo que perdeu 20 quilos. Com 390 CV, o Testarossa atingia 290 Km/h. O motor continuava a estar montado em cima da caixa de velocidades, uma solução que elevava o centro de gravidade para além do ideal. As tampas das válvulas pintadas de vermelho eram uma alusão ao 250 Testa Rossa, do final dos anos 50.

Em 1992, para responder ao Lamborghini Diablo, surgiu a primeira evolução do Testarossa, o 512 TR. Apesar das diferenças exteriores superficiais – faróis, spoiler dianteiro e jantes de 18 polegadas – era uma evolução significativa: mais baixo, com uma suspensão melhorada, diferente colocação do conjunto motor-caixa e melhores travões. O motor tinha 428 CV, permitia 314 Km/h de velocidade de ponta e ir dos 0-100 Km/h em 4,8 segundos. O interior era também de qualidade superior, mas a principal melhoria era ao nível do comportamento, sobretudo em percursos sinuosos, corrigindo a tendência da traseira adornar demasiado em apoio. O chassis tubular do 512 TR era também 13% mais rígido. Chegando ao mercado numa altura de crise financeira e com bastante concorrência, foi produzido, ainda assim, em 2.280 unidades.

A última evolução chegou em 1994. O F512 M – “M” de Modificata – era mais leve e potente (440 CV), sem faróis escamoteáveis e farolins redondos na traseira, soluções essas que não se enquadram nas linhas mestras do modelo. Face ao 512 TR, o M é mais nervoso, exigente e radical. Produziram-se apenas 501 unidades.

Ao todo, o Testarossa e as suas evoluções atingiram uma produção total de 9.958 unidades, o valor mais alto de todos os superdesportivos. Em Portugal, segundo o que apurámos, foram vendidos 11 Testarossa, seis 512 TR e dois F512 M, entre 1988 e 1996.

Este e outros modelos icónicos da Ferrari podem agora ser vistos na exposição temporária “Ferrari: 70 anos de paixão motorizada”, patente no Museu do Caramulo.

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