Universidade inventa novo material para acabar com o ar condicionado

M. Francis Portela
Investigador

Portugal tem alguns extremos de temperatura que obrigam a usar aparelhos como o ar condicionado. Mas o seu uso constante tem como consequência uma fatura da eletricidade nada apetecível. O ideal era algo que nos pudesse manter frescos no verão sem gastar energia. Impossível? Pelo contrário, de acordo com uma equipa de investigação na Universidade do Colorado, nos Estados Unidos.

Este grupo, liderado pelo professor assistante Xiaobo Yin, especializado em engenharia de materiais, criou um polímero de vidro, que tem apenas 0,05 mm de largura, e que pode ser facilmente produzido em rolos, podendo ser aplicado a uma variedade de superfícies. Este material tira proveito da perda natural de calor existente em todos os objetos, expelindo calor sob a forma de radiação infra-vermelha ao mesmo tempo que consegue refletir a luz solar.

Este foi o principal problema a resolver com a conceção deste material, que exigiu a colocação de partículas microcóspicas de vidro numa folha de polímero, cobertas por uma fina camada de prata, garantindo assim que a luz solar é refletida e que esta não aquece o material.

De acordo com outro membro da equipa, o também professor assistente Gang Tan, “dez a vinte metros quadrados num telhado chegam para arrefecer uma casa de família no verão”. Este material também pode ser aplicado em painéis solares, garantindo uma maior eficiência energética, de cerca de dois por cento.

Ronggui Yang, o terceiro membro da equipa, confirmou que “esta tecnologia funciona continuamente e a qualquer hora do dia, sem consumir energia. Isto vai permitir-nos explorar aplicações na indústria energética, aeronáutica e agricultura”. Na prática, qualquer superfície que necessite de dissipar calor podia beneficiar deste material, incluindo automóveis, eliminando o consumo de combustível ou de energia das baterias normalmente associado a um automóvel normal.