Passagem por Timor para embarcar a moto para a Austrália

Francisco Sande e Castro
Francisco Sande e Castro
Jornalista e Escritor

Da fronteira até Dili são pouco mais de 100 quilómetros de uma estreita estrada em grande parte alcatroada mas em muito mau estado. Estão a repará-la mas parecem alcatroar de novo um pequeno troço de 500 metros, depois passam a alcatroar outro a uns quilómetros de distância e assim por diante com os intervalos em terra, já com o alcatrão arrancado e obviamente com buracos e lama. Demorei duas horas e meia a percorrer os cerca de 120 Km.

Quando encontrei a primeira bomba de gasolina, já perto da cidade, o depósito estava praticamente seco, embora pelo caminho tivesse visto vendedores locais com garrafas de água cheias de gasolina expostas à beira da estrada. Quis evitá-las mas numa emergência não seria a primeira vez que a “Cross Tourer” bebia daquilo.

Em Timor Leste a moeda utilizada é o dólar americano, embora os pequenos trocos sejam pagos em moeda local, que não serve para grande coisa.

Chegado à cidade passei junto ao pequeno aeroporto, que é praticamente dentro da cidade, e pouco depois, do lado direito, na marginal, temos o Palácio do Governo vindo do tempo colonial e das poucas construções bem conservadas ou, provavelmente, reconstruído depois da guerra.

Fui direito à embaixada portuguesa porque a minha ideia era pedir ao embaixador para lá guardar a moto até tratar do seu transporte para a Austrália.

O porteiro disse-me que tinham saído todos para almoçar e só regressavam às duas. Parti então procurar onde ficar. Precisava de resolver a estadia e o transporte da moto em 24 horas, para além de arranjar um ou vários voos que me levassem a Banguecoque até à noite do dia seguinte, pois tinha o regresso a Portugal marcado para as duas da manhã a partir da capital Tailandesa.

Tinha visto um hotel Dili que não tinha mau aspecto, sem ser de luxo e portanto estaria dentro do meu orçamento mas, quando o procurava, passei pelo Hotel Timor, de que já tinha ouvido falar e bastante melhor. Parei a moto e fui perguntar o preço do quarto. Na recepção falaram-me em 135 dólares. Era muito para o meu “budget” e perguntei o que aconselhavam a metade do preço. Antes do recepcionista responder um português, que vinha a passar no hall, apresentou-se como diretor do Hotel e perguntou se era eu que vinha na moto. Ao confirmar, disse-me que tinha que lá ficar e ofereceu-me o quarto por metade do preço.

Mais tarde, muito simpaticamente, disse-me que a moto poderia ficar guardada no hotel até ao embarque para a Austrália e que, sendo feriado no país, poderia ir comigo no dia seguinte à empresa de navegação tratar do seu transporte.

Em meia hora tinha quase todos os meus problemas resolvidos. Faltavam os voos para Banguecoque que consegui depois do almoço na Internet.

Da parte da tarde, nas traseiras do hotel, estive a tratar de lavar o moto o mais pormenorizadamente possível, assim como todo o equipamento que cá deixava pois tanto a embaixada australiana em Lisboa como outras pessoas me tinham avisado que, quando a moto entrasse no país teria que ir lavada ao pormenor. Acho que não ficou mal.

Na manhã da partida acordei cedo e, antes de ir com o diretor do hotel à companhia de navegação, ainda estive a lavar o fato, botas e capacete, que viajam com a moto.

E assim acabou mais uma etapa desta viagem à volta do mundo. Espero que tenham gostado de a acompanhar. Quando regressar para a próxima etapa irei percorrer a Austrália, Nova Zelândia, Japão e Estados Unidos.

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*Francisco Sande e Castro está a dar a volta ao mundo de moto e M24 publica o seu diário de bordo. Acompanhe-o nesta grande aventura

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