No topo do mundo do Marina Bay Sands

Francisco Sande e Castro
Francisco Sande e Castro
Jornalista e Escritor

Ainda em relação aos pneus que montei ontem na moto é interessante verificar o seguinte: eles tinham os pneus Metzeler em promoção, que são excelentes e foi os que escolhi. O curioso é que são pneus alemães e não japoneses, coreanos ou indonésios, como seria de esperar na região.

O que aconteceu aqui em relação a estes países asiáticos, e o mercado automóvel é um bom exemplo disso, foi que enquanto a maioria dos fabricantes europeus acharam que o nosso mercado era suficiente para escoarem os seus produtos, os alemães previram o enorme crescimento económico desta parte do mundo e trataram de cá se estabelecer. As pessoas espantam-se porque é que eles estão ricos e os franceses e italianos falidos, mas esta é uma das razões. Quando circulamos nas ruas é evidente que a maioria dos carros que vemos são japoneses ou coreanos, mas também há muitos Mercedes, BMW, Audi e Volkswagen. O que não vemos é um único Peugeot, Renault ou Fiat.

Depois de montar os pneus fui fazer um passeio turístico. Primeiro visitei um Templo Budista, dos melhores que já vi. Como mais de 70% da população aqui é de origem chinesa a religião deles é o dinheiro, mas também há muitos hindus e uma comunidade muçulmana. De qualquer forma muitos asiáticos são budistas e à noite, numa sala aberta para a rua, perto do hotel, estive a assistir um pouco ao discurso de um guru que dizia pouco mas tinha uma plateia numerosa e encantada.

Depois de visitar o templo Budista dei uma volta pela “China Town” local onde acabei por almoçar muito bem enquanto uns miúdos de uma escola se sentaram à minha mesa para me entrevistarem num trabalho de grupo.

A seguir fui visitar o Marina Bay Sands. É o hotel mais extraordinário que se pode imaginar. O prédio em que está inserido é considerado o prédio mais caro do mundo. São três enormes torres, com um design fantástico e, no topo das três, está pousado como que um enorme barco, que faz uma elegante curvatura, onde está instalada a piscina, dois bares e restaurantes. Uma extravagância espetacular. Subi até ao 52º andar num elevador que nos transporta em meia dúzia de segundos, e, estando a entrada na zona da piscina reservada a clientes do hotel, visitei os bares e terraços, com vista fabulosa. De qualquer forma não resisti a perguntar depois na receção por um quarto. Um dos funcionários achou-me com ar de rico e mandou-me para a secção VIP. Estavam esgotados no fim de semana e custavam 580 dólares de Singapura por noite, qualquer coisa como 500 USD. “Sim, sim, depois telefono a marcar”.

Nesta zona de Singapura, junto à costa sul, eles têm vindo a conquistar terreno ao mar, como fazem em Macau, de maneira que até o mapa do GPS, que não está atualizado, por vezes marcava como se eu estivesse a navegar no mar com a moto.

Depois do Marina Bay Sands fui visitar um parque botânico onde têm árvores e plantas de todo o mundo numa espécie de estufas gigantes de moderno design. Teve graça porque davam um grande destaque às oliveiras, que tratavam com enorme admiração, não só por darem um ingrediente tão fabuloso como o azeite, mas também por haver exemplares que resistem muitas centenas de anos. Mostravam um mapa da zona mediterrânica onde se dão, com Portugal em enorme destaque. Aprendi ali que há oliveiras com dois mil anos.

No dia seguinte fui tratar de embarcar a moto para a Indonésia. Não existindo em Singapura ferries que transportem veículos motorizados tive que a mandar num cargueiro para Jakarta. Ainda pedi se a podia acompanhar no navio mas disseram-me que não de maneira que me despedi dela e apanhei um avião, 24 horas depois, para a capital Indonésia.

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*Francisco Sande e Castro está a dar a volta ao mundo de moto e M24 publica o seu diário de bordo. Acompanhe-o nesta grande aventura

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