A tecnologia de acesso e arranque sem necessidade de aceder à chave revela-se bastante útil para os condutores e proprietários que assim podem simplesmente deixar a chave no bolso para entrarem nos seus carros e darem ordem de ignição ao motor. Contudo, tal como tem sido demonstrado ultimamente, é também uma tecnologia com falhas nalguns casos, permitindo que ladrões assaltem ou roubem mesmo o carro aproveitando as lacunas do sistema.
Isso mesmo foi comprovado num estudo recente publicado pela plataforma britânica What Car?, que colocou em teste sete modelos de marcas distintas, procurando saber qual o nível de segurança oferecido por estes sistemas de acesso modernos. Os resultados, explica aquela revista, são alarmantes, com muitos carros a serem ‘invadidos’ sem danos e levados em questão de segundos.
Como funciona o sistema e porque é ‘enganado’?
O sistema denominado usualmente como ‘keyless entry’ ou acesso sem chave (que também permite ignição sem inserção de chave no canhão) recorre a uma chave ou cartão que emite um sinal ou código(s) para um recetor no veículo e que desbloqueia as portas e o imobilizador do motor. Porém, recorrendo a instrumentos avançados, o mesmo código pode ser captado por instrumentos digitais utilizados pelos criminosos, replicando-o depois de forma ilícita junto ao carro para ganhar acesso ao seu interior.
Os fabricantes procuram, ao mesmo tempo, tornar os seus sistemas mais seguros e impenetráveis, por exemplo, ‘adormecendo’ os códigos emitidos pela chave assim que detetam alguns segundos de imobilização. Esse sistema de deteção de movimento mantém a chave ativa por exemplo quando no bolso das calças ou do casaco, mas ‘adormece-a’ quando imobilizada.
Exemplos disso, de acordo com a What Car?, que convidou dois especialistas em segurança automóvel a tentarem entrar nos sete modelos sem causar danos, são alguns dos carros testados, que em apenas dez segundos não só foram ‘invadidos’, como também levados. O Audi TT RS, por exemplo, foi roubado em apenas dez segundos (quando a chave estava ativa e não ‘adormecida’), o mesmo tempo que o DS3 Crossback demorou a ser levado por estes meliantes ‘combinados’.
Numa nota adicional, sempre que a chave adotava um comportamento ‘adormecido’, não emitindo sinais passíveis de replicação, a tarefa de roubo do veículo mostrou-se impossível. Este sistema é utilizado por marcas como a Audi, BMW ou Mercedes-Benz, enquanto a Jaguar Land Rover recorre a tecnologia com ondas de rádio de espetro bastante largo para que não consigam ser replicadas. Aliás, essa é a razão apontada para que o Land Rover Discovery testado tenha sido o único a não ser levado.
Resultados preocupantes
No teste, os especialistas usaram método tecnológico de replicação de sinais da chave por cinco vezes e arrombamento da fechadura por duas. A What Car? aponta, assim, que foi 90% mais rápido roubar um carro com sistema ‘keyless’ do que um carro com sistema convencional de fechadura e ignição: dez segundos contra os cerca de dois minutos e meio nos carros mais antigos.

