Revolução automóvel: As incríveis tecnologias que vão mudar as nossas vidas

A América está no centro do carro do futuro, e as inovações estão no centro do futuro do carro. A tecnologia é um fator com um peso acrescido nos dias de hoje também no mundo dos automóveis. A fusão entre a indústria automóvel e a tecnologia encontra-se em constante progresso, e, mais do que um ‘extra’ ou uma mais valia para a construtora, a inclusão de inovações tecnológicas é já uma condição para um modelo que saia das linhas de montagem.

Durante 48 horas, 100 empregados de todos os departamentos da Audi reúnem-se em 20 equipas para encontrarem soluções de software que resolvam problemas. Os temas abordados vão desde a compilação de todo o equipamento de um modelo numa só aplicação até ao desenvolvimento de sistemas inteligentes que detetam danos nos jantes do automóvel, impercetíveis à vista, ou a uma perda de pressão no pneu. A marca dos quatro anéis desenvolve tecnologias a apresentar, por exemplo, em eventos como a Audi Summit deste ano.

Entretanto, a Daimler, que até já investe em carros voadores, apresenta em Estugarda as mais recentes novidades dos membros da Startup Autobahn, uma plataforma que promove serviços de mobilidade. A Daimler é uma das co-fundadoras da plataforma, mas também a Porsche está presente. A BMW, atenta, fundou em 2015 em Munique a BMW Startup Garage. São exemplos de como a tecnologia acompanha a indústria automóvel.

Os carros mais importantes do século passado primaram pela sua capacidade de resposta às necessidades económicas dos clientes. As cadeias de montagem permitiram que os próprios operários pudessem comprar um carro pela primeira vez. Os carros, mais robustos, simples, e baratos nos consumos e manutenção, triunfaram na Europa no pós-Segunda Guerra Mundial, e, décadas depois, os compactos e os utilitários transformaram-se no meio de transporte principal de uma sociedade extremamente urbanizada. A questão que agora se impõe é outra: Qual será a próxima tecnologia inovadora que romperá e transformará por completo a indústria automóvel?

Atualmente, os problemas ambientais e as restrições de tráfego – que motivaram a que várias potencias económicas do mundo tomassem drásticas decisões, como são exemplos o recente anúncio do Governo francês ao declarar a morte aos motores de combustão e a semelhante decisão do Reino-Unido – conduzem o futuro em direção aos elétricos, o próximo marco na indústria automóvel. O futuro passará pelos veículos de emissões 0. Nada mais.

 

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Um futuro que passará também pelo desenvolvimento dos carros autónomos, que a Alemanha se mostrou apraz em legalizar. Alguém consegue imaginar uma tecnologia que possa transformar mais o automóvel como o concebemos do que a que permite que este se desloque sem condutor? Enquanto estas inovações são acompanhadas por grandes mudanças na indústria automóvel, temos de olhar mais além. por que deverá um fabricante transformar-se numa empresa de tecnologia?

Tudo aponta para que as pessoas continuem a comprar mais e mais carros. As economias emergentes são a principal razão. Mas o foco das marcas, vistas como fabricantes de automóveis, poderá deixar de ser, exclusivamente o desenvolvimento, o fabrico e a venda de automóveis. Alguns estudos apontam para que os serviços de mobilidade, a conectividade e outros modelos de negócio, que fogem à tradicional perspectiva da indústria automóvel, representem uma grande percentagem do negócio na próxima década.

São novas tendências no negócio. Uma ruptura inovadora na indústria automóvel já não será realizada através da produção e do fabrico dos carros, como foi anteriormente, e nenhuma marca quer ficar para trás na corrida. Hoje em dia as fabricantes de automóveis transformaram-se, em parte, em empresas que desenvolvem novas tecnologias a aplicar nos novos modelos – segundo a CB Insight, os investimentos em start-ups relacionadas com a indústria automóvel superaram os mil milhões de dólares, pela primeira vez, em 2016, quase duplicando o valor do investimento do ano anterior.

O grande desafio reside em dar resposta à rapidez com que as alterações acontecem. No ciclo de vida de um modelo, desde a chegada aos concessionários até que é substituído por uma nova geração, milhares de empresas têm oportunidade entrar no mercado com um produto inovador, revolucionando o mercado, mas também podem desaparecer.

Durante esse período, de uma geração de um modelo de automóvel, há espaço para que uma inovação se torne numa tecnologia obsoleta, ultrapassada. Daí ser necessário o investimento constante em start-ups na indústria automóvel, para que uma marca se mantenha na vanguarda.

Para demonstrar a velocidade com que decorre a ruptura através de start-ups, remetemos ao exemplo de uma consultora, que no início do ano começou uma investigação sobre as start-ups relacionadas com o mundo automóvel. Foram identificadas 500 start-ups com potencial para alterar o panorama da indústria automóvel. No final desse ano o número subiu para 1700 empresas, todas elas com uma visão disruptiva para o sector.

A Google criou uma empresa dedicada à condução autónoma

Os resultados da pesquisa confirmam que o desafio das empresas de automóveis não se resume ao modelo de negócio até há pouco tempo praticado. As marcas têm de se adaptar a novas exigências do mercado por uma questão de, mais do que sucesso, de sobrevivência. É imperial o investimento em tecnologia que inove a indústria automóvel.

O aparecimento de novas start-ups, a chegada de novos modelos de negócio e a adaptação das fabricantes são uma realidade que não vai desaparecer – antes pelo contrário.

 

O futuro da indústria automóvel passa também por sinergias entre as fabricantes – não apenas através de acordos estratégicos pontuais que visam a partilha de plataformas ou de desenvolvimento de tecnologias. Nem mesmo exclusivamente através da formação de conglomerados, como é exemplo a aquisição da Opel/Vauxhall pelo Grupo PSA. A chegada dos veículos autónomos e da partilha de informação em nuvem reforçam a necessidade de as marcas se entenderem entre si e reúnam esforços em torno do sucesso do setor automóvel.

É uma realidade que ainda pode parecer pouco natural, as fabricantes de carros se unirem. Mas é também uma realidade que já é atual e que nem sequer é de hoje – a Nokia, apostando em negócios como o geoposicionamento e a cartografia, desenvolveu o sistema HERE. O amplo sucesso na vertente de digitalização deste sistema levou a que a Audi, a BMW e a Mercedes se unissem para a adquirir, em 2015.

São sinais de novos tempos e de uma realidade na indústria automóvel – e dos próprios automóveis como os conhecemos – que já nem se pode considerar como sendo o futuro. A ruptura está a acontecer neste momento e o futuro bate à porta: e as marcas apressam-se por a abrir.

 

Miguel Policarpo

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