Bosch mete o carro a falar com o condutor

Nuno Fatela
Nuno Fatela
Jornalista

A Bosch volta a apresentar-se na CES com diversas inovações que futuramente devem estar disponíveis nos modelos de produção, ou não se tratasse de uma das referências no fornecimento de componentes aos vários fabricantes.

Em 2017 está presente no espaço da companhia germânica na Consumer Eletronics Show um novo concept que pretende demonstrar a evolução do interface HMI (homem-máquina), especialmente no envio de ordens para os sistemas do veículo.

Os comandos vocais são um dos focos, permitindo que eles sejam dados de forma mais natural e menos mecanizada que na atualidade, como explicou uma das responsáveis pelo protótipo da Bosch, Janine Schlink. “Pode-se pedir que feche a janela de casa ou mesmo que mostre a receita planeada para o jantar”. Também pensado para a condução autónoma, este concept verbaliza as informações que pretende passar ao condutor, por exemplo avisando-o dos momentos em que deve retomar o controlo do veículo.

Com as várias marcas a apresentarem uma visão de futuro em que o automóvel é quase como uma casa sobre rodas (basta ver os concepts apresentados pela Hyundai, BMW e Toyota), a Bosch também deixa antever o impacto da conetividade no futuro da mobilidade. Schlink explica: “Pensem no vosso smartphone – é possível saber aquilo que se está a passar através da Internet of Things. O carro será como um smartphone automóvel, que pode ser personalizado e utilizado para controlar outros dispositivos”. É o caso da habitação, como indicado acima, comandando o fogão ou a iluminação de casa ou monitorizando a quantidade de comida que está no frigorífico.

Comunicação entre veículos

Mas outras capacidades a integrar futuramente nos automóveis são demonstradas pelo novo concept da Bosch. É o caso da comunicação V2V (de veículo para veículo) e de uma nova modalidade que é a comunicação dos automóveis com os ciclistas, embora a inovação prometa “tocar” os passageiros dos carros de outra forma. Falamos dos comandos hápticos, que vão fornecer feedback tátil com pequenas vibrações ao tocar nos ecrãs, tornando a execução de funções mais intuitiva pois vai evitar que o campo de visão de desvie da estrada, que se vão juntar aos comandos vocais mais evoluídos, gestuais e, como as fotos demonstram, também aos hologramas. Uma última novidade antevista é a introdução de touchscreens com OLEDS (LEDS orgânicos), que apresentam a vantagem de ter maior visibilidade que os ecrãs atualmente implementados nos modelos de produção.