Tripla embraiagem: o futuro das transmissões?

A maior eficiência e passagens super velozes são a promessa de soluções como a que a GM e a Honda estão a desenvolver, mas são ainda ponderadas outras hipóteses que recorrem já aos cada vez mais usuais motores elétricos.

Recentemente noticiámos no site da Turbo que a Honda estava a desenvolver uma transmissão de tripla embraiagem e onze velocidades, algo que foi agora alvo de um trabalho por parte dos britânicos da CAR Magazine, onde são apontadas as razões e vantagens desta solução. Segundo é explicado, a utilização de caixas já com dois dígitos (10 ou mais relações), acompanhadas de softwares mais avançados, permitirá manter continuamente o motor num registo otimizado de rotações, garantindo um aumento da eficiência que poderá chegar aos 5%. O papel desta terceira embraiagem foi também descrito na patente inscrita em agosto de 2016 pela Honda, onde é referido que o seu papel é eliminar as quebras de binário das caixas de dupla embraiagem nas trocas de mudanças.

Mesmo com notícias como o facto do Grupo Volkswagen ter cancelado uma nova caixa automática DSG de dez velocidades, basta recordar que num passado ainda não muito distante se viam no mercado modelos com caixas de quatro velocidades. Nos últimos tempos às habituais caixas de cinco relações foram sendo adicionadas, numa primeira fase, as seis velocidades, e num período mais recente, as automáticas com sete e mesmo com nove velocidades, como no caso de modelos recentes da Mercedes. E nos últimos tempos já foram colocadas em comercialização transmissões de dez velocidades por parte de marcas da GM e também pela Ford e pela Lexus.

Esta foto ilustra o sistema de tripla embraiagem que a GM está a desenvolver

Foi este esboço inscrito numa patente da Honda, de 2016, que deu maior visibilidade ao possível surgimento de transmissões de tripla embraiagem

Estes dois gráficos, de uma patente americana, procuram explicar o funcionamento destas transmissões.

Estes dois gráficos, de uma patente americana, procuram explicar o funcionamento destas transmissões.

Existem ainda soluções alternativas, como este e-Twinster da GNK,que recorrem à eletrificação.
Alguns especialistas apontam à dezena de relações precisamente como o limite máximo, como indicou um especialista da Ford (Jim Centilvre) no Simpósio CTI Transmissions. “Existem ganhos diminutos acima das dez velocidades”. No entanto, Darrell L Robinotte, o cérebro por trás da transmissão de onze mudanças, mais duas de marcha-atrás, que a GM e Honda desenvolvem, refuta essa ideia. “Poderia concordar que as dez velocidades parecem o limite, mas apenas há uma década seis velocidades pareciam suficientes. Se for possível adicionar mais relações com a capacidade de configuração para saltar mudanças, porque não?”. Segundo este especialista, isto poderá vir a ser alcançado sem prejuízo ao nível de custos, peso e dimensões, tendo para tal um papel essencial as unidades de controlo inteligentes, para permitir às caixas automáticas passagens sem quebra de binário.

 

A viabilidade futura parece, portanto, estar garantida, pois responsáveis da GM confidenciaram que o potencial das caixas de tripla embraiagem a longo prazo é idêntico ao das atuais DCT (Double Clutch Transmission – Transmissão de Dupla Embraiagem). No entanto, existem ainda outras soluções alternativas, como indicado pela Car Magazine, que vão competir com esta solução. Entre elas destaque para duas soluções com recurso à eletrificação. A primeira, dos especialistas da ZF, refere que entre três e cinco anos as caixas de cinco e seis velocidades podem acoplar um motor elétrico que fica responsável pelo arranque e as manobras em marcha-atrás e a pequenas velocidades. Os italianos da Graziano, por sua vez, ponderam a utilização de motores elétricos como forma de suavizar as passagens das suas caixas manuais. Duas opções que vão competir com as caixas de tripla embraiagem, que ainda assim, são mais uma demonstração de novas soluções para combater os limites de emissões cada vez mais restritivos em diversas regiões do globo sem prejuízo no prazer da condução.

Nuno Fatela