SACOR, a história de uma empresa portuguesa

A SACOR é um símbolo nostálgico para os amantes do clássicos, foi a primeira empresa petrolífera portuguesa a dominar todo o processo, da importação, transporte, refinação e distribuição dos produtos petrolíferos. Foi fundada em 28 de Julho de 1937, por um romenos radicados em França, Martin Sain que com Martin Sain e Sando Garrian, formavam um grupo de romenos que se instalaram em Portugal e fundaram a Sacor. Todos eles provenientes da Roménia, onde já eram conhecidos empreendedores no ramo petrolífero numa empresa de nome Redeventza.

Durante a guerra, como Engenheiros no ramo petrolífero, sondaram o Governo português para se instalar uma refinaria em Lisboa. De imediato a resposta de Salazar foi sim, que era uma excelente oportunidade mas numa condição: baptizarem-se. Negaram peremptorimente e regressaram a França de onde pensavam partir ou fugir para os Estados Unidos mas ao recebem uma carta do Governo português a informar, que sendo Portugal um país neutro poderiam instalar-se cá e arrancar com a refinaria. O exilio do Rei Carlo em Portugal, terá contribuído também para o “volte face” nas intenções do Governo português em 1937.

Até aos anos 30 do século XX, Portugal era abastecido de produtos petrolíferos por várias empresas estrangeiras como a (Shell, a Vacuum – posteriormente Vacuum-Socony – e a Atlantic.

Apesar de em 1933, com a constituição da SONAP (Sociedade Nacional de Petróleos), na qual o governo português detém 40% do capital, sendo o restante detido por investidores franceses, não houve grande alteração do panorama petrolífero, sobretudo porque nenhuma destas empresas fazia a refinação em Portugal.

A necessidade de refinar localmente o petróleo está directamente ligada à elaboração do decreto-lei nº 1947, de 12 Fevereiro de 1937, conhecido como “A Lei dos Petróleos”, que complementada pela Lei nº 1965, de 17 de Maio do mesmo ano (Lei do Condicionamento Industrial), criam as condições, e o enquadramento legal, para a criação de uma empresa petrolífera chamada SACOR.

A SACOR escolheu Cabo Ruivo, na zona oriental de Lisboa, e que era tradicionalmente a zona industrial da capital, para instalar a sua refinaria, que foi oficialmente inaugurada a 11 de Novembro de 1940. Devido a Segunda Guerra Mundial, e as limitações tanto à exportação como ao seu transporte por via marítima, isso impediu que a nova refinaria atingisse o seu potencial de produção que era de 300.000 t/ano.

Os problemas com o transporte do petróleo tinham já sido alvo da atenção do estado português, que através do Instituto Português de Combustíveis tinha adquirido quatro petroleiros: o “Gerez”, o “Aire”, o “Marão” e o “Sameiro”. Contudo estes quatro navios foram insuficientes para garantir as necessidades energéticas portuguesas.

As empresas petrolíferas e o Estado iriam em 13 de Junho de 1947 constituir a Soponata para ultrapassar essas dificuldades. A SACOR detinha metade do capital da nova empresa.

Terminada a guerra, e ainda pela aplicação da Lei nº 1947, que favorecia quem refinasse em Portugal, a SACOR foi ter uma posição dominante da distribuição, obtendo do estado metade do mercado.

Em 1953 foi criada a ANGOL, seguida da MOÇACOR em 1957 para a distribuição dos seus produtos, respectivamente, em Angola e Moçambique. Em 1958 a SACOR introduziu a gasolina super, e criou a GAZCIDLA (para a distribuição do gás butano, e a PROCIDLA (para o propano). Em 1959 a SACOR criou a sua própria empresa de navegação, a SACOR MARITÍMA.

Nos anos que se seguiram à guerra assistiu-se um substancial aumento do parque automóvel, a SACOR criou uma rede de postos de abastecimento por todo o país. Muitos destes postos partilhavam o mesmo desenho, e são ainda hoje facilmente identificados pelo arco que abriga as bombas.

No pós 25 de Abril, a empresa foi nacionalizada e foi integrada na actual Galp e actualmente subsiste o seu ramo marítimo (Sacor Marítima SA).

A SACOR foi uma marca querida do povo, com os jovens da época a ambicionar cadernetas onde se colavam selos das bombas de diferentes localidades onde os pais abasteciam os veículos, tipo passaporte de viagem e variados objectos que hoje vemos como objectos de coleccionismo e automobilia.

Francisco Lemos Ferreira/Jornal dos Clássicos

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