Maior recall da história automóvel termina com bancarrota da Takata

Obrigada a recolher mais de 100 milhões de automóveis em todo o planeta devido a um problema que fazia os airbags explodir, a Takata anunciou a bancarrota e vai ser adquirida pelos rivais da Kay Safety Systems.

Após muitos rumores durante os últimos tempos, finalmente chegou a confirmação da bancarrota da Takata, que nos últimos anos tem estado envolvida no maior recall da história automóvel. Segundo as contas do New York Times, são cerca de 112 milhões de veículos em todo o planeta (70 milhões nos Estados Unidos e 42 milhões em outras regiões) os veículos a necessitar de substituir o airbag, devido ao perigo de explosão quando este importante componente de segurança é acionado, lançando peças metálicas que chegaram em casos, como o de um Honda Accord em 2002 a circular a 30km/h, a cortar a artéria carótida e veia jugular. Ao todo, foram confirmados 16 casos com vítimas mortais devido aos problemas dos airbags da Takata. O problema apenas foi sentido em regiões com grande humidade e temperaturas mais elevadas, e a explicação estaria num erro na mistura dos propelentes (gases) explosivos que faria com que, ao insuflar os airbags da Takata, estes explodissem.

Os custos associados à desvalorização da empresa, que durante quinze anos conseguiu esconder os problemas com os seus airbags, e das chamadas às oficinas, multas e compensações a vítimas levam agora a este desfecho, com a concorrente Key Safety Systems a adquirir as operações da empresa. Fundada em 1933, a Takata tem sido sempre controlada pela mesma família, mas com a saída do CEO Shigehisa Takada após a venda esta ligação vai terminar. Com a empresa a acionar o pedido de proteção do governo nipónico (e também nas 12 subsidiárias em doze outros países) estamos na presença da maior bancarrota de uma empresa fabril no Japão, com os custos de 1100 mil milhões de ienes a serem praticamente o triplo do anterior recordista, a Panasonic Plasma. A Key Satefy Systems irá pagar 1,43 mil milhões de euros para adquirir todas as operações da anterior rival (36%,6% dedicada aos airbags; 36% nos cintos de segurança; 18,1% em volantes e 9,3% em outros componentes), ficando assim com uma quota de 25% de todo o mercado mundial de airbags, mas é avançado que não vai assumir nenhuma das dívidas da empresa.

Além dos montantes suportados por várias marcas, como a Honda, Fiat-Chrysler, BMW ou Tesla, associados ao maior recall da história automóvel, falta saber como será efetuado o pagamento dos 160 milhões de euros em multas e, principalmente, dos 111 milhões de euros para compensação às vítimas e suas famílias. Uma coisa é certa, o montante pago pela venda não será suficiente para todas as compensações e os empréstimos requeridos durante o processo de recall, num total de quase 9 mil milhões de euros, pelo que alguns dos credores vão acabar por nunca receber os montantes que avançaram.

Fonte: New York Times, Bloomberg e The Guardian

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