Dono distraído é o maior perigo do automóvel autónomo

M. Francis Portela
Investigador

Se um automóvel autónomo tiver um acidente, a culpa é do condutor. Pelo menos, essa é a situação atual, de acordo com jurisprudência americana de 1947 relativa a um acidente de aviação. E isto poderá causar problemas nos primeiros anos de carros a circularem sozinhos na estrada, já que um estudo da Universidade de Southampton provou que um condutor tende a ficar distraído quando deixa o carro a funcionar sozinho, potencialmente causando um desastre em caso de emergência.

Um estudo conduzido pela universidade britânica, publicado no jornal científico Human Factors, colocou um grupo de 26 pessoas, com idades entre os 20 e os 52 anos, a circular num simulador a uma velocidade de 110 km/h. Os condutores tiveram foram também testados com atenção à condução e com um elemento capaz de causar uma distração.

Durante a experiência, o sistema de condução autónoma emitia um alerta num intervalo de tempo aleatório entre 30 e 45 segundos, obrigando o condutor a reassumir o comando da viatura. No entanto, enquanto os condutores desocupados conseguiam ter uma reação rápida, em 1,9 segundos no mínimo, um condutor distraído chegou a demorar 25,7 segundos a reagir. Isto é perigoso, se considerarmos que, sem a necessidade de conduzir, o responsável pelo carro deverá estar ocupado noutra atividade no mundo real.

Embora os Estados Unidos tenham jurisprudência sobre pilotos automáticos, nova legislação poderá ser feita especificamente para automóveis de modo a ser aplicada a nível internacional, e a programação dos sistemas terá que ser feita para levar em conta que o mais provável é que uma pessoa “ao volante” de um carro autónomo vai estar distraída.