Porsche 928: Sex-symbol aos 40

Com o 928 a Porsche criou o melhor GT do mundo no princípio dos anos 80, mas não conseguiu fazer esquecer o 911. Parece que o mundo não estava pronto para o 928. Mas hoje, com mais duas portas, o conceito está vivo no Panamera.

Nos anos 70, a Porsche enfrentou um dilema. As cada vez mais exigentes normas anti-poluição norte americanas e a crise petrolífera pareciam anunciar o fim dos automóveis desportivos, como o 911. Um modelo de posicionamento mais elevado, vocacionado para uma utilização menos irracional era a melhor forma de assegurar o futuro.

O departamento técnico determinou que, para um GT, a arquitectura de motor à frente e caixa montada junto do diferencial (sistema transaxle) era a mais adequada. A inovadora suspensão traseira, com dupla triangulação e molas helicoidais, (ou eixo Weissach, nome da fábrica da Porsche) foi escolhida pela sua capacidade de evitar o câmber negativo, um dos efeitos secundários das acelerações laterais mais fortes.

A versão inicial do V8 em alumínio desenvolvia 240 cv e, sobretudo, 350 Nm às 3 600 rpm. Tinha uma velocidade máxima de 240 km/h. Os clientes podiam optar entre a caixa manual de cinco velocidades ou a automática de três.

A estética do 928 era também moderna e original. Os faróis redondos embutidos e o desenho do capôt e guarda-lamas davam um ar de 911 “engomado”, sem as curvas sinuosas do modelo que nascera em 1964. Os pára-choques em fibra, perfeitamente incluídos na carroçaria, eram também distintos e inovadores. O interior, tão refinado quanto o de uma berlina luxuosa, podia receber a climatização e o cruise control.

Na estrada, o 928 exibia um comportamento exemplar, sem grandes exigências de pilotagem, rápido em quaisquer mãos. Talvez tenha sido toda essa perfeição – que lhe valeu, inclusive, o prémio do Carro do Ano em 1978. Foi a primeira vez em que o reputado júri escolheu um automóvel desportivo como vencedor. Apesar disso, o modelo não convenceu os entusiastas da marca. O 928 tinha a rapidez do 911, mas não o seu carácter.

A versão S, apresentada em 1980, com 300 cavalos, apurou ainda mais as virtudes do 928. Esta versão tinha mais 200 cc e alcançava uma velocidade máxima de 250 km/h.

Em 1981, a Porsche comemorou os seus 50 anos com uma edição limitada do 928 S. Produziram-se apenas 140 exemplares.

Em 1983, o 928 S recebeu mais 10 cavalos e era agora capaz de atingir 265 km/h. O ABS passou a estar disponível como opção.

Este foi também o ano de estreia do filme “Risky Business”, com Tom Cruise, onde um 928 desempenhou um papel fundamental na história, rivalizando como principal objecto de desejo com a bela Rebecca de Mornay.

O 928 S4 chegou em 1986, com motor de 4957 cc. Graças à adopção de quatro válvulas por cilindro, o motor ganhou nova vitalidade, debitando 320 cavalos. A velocidade máxima subiu para 270 km/h. O ABS passou a ser de série.

Uma versão Club Sport do 928, em 1987, mostrou que o modelo podia ser também utilizado em track days, com a mesma facilidade com que enfrentava o trânsito das mais congestionadas metrópoles. Esta versão dispunha de uma nova árvore de cames, caixa close e suspensão mais dura.

Em 1989 chegou o 928 GT, com 330 cavalos e uma velocidade máxima de 275 km/h.
Finalmente, a última evolução foi o 928 GTS, com 350 cavalos e 275 km/h, apresentada em 1992. Três anos depois terminava a carreira comercial do 928, após 61 054 unidades produzidas.

Avaliação actual do 928

O 928 mantém intactas todas as suas qualidades, que o distinguiam na época como o Grande Turismo mais competente, fiável e confortável do mercado.

As semelhanças conceptuais com o Porsche Panamera são inúmeras. Ao receber mais duas portas e maior espaço para os passageiros do banco traseiro, o conceito do 928 ofereceu uma solução ainda mais prática para quem quer um Porsche GT para toda a família.

Depois de vários anos de estagnação, as cotações do 928 começaram a subir de forma muito sustentada, numa relação de causa e efeito com o fenómeno ainda mais acentuado que se verificou com o 911, sobretudo a partir de 2013.

Embora não seja esperado que o 928 possa valorizar tanto quando o modelo mais desportivo, não surpreende que quem adquiriu um muito bom exemplar antes de 2014/15 possa duplicar o seu investimento nas actuais condições do mercado.

Mas continua a ser possível, a nível europeu, comprar modelos utilizáveis por valores comedidos, entre os 12-17 000 euros. Estes exemplares dificilmente poderão apresentar a valorização acima indicada.

O que muitas vezes esquecemos quando lidamos com valores que representam uma pequena fração do custo do automóvel novo é que os custos de utilização, manutenção e reparação mantêm-se de acordo com um automóvel de luxo.

Os consumos de gasolina oscilam entre os 14 e os 20 litros/100 km numa utilização normal. A reparação total de um motor com esta complexidade pode superar os 25 000 euros. Substituir peças de carroçaria ou de interior pode também ser uma acção dispendiosa.

Este é o motivo da grande diferença de preço entre um exemplar em estado mediano e um estado muito bom. A diferença pode ser facilmente o triplo.

Os exemplares nacionais são muito raros. Segundo os nossos dados, foram matriculados no nosso país 22 exemplares. Três 928 em 1980, 12 928 S, entre 1981 e 1983 e sete S4/GTS.

Certamente vários outros exemplares foram importados posteriormente, mas a oferta é reduzida.

Em termos de futura valorização, é a versão GTS que, neste momento, é a mais apreciada. Todavia, a estética mais pura e original dos 928 pré-1987 (928 e 928 S) tem os seus encantos.

Um bom 928 S, de preferência com uma cor original interessante pode ser uma excelente aposta. Assim o mercado continue a valorizar as imensas qualidades deste excelente automóvel.

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