Entre ilhas paradisíacas e Banguecoque

Francisco Sande e Castro
Francisco Sande e Castro
Jornalista e Escritor

A cidade de Chalyaphum não tem graça nenhuma e o hotel que encontrámos era sujo de maneira que pela manhã passámos só em duas lojas a comprar pasta de dentes e uns auscultadores para a minha filha Maria ouvir música durante a viagem e seguimos rumo a sul. Percorremos cerca de 300 Km por estradas de planície que têm muito menos graça que as de montanha do Norte da Tailândia.

As estradas aqui são de um modo geral boas e o trânsito ordenado, a não ser por um ou outro condutor que, ao fazerem ultrapassagens em sentido contrário ao que rolamos, consideram a moto invisível e tenho que abrandar e encostar-me à berma.

Mas o principal perigo de circular de moto na Tailândia são os cães. Como aqui não os comem, há milhares de vadios que andam à solta pelas estradas, atravessando-se constantemente à frente da moto. Tem que se estar muito atento e circular devagar. Raramente ultrapassei os 120 Km/h.

Não parece existir uma polícia de estrada nem sinais com limites de velocidade mas é raro vermos um carro a andar depressa, até porque a maior parte são “pick-ups” e Ferraris ou GTR’s só vi em Bangkok. O que encontramos com frequência são militares à entrada das cidades que parecem querer controlar apenas o que os locais transportam. A nós mandam-nos sempre avançar e só fazem sinal para circularmos mais devagar.

Nesse dia ficámos em Sa Kaeo, onde também nos limitámos a dormir, desta vez num hotel um pouco melhor, e seguir viagem. Aproveitei o facto de passarmos perto de outro parque natural para o visitarmos. São parques com uma vegetação espetacular e muitas das vezes com quedas de água. Existem muitas dezenas pelo país todo mas constatamos que são muito pouco visitados, talvez por estarem fora das rotas turísticas e serem uma banalidade para os habitantes locais.

Às cinco da tarde embarcámos num ferry para a “Idílica ilha de Ko Chan”, como lhe chamam nos catálogos.

Aqui voltamos a encontrar turistas embora ainda não seja a época alta. A ilha é também ela um parque natural mas com muitos “resort” de todas as classes, no lado cuja costa tem praias. São praias de areia muito fina onde a faixa do areal não tem mais de vinte metros pois a floresta vai até à praia, como nos postais de locais paradisíacos, com palmeiras na areia.

Ko Chan tem partes onde a construção é desordenada mas a parte natural é fantástica. Passámos dois dias num “resort” e outros dois num outro, ambos com uma paisagem de costa extraordinária e um mar, salpicado de pequenas ilhas, sem ondas e com água transparente e quente. Uma vez por dia chovia, mas passada meia hora voltava o sol e, como a temperatura exterior nunca baixava dos 32º, havia quem nem chegasse a sair de dentro de água. Como nesta época ainda há poucos turistas foi um “dolce far niente” muito agradável.

Depois desses dias em Ko Chang arrancámos de volta para Bangkok.  Acordámos mais cedo que o costume para termos tempo de ir dar um mergulho a uma cascata com uma piscina natural fantástica e acabámos por ir a acelerar, ilha fora, para não perdermos o barco das 11,30 onde entrámos já o homem tinha a mão no botão que fecha a rampa levadiça.

Já no continente fizemos 400 Km para chegarmos a Bangkok ao cair da noite, depois de termos parado uma meia hora para um almoço de frutas tropicais na beira da estrada e outra a meio da tarde para nos abrigarmos de uma carga de água.

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*Francisco Sande e Castro está a dar a volta ao mundo de moto e M24 publica o seu diário de bordo. Acompanhe-o nesta grande aventura

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