Urina torna baterias mais baratas

M. Francis Portela
Investigador

Subprodutos de processos químicos, aconteçam eles na natureza ou num processo industrial, também podem ter utilidade. É o caso da levedura, resultado do processo de fermentação que resulta no álcool, da palha, sobra da produção de cereais, ou do asfalto, restos da refinação de petróleo. Um subproduto do processo metabólico dos mamíferos, a urina, também tem utilidade, já que o seu principal componente, a ureia, já tem muitas aplicações industriais e agora também vai poder ser usada em baterias elétricas.

A ureia resulta da combinação de duas moléculas de amoníaco com uma molécula de dióxido de carbono, que no estado natural assume um estado sólido, mas facilmente solúvel em água. É a forma como um organismo expele azoto em excesso, e a sua principal função, na natureza, é como “ferramenta” para bactérias auxiliarem a fertilização dos solos para exploração agrícola. A nível industrial, já é usada em explosivos, resinas, produtos dermatológicos e nos catalizadores de motores Diesel dos automóveis.

Agora, a Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, está a estudar a possibilidade de utilizar a ureia como componente para reduzir os custos de produção das baterias elétricas de iões de alumínio, de acordo com um estudo publicado publicado no PNAS, jornal da Academia de Ciências dos Estados Unidos.

Esta é uma evolução da atual bateria de iões de alumínio também desenvolvida em Stanford. A ureia vem substituir um composto chamado EMIC, um líquido iónico que era usado como eletrólito, mas que é demasiado caro para este tipo de aplicações. O eletrólito serve para separar os dois elétrodos (de alumínio e grafite) servindo ao mesmo tempo como condutor.

Embora a sua capacidade de armazenamento seja metade da de uma bateria de iões de lítio, tem a vantagem de não ser inflamável, pode ser carregada mais rapidamente e tem uma vida potencial mais longa. A outra grande vantagem é que a ureia é um componente que custa um centésimo do EMIC, contribuindo para um preço bastante reduzido do produto final. E como é produzida de forma natural, vai de encontro aos objetivos da equipa de Stanford, de criar uma bateria que funcione primariamente através de energias renováveis, como a solar.