Firebird II, o carro autónomo de 1956

M. Francis Portela
Investigador

Acha que automóveis autónomos são uma moda nova? Nem pensar nisso, a indústria automóvel anda a trabalhar nisso há décadas. Aliás, a GM anda a trabalhar nisso desde 1956, quando revelou ao mundo o Firebird II, um automóvel a jato que era capaz de andar sozinho e comunicar com outros carros.

A década de 50 do século passado foi um período revolucionário, onde as agruras da Segunda Guerra Mundial ficaram esquecidas para dar lugar ao novo período de descoberta de novas tecnologias e da conquista espacial. Referências a aeronáutica e naves espaciais infetaram o inconsciente coletivo, deixando influências também na estética dos automóveis.

A General Motors, proprietária de marcas como as americanas Chevrolet e Pontiac, ou as europeias Opel e Vauxhall, tinha o seu próprio espetáculo de divulgação nos anos 50, conhecido como Motorama. Para a edição de 1956, apresentou o concept car Firebird II.

Do anterior Firebird I, guardava a turbina de gás originária da aviação, à época uma possibilidade real de evolução tecnológica para andar na estrada, mas que foi definitivamente abandonada nos anos 70. Mas não era tudo.

O Firebird II também tinha elementos demasiado à frente para 1956, como faróis retráteis, indicadores de direção móveis, abertura magnética de porta, bagageira com controlo remoto ou bancos com ventilação. A informação relativa ao carro e à condução era visualizada num ecrã digital. E, finalmente, o carro podia circular sozinho, ligado via rádio a um cabo na estrada, enviando informação para outras viaturas nas redondezas.

Obviamente, a tecnologia da época não era suficiente para permitir ao automóvel circular sozinho. Não havia informação digital com distribuição sem fios, e qualquer sistema de computador existente capaz de ler informação era grande demais para poder ser instalado num veículo (e não era muito rápido).

Por coincidência, foi precisamente em 1956 que o escritor de ficção científica Isaac Asimov inventou a palavra “microcomputador”, para descrever o tipo de processadores que facilitariam o uso caseiro de computadores, a partir de 1973.

M. Francis Portela