Será que a Red Bull pode acabar com o domínio da Mercedes?

Não há volta a dar. Depois de três anos de inúmeras vitórias e recordes, a F1 ‘desespera’ por mais equilíbrio. A esperança dos adeptos nas novas regras é grande, mas por muito que se possa especular, só quando virmos os carros em pista no início de março será possível tirar algumas conclusões e mesmo para isso é preciso que a Mercedes não esteja a fazer ‘bluff’

Tendo em conta o ano de 2015, há muito menos esperança na Ferrari do que na Red Bull, mas ninguém pode descurar o ‘gigante’ de Maranello, que tem meios para surpreender toda a gente. Mas é mesmo para a Red Bull que estão apontadas baterias, pois parece ser a única equipa que pode bater o pé a Mercedes. Especialmente porque as novas regras têm uma grande componente aerodinâmica agregada.

Curiosamente, o patrão da Red Bull Racing, Christian Horner, revelou que será muito duro desalojar a Mercedes do lugar onde está: “Vai ser complicado, eles serão os grandes favoritos, venceram mais de 50 GPs nos últimos três anos. Mas estamos esperançados que com os novos regulamentos as coisas se possam equilibrar entre o chassis e o motor. Estamos confiantes em evoluir o motor no inverno. Mas ninguém sabe onde está comparada com a oposição” disse Horner, que, na verdade, acredita piamente que as coisas vão mudar, só que não o diz…

Efeito Verstappen marcou Red Bull

Depois de um 2015 difícil, com muitos problemas de fiabilidade e sem qualquer triunfo, a Red Bull voltou a demonstrar em 2016 o motivo para ser uma das melhores equipas do Mundial de Fórmula 1. Obteve dois triunfos. Um no GP de Espanha, na quinta prova da temporada, e outro na Malásia, já perto do fim do ano. O primeiro, registado por Max Verstappen. O segundo, por Daniel Ricciardo – o melhor mais em forma dos dois em 2016, apesar de Max ter chegado mais tarde à equipa, em substituição do russo Daniil Kvyat.

Apesar dos dois triunfos e do segundo lugar no campeonato de construtores, este foi um ano de contrastes para a Red Bull. Não só porque no início da época nada fazia prever que pudesse ficar à frente da Ferrari, mas sobretudo porque a própria política do Red Bull Junior Team foi posta em causa com a despromoção de Kvyat para dar lugar ao fenómeno Verstappen. “É um produto de marketing”, foi a acusação que mais se ouviu no momento em que Helmut Marko e Christian Horner optaram por fazer rolar as cabeças. Mas a verdade é que o miúdo provou ser mesmo um fora-de-série. Um talento natural nato que obrigou o próprio Ricciardo a “elevar o nível”, como admitiu por diversas vezes esta temporada.

Nivelados no número de vitórias, as contas finais distinguiram-nos nos pódios alcançados (8-7, a favor do australiano, embora Verstappen tenha igualmente terminado no segundo posto por quatro vezes, as mesmas que Ricciardo) e no número de provas concluídas. Se eliminarmos as três desistências de Verstappen nos Grandes Prémios da Rússia, Mónaco e EUA, verificamos que tanto um como o outro apenas por uma vez não terminaram nos pontos, e também aqui há um empate, já que o fizeram na 11ª posição (Ricciardo na Rússia e Verstappen na Bélgica). Essas desistências representam 33 pontos a favor do piloto australiano (nem de propósito, o número de Verstappen), o que somados aos 212 com que Verstappen concluiu a época, fariam com que terminasse o ano com 245 – ainda assim insuficientes para superar os 256 obtidos pelo colega de equipa.

Consagração

Tal como o triunfo de Verstappen em Espanha, em grande parte ‘herdado’ pela colisão entre os dois pilotos da Mercedes na primeira volta da corrida que teve lugar na Catalunha (embora seja preciso reafirmar que o holandês se qualificou em terceiro, à frente dos Ferrari, e que por isso estava na melhor posição possível, por mérito próprio, para aproveitar um azar, como viria a suceder), também a vitória de Ricciardo na Malásia se deveu à ‘explosão’ do motor do W07 de Lewis Hamilton, num momento em que este liderava a prova. Dois triunfos fortuitos, é certo, mas em ambos os casos a Red Bull provou ser o melhor dos ‘outros’, ao contrário da Ferrari, que contou com muitas dificuldades, não só ao nível das situações de corrida que a fizeram perder muitos pontos (o azar de Vettel em Sochi é um bom exemplo), mas também com o próprio carro. Interromper o desenvolvimento do mesmo para se concentrar no monolugar de 2017 também não beneficiou os intentos da equipa. Para recordar fica também a luta travada entre Max Verstappen e os seus dois pilotos, ressaltando a luta de Max com Kimi Räikkonen (e que lhe valeu a alcunha de ‘Mad Max’), e ainda o episódio no Grande Prémio do México entre o #33 e Sebastian Vettel. A exibição de Verstappen no GP do Brasil consagrou-o em definitivo como um dos mais sérios candidatos a futuro campeão da Fórmula 1, e o mesmo pode ser dito acerca de Daniel Ricicardo, que voltou a demonstrar uma enorme maturidade em corrida, aliada a boa velocidade e excelentes competências na hora de efetuar uma ultrapassagem. Talvez por isso Fernando Alonso o tenha considerado como o melhor piloto da atual Fórmula 1. Nas contas finais relativas aos construtores, a Red Bull terminou o ano com 468 pontos, muito distante dos imbatíveis 765 da Mercedes, mas confortavelmente à frente dos 398 da Ferrari.

José Luis Abreu/Autosport