Enduro: Luis Oliveira à reconquista do Brasil

Com um projeto bastante ambicioso, Luís Oliveira vai regressar no final deste mês ao Brasil, onde já conquistou o título de Campeão Brasileiro de Enduro. O piloto de Sintra, considerado como um dos mais rápidos que passou por ‘terras de Vera Cruz’, vai estar ao serviço da Honda Brasil, colocando um ponto final na sua ligação à Yamaha.

Na bagagem o piloto português Luís Oliveira conta já com um currículo invejável, tanto a nível nacional como internacional. No seu palmarés destacam-se os seguintes títulos: Nacional de Enduro (E1); Super Enduro; e a vitória na mítica Baja Portalegre 500 e em entrevista ao MotoSport o piloto de Sintra já explicou a razão deste regresso.

Motosport – Como é que surgiu esta oportunidade de regressares à Honda e ao Brasil?

Luis Oliveira – A Honda já estava com ideias de colocar um piloto estrangeiro a correr no Brasil e contactaram-me, desta vez a Honda Brasil, já que na primeira vez que estive lá foi numa equipa apoiada pela Honda.

Acertámos as coisas e chegámos a um acordo que acho que será bom para os dois lados. Estou bastante motivado e penso que posso vir a abrir outra porta, que terei de agarrar com toda a força. Quero apreender coisas novas e trabalhar para a equipa em que terei mais dois colegas.

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Que objetivos traças para esta nova temporada?

O objetivo é vencer no campeonato brasileiro de Enduro, esse é o objetivo. Este projeto vai permitir-me fazer também alguns ralis, já que vou ter disponível motos com navegação e quero treinar essa vertente e fazer o que for possível.

Ou seja, estás a olhar para um futuro próximo e que pode passar pela presença no Dakar?

Sim, esse é o obejtivo. Mas cada coisa a seu tempo já que não gosto muito de dar passos maiores do que que a perna, mas é uma meta que tenho e gostava da alcançar.

Achas que é mais fácil vires a marcar presença no Dakar ao fazeres agora parte da Honda Brasil?

Não sei. Nesta fase da minha carreira achei que era o melhor para mim, daí ter dado este passo. Até porque em Portugal as coisas estão bastantes difíceis e não se conseguem ter condições para fazer as coisas bem. Para já penso que vou estar presente no Rally dos Sertões e ainda existe a possibilidade de fazer uma ou duas provas na Argentina, para ver se me adapto a este tipo de prova.

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O ano passado estiveste muito bem no Mundial de SuperEnduro onde foste vice campeão na categoria Júnior. Este ano optaste por não fazer o Mundial. Porque motivo?

Já previa vir a assinar pela Honda, mas ainda tentei fazer tudo para ir já que iria subir à classe principal. Mas como iria mudar de marca, não seria correto começar com a Yamaha – já que o campeonato teve o seu inicio ainda em 2016 – e depois mudar para a Honda para fazer as provas de 2017. Ou seja, era muita confusão e por isso não avançámos este ano. Contudo, está tudo pensado para regressar ao Mundial de SuperEnduro já na próxima temporada.

Já viste a nova moto que vais pilotar este ano? Existem muitas diferenças entre ela e aquela que pilotaste quando foste campeão no Brasil?

Sim, existem muitas diferenças. Aliás, da última vez que estive no Brasil corri de 450cc e este ano vou alinhar com uma 250cc, mas nas provas que fizer em Portugal vou utilizar uma 450cc e qualquer umas delas é totalmente diferente da moto que utilizei em 2014.

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Que provas do campeonato português vais realizar?

Ainda não está totalmente claro, mas se os calendários não coincidirem quero tentar fazer algumas provas em Portugal. Para já gostava de estar na próxima corrida do Nacional de Enduro, que se realiza antes de ir para o Brasil, mas não sei se vai ser possível. Para já tenho cá uma moto que conta com o apoio da Honda Portugal e do concessionário Lopes & Lopes, a quem desde já agradeço pela disponibilidade das motas para começar a treinar, sempre que venha a Portugal.

Vais conseguir estar na Baja Portalegre deste ano?

Penso que sim, acredito que temos calendário para estar na Baja Portalegre 500. Não vou estar no campeonato nacional de todo o terreno, porque também nunca o fiz, mas quero estar na Baja alentejana, porque, para além de ser uma prova de que gosto bastante e que venci nos dois últimos anos, gostaria de voltar a conquistar a vitória na Baja de Portalegre.

Que diferenças esperas encontrar no Enduro brasileiro dois anos depois da tua última presença, em 2014?

O campeonato brasileiro é muito competitivo e nos últimos anos, pelo que sei, o nível subiu bastante com a presença de um maior número de pilotos estrangeiros. Por isso não vou ter tarefa fácil. Terei de trabalhar bastante e dar o meu melhor já a partir de março, que é quando começa o campeonato que se prolonga até outubro.

Virgílio Machado/Motosport