Austrália: Paragem num Pub no fim do mundo

Francisco Sande e Castro
Francisco Sande e Castro
Jornalista e Escritor

À medida que vou andando para sul a paisagem torna-se mais seca e rasteira. Deixa de haver árvores e passam a ser arbustos de menos de dois metros, uma espécie de savana africana, que aliás faz sentido pois devo estar à mesma latitude que essa zona de África.

Ainda a cerca de 200 Km do posto de Three Ways, parei em Daly Waters. A vila é famosa porque salvou o primeiro explorador a atravessar o continente de Sul para Norte que ali encontrou água. Tem um Pub com um ambiente fantástico. No interior, coleções e recordações várias, desde centenas de notas de todo o mundo a roupa, calculo que de clientes, que inclui cuecas e soutiens, bonés, etc.

Daqueles pubs que estão cheios de tralha. Um avião em lata pendurado na parede, peças de ferreiro, sei lá, um mundo de material espalhado à volta do bar. É local de paragem obrigatória para quem atravessa o país pelo centro.

O dono é daquele género simpático, mas de cara séria que já não tem muita paciência para os clientes. À porta, sentado na esplanada estava o pai, dos seus 70 anos, barrigudo e bonacheirão, garrafa de cerveja na mão, que me falou numa pronuncia tão cerrada que lhe pedia para repetir cada frase que dizia. Enquanto tomava o meu “brunch”, pelo meio dia e meia, chegou uma camionete com turistas alemães. O dono e duas miúdas despachadas lá atenderam os 30 ou 40 clientes com o ar de quem preferiam que não tivessem aparecido.

Do outro lado da rua a pequena bomba de gasolina onde depois abasteci também lhe pertence. Entre outras decorações tem um helicóptero em escala ¼ em lata no telhado.

À medida que me vou afastando de Darwin, capital do Northern Territory, o preço da gasolina vai aumentado, provavelmente devido ao transporte para aqueles locais recônditos e pela pouca quantidade que devem vender.

Enquanto em Darwin a gasolina de 95 custava o equivalente a 90 cêntimos, aqui para baixo já a cheguei a pagar a 1,90 dólares (1,30 euros) o litro. A água também é um bem escasso e começa a entrar no orçamento diário. Uma garrafa de litro e meio custa 4 euros e, com este calor, nunca bebo menos de duas por dia.

De resto, tudo é caro aqui na Austrália. Por um quarto numa barraca pré-fabricada de um parque de campismo não pedem menos de 75 euros por noite. Por isso tenho sempre acampado. Custa entre 7 e 10 euros e têm casas de banho decentes, muitas vezes uma pequena piscina e um telheiro equipado com fogão e frigorifico onde cozinhar.

Para dizer a verdade, não conheço parques de campismo em mais nenhum país, nem mesmo em Portugal, mas calculo que estes sejam bons.

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*Francisco Sande e Castro está a dar a volta ao mundo de moto e M24 publica o seu diário de bordo. Acompanhe-o nesta grande aventura

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