Como a tecnologia está a mudar a indústria automóvel

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Na era em que as tecnologias de condução e de conectividade avançam a grande velocidade, os fabricantes de automóveis procuram tecer fortes alianças com as companhias de tecnologia, procurando munir-se dos instrumentos mais adequados para a revolução da indústria automóvel. Exemplos disso são as alianças entre a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e a Google, com vista ao desenvolvimento de novos sistemas de condução autónoma para utilização mútua, ou entre a Volvo e a Microsoft, com o mesmo fim.

Neste novo paradigma, a Samsung também procura tomar uma posição muito forte na indústria automóvel, anunciado a aquisição da Harman Industries por um total de 8 mil milhões de dólares, num valor de 112 dólares por ação, imiscuindo-se agora também no setor da conectividade automóvel, área em que a Harman é hoje especialista com o desenvolvimento de diversas tecnologias neste âmbito.

No seu anúncio, a Samsung refere, por exemplo, que 65% das vendas da Harman no ano passado estavam relacionadas com a área automóvel, pelo que a Samsung garante assim um passo de gigante no setor das tecnologias para integração automóvel em que até aqui tinha pouco peso (não tanto em termos de ‘core business’, uma vez que detém uma participação na Renault-Samsung Motors).

Tomando o caso da marca coreana como exemplo, a Samsung tem vindo a apostar de forma mais vincada na indústria automóvel, com a entrada no capital da chinesa BYD em meados deste ano numa transação de 455 milhões de dólares por 2% das ações da fabricante de automóveis, além de ter estabelecido uma área interna para o desenvolvimento de tecnologias relacionadas com o setor, a Automotive Electronics Business Team.

Alianças fundamentais

A existência de parcerias e interações entre construtores é cada vez mais evidente, na medida em que as características de conectividade e tecnologia assumem hoje um pendor fundamental. Sistemas de partilha de dados em tempo real (entre veículos e entre estes e infraestruturas), sistemas de partilha conteúdos e sistemas de assistência à condução exigem hoje uma resposta enorme por parte dos fornecedores de tecnologia a que é necessário responder com premência. Até porque o peso da transmissão de dados será substancial nas redes do futuro.

Uma fonte da Lexus referiu, por exemplo, que para a condução autónoma a transmissão de dados exige a implementação de uma rede 5G, cujo valor de transmissão de dados necessária seria equivalente ao total de uma família inteira com quatro telemóveis, Internet e TV em casa por mês. Com este cenário desafiante, os acordos entre marcas automóveis e fornecedores de tecnologia revestem-se de natural preponderância, tanto mais que a chegada da condução autónoma e de novos modelos de mobilidade urbana obrigam a outros métodos de entrosamento entre duas áreas que, até há bem pouco tempo, pareciam pouco relacionadas.