Interpol procura cinco ex-responsáveis da VW

Foram emitidos nos Estados Unidos mandatos internacionais de captura para o ex-CEO e outros quadros de topo do Grupo germânico por envolvimento no Dieselgate. De momento a Interpol procura cinco ex-responsáveis da VW, embora seja pouco provável que ocorra a extradição para território americano.

“Se vir Martin Winterkorn na rua, por favor contate as autoridades”. O antigo CEO, juntamente com outros quatro membros da cúpula de decisão do Grupo Volkswagen estão a ser alvo de um mandato de captura internacional que será levado a cabo pela Organização Internacional de Polícia Criminal. Ao todo, a Interpol procura cinco ex-responsáveis da VW, pois os investigadores nos Estados Unidos consideram que os quadros superiores do conglomerado de doze marcas estiveram envolvidos no Dieselgate, acusando-os por isso de fraude e violação das leis ambientais neste país.

Esta informação, com origem do jornal alemão Sueduetsche Zeitung e já difundida pela Automotive News, afirma que existe ainda um sexto envolvido no caso entre os membros da liderança do Grupo VW. Trata-se de Oliver Schmit, antigo dirigente da Volkswagen que foi detido em Miami no passado mês de fevereiro quando se preparava para regressar à Alemanha. E é precisamente na localização atual deste quinteto que está de momento a principal questão, pois embora seja verdade que a Interpol procura cinco ex-responsáveis da VW, com o anterior CEO à cabeça, é pouco provável que eles acabem extraditados para solo americano. Isto porque a legislação alemã apenas prevê a possibilidade de enviar cidadãos nacionais procurados para outras nações da União Europeia ou para tribunais internacionais, o que significa que desde que se mantenham em países “seguros”, é pouco provável que Winterkorn e companhia tenham de responder em tribunal. Além disso, esta poderá ter sido uma das razões para que a própria firma tenha aconselhado recentemente as pessoas que lideravam a empresa quando foi descoberta a fraude de emissões a não viajar para fora da Alemanha.

Mas esta situação não deixa de ser mais uma mancha associada ao Dieselgate a cair na reputação do líder do mercado mundial em 2016, e que vem aumentar a suspeita sobre o conhecimento da cúpula de decisão do Grupo VW do escândalo de emissões que explodiu em 2015. Além disso, ajuda a reforçar a acusação efetuada também por Ferdinand Piech, antigo presidente do gigante da indústria automóvel, que saiu da empresa após uma luta pela liderança com Winterkorn, e que afirmou recentemente aos investigadores responsáveis por este caso na Alemanha que o ex-CEO tinha conhecimento sobre o procedimento que alterava as emissões do motor EA189.

Fonte: Automotive News Europe