Ascona, Borrego, Kona e outros nomes infelizes de automóveis

Quase tão difícil como desenvolver um automóvel de sucesso é encontrar um nome que, pelo menos, não crie entraves a esse objetivo. A História está mesmo repleta de “casos”, como o Toyota MR 2 (MR Deux em França).

O frenesim causado na passada semana pela designação do futuro SUV da Hyundai, Kona (Kauai, em Portugal), trouxe-nos à memória outros exemplos de modelos que poderiam ter atraiçoado os objetivos das respetivas marcas.

Antes de recordar alguns desses casos talvez seja importante sublinhar que, conscientes do risco e da importância da designação escolhida, todas as marcas sem exceção encarregam agências com quem trabalham de “descobrirem” designações que “funcionem”. E funcionar significa preencher requisitos como a facilidade em pronunciar, “sonoridade” ou, idealmente, apelo, imaginário, desejo (Kona, tal como Kauai, é o nome de uma das principais ilhas do arquipélago do Havai). Para isso, essas agências recorrem à ajuda de complexos programas informáticos que não só levam em conta aqueles critérios como têm de se certificar de que as designações escolhidas não estão sob pré-reserva de outras entidades, ou não são já marcas registadas. E, sabendo-se que a capacidade de muita gente para “inventar” dinheiro não para de surpreender mesmo as mentes mais criativas, não admira que, mesmo depois de muita pesquisa, testes e validações as surpresas estalem.

Será o caso da EQ, escolhida pela poderosa Daimler como a marca para os seus modelos elétricos, que a chinesa Chery garante ter sob registo… Mais do que ironia da situação – os chineses que são acusados de plagiar a torto e a direito… reclamam agora… direitos de autor – serve o exemplo para ilustrar como nem “mil olhos” ou o mais sofisticado programa informático consegue resolver tudo.

Talvez por isso, se muitos construtores preferem manter-se fiéis às designações numéricas, mesmo sabendo que o apelo emocional é diminuto, outros há que optam por correr o risco. A Hyundai é a este respeito um exemplo curioso: enquanto para os SUV (Tucson, Santa Fé) apostam em nomes, para os restantes modelos, mantém-se fiel às designações numéricas (i20, i30…)

Afinal, se é certo que o apelo emocional sai prejudicado não é menos verdade que os números funcionam sempre. Ou… quase sempre. Que o diga a Toyota que nos anos 80 investiu bastante no desportivo MR2 de motor central, com enorme sucesso em praticamente todos os mercado exceto nos francófonos. Tudo por causa da forma como o nome do modelo se pronunciava: MR2 (Mer deux…). Quando deram “por ela” os responsáveis japoneses ainda retiraram o “2 (deux)” da traseira mas… o “selo” estava colado.

A lista de nomes “armadilhados” é vasta. Na galeria de imagens recordamos alguns casos que, dentro e fora de portas, suscitaram alguma controvérsia e… muitas gargalhadas.

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