Amores de verão em Gili Travangan

Francisco Sande e Castro
Francisco Sande e Castro
Jornalista e Escritor

Saí da capital de Lombok, Mataram, pelas onze da manhã e parti para norte junto à costa, na direção onde eles me tinham indicado que ficava este grupo de três pequenas ilhas. O passeio é lindo porque aquela zona da costa forma várias pequenas baías com praias entaladas entre o mar e o palmeiral.

Quando vi as ilhas no horizonte e um pequeno porto de mar parei para perguntar se havia quem me levasse às ilhas. Pescadores que tratavam das redes responderam que sim, mas pediram-me o equivalente a 30 euros que achei um exagero. Disseram-me então que, meia dúzia de quilómetros à frente, havia barcos que transportavam mais pessoas regularmente. Parti para o porto que me indicaram onde constatei que até tinham um armazém para se guardarem as muitas motos de quem ia para as ilhas trabalhar.

Embarquei num “speed boat”, com três motores de 200 cv e outros tantos clientes e em dez minutos estávamos a desembarcar em Gili Travangan.

“Transport, sir, transport? where are you staying”?

Pequenas carroças puxadas por um cavalo esperam pelos turistas no porto para os levar aos hotéis. Eu não tinha nada marcado e preferi alugar uma bicicleta com um porta bagagens onde coloquei a pequena mala que trazia e fui explorar a zona.

Em menos de duas horas dei a volta à ilha por um estreito caminho onde se cruzam bicicletas e carroças. Durante o trajeto vários homens me perguntaram se não queria comprar erva, uma massagem ou a própria massagista.

Pelo caminho encontrei o hotel mais atrativo dentro do meu orçamento e deixei logo lá a mala. Era composto por várias cabanas de colmo junto à praia em que uma era a recepção e bar, outra um sítio para se estar sentado em almofadas a ler ou conversar e outras os quartos, com camas grandes de dossel e mosquiteiro, mas pouco espaço à volta. Do outro lado da entrada na cabana uma porta dava acesso à casa de banho que era ao ar livre, forrada a bamboo, tendo a minha uma enorme palmeira no meio. O duche era uma cana de bambu de onde a água corria para o chão da casa de banho. Muito giro.

Na praia tinham não só camas para se estar ao sol como algumas mesas e cadeiras à sombra de árvores e uns coloridos puf`s que os empregados se apressavam a retirar de cada vez que começava a chover.

Depois de dar a volta à ilha e responder várias vezes que não me queria drogar nem receber massagens fui à procura de um sítio para almoçar, já pelas três e meia da tarde.

Encontrei um restaurante isolado, junto ao mar, com uma pequena loja de roupa ao lado, que pertence a um jamaicano que ali se instalou. Tinha um ambiente giríssimo com boa música e três empregadas muito animadas e divertidas, de maneira que acabei por voltar lá para jantar nesse dia e almoçar no dia seguinte.

Nas duas ultimas refeições elas andavam numa paródia pegada, a rirem muito até que uma delas me contou que a mais velha, dos seus trinta e muitos anos, estava apaixonada por mim. Convidei-a para jantar e ficou excitadíssima, mas quando, num restaurante da vila sobre o mar, à luz das velas, caí na asneira de lhe dizer que partia no dia seguinte, já não quis ficar comigo no hotel. Era mesmo amor.

Deixei Gili Tanwangan no barco da manhã com vontade de lá voltar, como me tem acontecido em tantos sítios. Na outra margem peguei na moto e arranquei para o lado oriental da ilha de Lombok, a caminho do porto onde apanharia o barco que me levar à seguinte, Sumbawa.

Tinham-me recomendado que, antes de partir, não deixasse de visitar uma zona montanhosa da ilha de Lombok com uma beleza invulgar e umas quedas de água espetaculares de maneira que, ficando até no meu caminho, foi para aí que me dirigi.

Quando lá cheguei, depois de subir a montanha com paisagem de floresta exuberante, vi um restaurante com bom aspecto e parei para almoçar. Tinha uma vista espetacular sobre o vale, com o mar ao longe.

Pouco depois entraram duas miúdas inglesas que se sentaram na mesa ao lado da minha e, quando disseram que também vinham visitar as quedas de água, sugeri irmos juntos.

Embora vários guias nos recomendassem que o caminho para a segunda cascata, que seria a mais espetacular, era quase impossível fazer sem acompanhamento, decidimos ir só os três e foi muito divertido. Atravessámos um rio várias vezes por entre pedras e corrente, ao princípio descalços e de calças arregaçadas, mas para o fim com sapatos e calças encharcadas. Pelo meio caí dentro de água, felizmente numa altura em que tinha passado o meu iphone à Laura.

A cascata era sensacional e tomámos os três um enorme banho debaixo da queda de água.

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*Francisco Sande e Castro está a dar a volta ao mundo de moto e M24 publica o seu diário de bordo. Acompanhe-o nesta grande aventura

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