Jim Lambert, o pai do Mini Moke português

Jim Lambert foi o homem que conseguiu dar uma terceira vida ao Moke. Pouco antes de tomar a decisão de se reformar sugeriu que a produção poderia ser transferida para Portugal. Jovem aposentado, foi chamado como consultor para pôr alguma ordem na fábrica instalada na IMA. Muito animado com este projecto, aceitou a tarefa, missão pesada porque teria que lidar com aspetos financeiros, qualidade, produção e design, para conseguir tirar dividendos dessa produção.

Após o fracasso da produção do Moke em Inglaterra, Jim Lambert um apaixonado do Mini Moke, fala com a BMC e pensa na possibilidade de o produzir em Portugal, em Setúbal na IMA (Indústria de Montagem de Automóveis), a mesma que produzira as famosas carrinhas Mini Ima cujos registos da sua fabricação em Portugal desapareceram no pós 25 de abril.

Logo que começam os problemas Lambert é enviado para Portugal para resolver tudo. A produção do Moke Português começou com a reforma da produção australiana.

A situação precária da fábrica IMA levou Lambert a produzir Mokes no mesmo local onde eram produzidos camiões MAN em Vendas Novas, que ainda hoje existe e onde se podem ver no local os carris de comboio que transportava as unidades produzidas até aos concessionários.

O início foi difícil, dir-se-ia mesmo caótico, o Moke começa a produção em 1980, utilizando kits CKD, SKD da Austrália. Montados a partir do kit Moke, inicialmente, com as especificações da Austrália, Semi Knocked Down kits, eram precisas poucas ferramentas para montar este kit com sucesso.

Jim Lambert

Na época, as tensões sociais eram enormes em Portugal com repetidas greves, sabotagem e avarias provocadas na produção do Mini Moke. A situação tornou-se um problema tão grave que em dezembro de 1984 a produção parou porque a British Leyland Portugal entrou em liquidação!

O entusiasmo em Longbridge levou com um balde de água fria pois tinha mais de 260 kits prontos para embarque acrescidos de quarenta unidades em montagem. Lambert chega também a ficar fechado na fábrica “refém” dos trabalhadores em greve! A oficina de soldagem de Vendas Novas, começava a aparecer no horizonte do Moke.

A situação chegou a tal ponto que acabou por falir e Jim Lambert decide transferir a ferramenta de produção. A operação, em modo de “comandos”, foi realizada durante a noite, com camiões, salvando uma “causa” que parecia perdida.

O novo local de produção foi aumentado em Vendas Novas. Transferidos e instalados os meios de produção, e dois meses depois, auxiliado por apenas três funcionários, forma uma nova equipa e renasce a magia Moke. A organização é muito bem-sucedida porque na produção os custos são minimizados e todas as auditorias atribuem elogios a Longbridge!

Jim Lambert e três empregados puseram de pé novamente o projecto Moke, iniciando a produção do automóvel. Jim afirmava “Os Mokes portugueses são os melhores”, e falava com conhecimento de causa pois conhecia bem as produções anteriores. Este novo Moke tinha mais peças padrão do Mini para reduzir os custos.

Assim renasceu o Moke com um motor 998cc, jantes 12 e com um interior luxuoso. O principal problema encontrado por Jim Lambert eram as especificações de construção australianas, com peças dispendiosas. Assim, Jim Lambert cria um pacote contendo o máximo de peças mais baratas para o Mini: regresso a compressão do motor 998 cc debaixo do capô, caixa de velocidades com diferencial normal, braços e travões de disco comums ao Mini “sedan”. 50% das peças eram fabricadas em Portugal, roll-bar, os interiores, o pára-choques.

Jim Lambert recebe o total apoio da Austin Rover, que se reserva o direito de examinar os aspectos de marketing, e vendas, bem como os relacionados com a aprovação do Moke. A escolha dos materiais de construção visa aproximar o Moke o mais possível à sua aparência original, assegurando economias de escala, sendo aparentemente viável.

No primeiro semestre de 1986 foram produzidas 534 unidades, ultrapassando as 1.000 unidades nesse ano, sendo os clientes países com ilhas, como Espanha, Malta, Grécia, e França e Portugal, com Algarve e Madeira como destinos preferenciais. Grande parte desses Mokes eram destinados a empresas de rent-a-car no Algarve. França chegou a absorver lotes de 345 unidades.

Jim Lambert faleceu a 26 de Janeiro de 2010 com 82 anos de idade na cidade de Peniche deixando viúva a D. Salomé Lambert.

Jim será sempre lembrado pela enorme dedicação ao Mini Moke e ao trabalho e esforço que fez para salvar o Moke durante a década de 1980 e restabelecê-lo com uma proposta viável de produção em Portugal.

Francisco Lemos Ferreira/Jornal dos Clássicos

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