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Nesta ‘cidade-fantasma’ só andam veículos autónomos

Num esforço relevante, a Universidade do Michigan criou uma ‘cidade-fantasma’ para que os sistemas de condução autónoma possam ser testados e desenvolvidos em condições que replicam, com grande fidelidade, o ambiente urbano real.

A MCity é o resultado de cerca de dez milhões de euros de investimento por parte daquela instituição, contando com muitas das características reais que se podem encontrar nas grandes urbes. De acordo com a universidade do Michigan, esta cidade fictícia tem por objetivo promover os testes de veículos autónomos de forma segura e sem colocar em risco a integridade de condutores ou de peões. Aliás, aos peões apenas está reservada a berma, longe da faixa de rodagem.

Mas isso não significa que os mesmos estejam fora da equação. Os peões existentes são fabricados em laboratório na Universidade do Michigan, na forma de robôs, que têm como missão saltar ‘ao caminho’ dos autónomos, de forma mais ou menos inesperada.

Nesta ‘cidade-fantasma’, os autónomos terão de lidar com múltiplas faixas, cruzamentos com sinalização semafórica (11 no total), sinais de limite de velocidade e de perigos diversos, rotundas, lugares de estacionamento, estradas restritas, vários tipos de piso para avaliar a adaptabilidade do veículo, passagens de nível e um breve troço de autoestrada com vias de aceleração e de desaceleração. O nível de realismo atinge um nível elevado com a existência, até, de sinais de trânsito vandalizados por graffitis e marcações de asfalto apagadas.

Numa nova etapa de desenvolvimento, a Universidade do Michigan anunciou, igualmente, que irá disponibilizar aos pesquisadores que o desejem uma série de veículos para testes de novas tecnologias autónomas. Estes veículos, conhecidos como Connected and Autonomous Vehicles (CAV) estão equipados com sensores que incluem câmaras e radares, de acordo com as informações providenciadas pela própria instituição.

Mais adiante, será adicionada uma plataforma de desenvolvimento aberta para a comunicação entre os veículos conectados. Note-se, ainda, que o centro de desenvolvimento da UM é uma associação público-privada, composta por mais de 60 parceiros da indústria.

Evolução mais rápida

Para Jessy Grizzle, diretor de Robótica e professor de engenharia da Universidade do Michigan, “os carros são muito caros e difíceis de manter” por apenas uma entidade, mas “ em vez de manter um carro apenas para verificar a sua área de especialidade, os pesquisadores podem utilizar o carro com parceiros e realizar os seus sonhos.”

O primeiro CAV disponibilizado é um Lincoln MKZ, com plataforma de autonomia PolySync, que fornece a base para desenvolvimento rápido de veículos autónomos. Dois Kia Soul serão adicionados em breve à frota, recebendo esses dois últimos o novo kit PolySync Open Source, que permite o controlo completo “drive by-wire” (introduzido pela empresa Automobility LA).

Do um ponto de vista da investigação, adianta ainda a Universidade do Michigan, os CAV abertos são completamente personalizáveis, citando Huei Peng, professor de Engenharia Mecânica: “Os pesquisadores podem trazer o seu próprio hardware e trocar qualquer sensor que deseje. Ou podem criar controlos avançados para tirar proveito de várias tecnologias de sensores que já estão nos veículos. Além disso, é possível explorar como essas tecnologias funcionam ‘na vida real’ dentro da MCity”.

Pedro Junceiro

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