Gerês marca… para sempre

Uma marca, dois países, mil emoções. Estamos no Gerês, provavelmente a “marca” nacional mais conhecida no estrangeiro quando o tema é o turismo de natureza. Justamente. Cavalos selvagens, cascatas de águas cristalinas, um manto de verde a perder de vista, um conjunto diversificado de monumentos muito bem preservados, gastronomia capaz de “lavar a alma” e uma tranquilidade que já não imaginávamos que pudesse existir. É assim o Gerês onde nos apetece regressar. Sempre.

Pouco depois de deixarmos Lisboa, em plena A1, dá nas vistas um cartaz com um lobo e a inscrição “Reserva Mundial da Biosfera – Arcos de Valdevez”. Ficamos curiosos! Um parque de animais em cativeiro? Uma nova atração turística? Havemos de descobrir mais tarde que se trata de um convite para descobrirmos o Gerês entrando por uma porta menos comum: a Serra de Soajo. Nem reserva animal, nem parque para turista de ocasião. “Apenas” o forçar de uma nota que pode esvaziar o “peso” de uma das nossas marcas turísticas mais conhecidas. Colocar o enfase na muito importante integração na lista restrita de locais classificados pela Unesco como “Reserva Mundial da Biosfera” é muito importante mas o Gerês (e o Parque Nacional da Peneda Gerês) tem as suas qualidades e potencialidades de tal maneira afirmadas que tudo o que retire relevância a essas marcas… apenas interessa aos espanhóis que tudo fazem para que o Xures apanhe a boleia do Gerês.

Não por acaso, é esta a época do ano em que mais gostamos de regressar ao Gerês. Os dias mais longos, a renovação do manto verde, a pujança das ribeiras e cascatas, são apenas alguns dos motivos dessa preferência, a que se junta a ausência da “algazarra” do verão e das inúmeras festas de aldeia. Um fim-de-semana “alongado” segunda-feira a dentro, com os restaurantes plenos de disponibilidade e a mata à beira da Caniçada só para nós, vale cem vezes mais do que umas férias inteiras em pleno Agosto.

Como “mira” para esta viagem recomendamos Ponte de Lima, a 400 quilómetros de Lisboa, que bem pode (deve) servir de ponto para o almoço do primeiro dia. Debruçada sobre o Rio Lima, a vila mais antiga de Portugal junta à localização privilegiada uma riqueza paisagística e arquitetónica invejável, destacando-se a ponte medieval que foi durante séculos o único ponto de passagem entre as duas margens, adquirindo, por isso, uma importância acrescida para o comércio e, mesmo para os peregrinos que percorrem o caminho até Santiago de Compostela. As ruas, que conservam, quase fielmente, a traça dos tempos em que os romanos aqui se estabeleceram e os dois torreões que restam da outrora vila fortificada, são outros dos pontos de interesse maior para uma visita à capital da boa cozinha – ou não estivéssemos na terra do Vinho Verde e do Arroz de Sarrabulho, iguaria que é “o forte” do restaurante Alameda, mesmo junto à ponte medieval.

Depois de um magnífico almoço e do imprescindível passeio a pé até ao Parque do Amado, para visitar a Igreja de Santo António da Torre Velha, é tempo de regressar à estrada, tomando o IC28 na direção de Arcos de Valdevez. Caso esteja com algum tempo faça um pequeno desvio para visitar Ponte da Barca onde junto ao rio e à praia fluvial o aguardam vistas magníficas. Desde Arcos de Valdevez tome agora a N202, na direção de Soajo, devendo ter atenção redobrada a partir dos pórticos em madeira que anunciam a entrada no Parque Nacional, pois, com frequência, vai encontrar, em plena estrada, animais como o boi barrosão ou o cavalo garrano (selvagem). Para informações mais precisas pare no Centro Interpretativo. Do lado oposto, seguindo uma estrada em areia (em bom estado) encontra a Casa do Mezio, um excelente hotel de montanha, local ideal para pernoitar.

De volta á estrada, siga até à povoação de Soajo que se destaca pela traça em granito muito bem recuperada e, em especial, pela concentração de Espigueiros, típicos de toda a região minhota, que outrora serviam de armazém para os cereais. Daqui siga as indicações de Nossa Senhora da Peneda, por uma estrada estreita, de belas vistas, que nos leva até ao lindíssimo santuário mas depois deverá regressar pelo mesmo caminho, para mais à frente, depois de atravessar de novo o Rio Lima, adotar a N203 e depois a N104-1 até à Barragem de Lindoso, o maior centro de produção de energia hidroelétrica em Portugal.

Para regressar àquilo que de mais belo o Gerês nos oferece o melhor é seguir pela N104-4 em direção a Espanha e atravessar mesmo a fronteira onde deve seguir na OU-540, na direção de Compostela (nada a ver com Santiago), para cerca de 20 quilómetros depois virar à esquerda, na direção de Padreno, primeiro, e depois, Vilameá, onde deve seguir pela OU-312 até Portela do Homem, entrando, então, de novo em Portugal e no Gerês. Siga então pela N308-1, com cuidados especiais, pois também aqui a estrada é território de cavalos e bois. Já em plena descida para a povoação de Gerês procure as indicações do miradouro da Pedrabela, onde o esperam as mais belas vistas da Barragem da Caniçada, e no regresso à estrada principal (estreita) a visita à Cascata do Arade é outro momento a não perder (apesar do esforço de ultrapassar uma boa centena de degraus).

Depois de uma inesquecível manhã em comunhão perfeita com a natureza, a vila de Gerês é um bom local para almoçar, bem como para um passeio a pé antes de retomar a estrada (N398-1) até a albufeira da Caniçada onde, após cruzar a ponte deve virar à esquerda (para a N304) na direção de Braga (N103)onde chega menos de uma hora depois.

Braga é o local que escolhemos não apenas para pernoitar mas para permanecer pelo menos durante todo um dia. A Cidade dos Arcebispos, que agora é mais conhecida pelo facto de ser a cidade mais jovem de Portugal, transborda vida, tendo sido capaz de preservar toda a beleza original do invejável conjunto de monumentos (Bom Jesus, Sameiro, etc) e, ao mesmo tempo criar uma atmosfera vibrante, com um comércio atualizado, cafés acolhedores e restaurantes sofisticados. Braga é, sem qualquer dúvida, uma das melhores cidades para passar um par de dias! E, também por isso, o local ideal para terminar um passeio inesquecível.

O Jeep Renegade dá nas vistas ao conservar a aparência aventureira que celebrizou a marca americana, apesar das dimensões que lhe permitem uma utilização mais prática e consentânea com o dia-a-dia. Olhamos o Renegade identificamos imediatamente o espírito Jeep e, mesmo na cidade, as montanhas e as belas paisagens começam a surgir no nosso imaginário.

Ao tamanho certo para a vida urbana (4,2 metros de comprimento), o Renegade junta um interior confortável, com alguns equipamentos inesperados para um automóvel deste preço (menos de 26 mil euros), espaçoso e cuja decoração corresponde à vocação familiar e de evasão. No mesmo registo, a mecânica conjuga a segurança com o conforto da suspensão em todo o tipo de situações e apesar da tração apenas dianteira a verdade é que desenvencilhamo-nos sempre com enorme facilidade mesmo em estradões afetados pelas fortes chuvas que este inverno deixaram marcas no Norte. Aqui, como em estrada e autoestrada, na verdade, o Renegade mostrou sempre uma atitude inspiradora de confiança, com o motor turbodiesel de 1,6 litros, com 140 CV, a denotar sempre uma grande elasticidade.

A estética marcante, plena de personalidade, o conforto do interior e a eficácia dinâmica fazem do Renegade um autêntico Jeep, enquanto os consumos médios (autoestrada a velocidade normal e percursos fora de estrada de pendente acentuada) a rondar os 7 litros aos 100 quilómetros são outra boa surpresa.

Conselho de Viagem 

O Gerês é, sem dúvida, um dos melhores destinos para os apreciadores do turismo de natureza e, consequentemente, para um passeio em família. É fundamental que perceba, porém, que está numa zona com características muito especiais, com estradas estreitas, constante travessia de povoações e, principalmente, com percursos longos onde a ausência de carros e pessoas “convida” os animais que vivem estado selvagem ou semi-selvagem a ocupar espaços que achamos que são nossos. Por tudo isto é fundamental que circule devagar e com atenção redobrada.

Deve, também, ter em conta que é provável que percorra muitos quilómetros sem encontrar um só local para assistência ou reabastecimento. Deve, por isso, ter atenção ao nível de combustível, bem como á quantidade de água no limpa para-brisas que vai ser bastante solicitado.

TRAJETO

Saída de Lisboa pela A1. Siga na direção Porto. Ao km 313 tome a A3 Valença/Braga. Ao km 390 siga pela N203 na direção de Ponte de Lima. Ponte de Lima-Ponte da Barca: siga primeiro pela N203 e depois pelo IC28, direção a Ponte da Barca/Arcos de Valdevez. Cerca de 8 km depois vire à direita para a N202, na direção de Lavradas/Padreiro e na rotunda siga pela N203 na direção de Ponte da Barca. Ponte da Barca-Soajo: Siga pela N203 na direção de Arcos de Valdevez. Depois pela N202 na direção de Sobreiro.

A partir daqui e durante cerca de 15 km deverá ter muito cuidado pois é frequente encontrarmos animais na estrada. Soajo-Portela do Homem: Tome a EM530 na direção de Lindoso. Antes de Paradamonte siga pela N203 até Cidadelhe, pela N104-1, passe Lindoso e entre em Espanha, tomando a OU540. Menos de 7 km após entrar em Espanha vire á direita para Lugar Rio Caldo pela OU312.Siga sempre por esta estrada até Vilameá, alcançando Portela do Homem 30 km depois.

Entre em Portugal. Está na N308-1. Também aqui são frequentes os animais na estrada. Portela do Homem-Gerês- Braga. Siga pela N3081, sempre pela estrada principal, mantendo sempre a barragem como referência, atravessará Gerês e cerca de 12 km depois siga pela N304. Em Pousadouro adopte a N103 até Braga.

  1. A.S Aeroporto Lisboa (24h)
  2. A.S Aveiras (24h) A1 km 44
  3. A.S. Pombal (24h) A1 Km 166.7
  4. A.S Sto Tirso (24h) A3 Km 11 Lugar de Vilar de Lila
  5. Ponte de Lima (7-23h) EN 201 Km 36,464 Sernados – Feitosa
  6. Ponte da Barca (7-23h) Gonçalo Bouças & Fernandes Rua Dr Joaquim Moreira de Barros (EN 101) Km 57,599)
  7. Braga Santos da Cunha 6-Log e Trans. Lda (7-0h) Av João Paulo II

Júlio Santos/Turbo

 

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