Alguma vez recebeu um aviso do concessionário onde comprou o automóvel de que havia um potencial problema com o seu carro, e que precisava de ir ao mecânico oficial da marca para o arranjar? E alguma vez encolheu os ombros e deixou ficar tudo na mesma? Esse foi o seu erro, pois o que aconteceu na fotografia pode mesmo acontecer ao seu carro. E não é exagero, pois uma pessoa que ignorou 10 avisos de recall da marca acabou por ver o seu carro arder e pegar fogo a centenas de carros à sua volta.

Foi em setembro de 2015 que o MV Courage, um navio de transporte de veículos, de viagem da Alemanha para os Estados Unidos, teve que aportar em Southampton, na Inglaterra, depois de um incêndio ter consumido os 1165 automóveis que transportava. O navio também sofreu danos internos, e embora tenha conseguido navegar até chegar ao porto britânico, os danos foram tais que o navio teve que ser ser desmantelado.

Os danos foram avaliados em cerca de 100 milhões de dólares (cerca de 85 milhões de euros), e foi a partir daí que tudo se complicou. O relatório do incidente descreveu a origem do incêndio num Ford privado, usado por uma funcionária civil numa base aérea americana na Alemanha. Sem conhecido dos avisos de recall, esta funcionária não resolveu um problema num selo do lubrificante dos travões, que corria o risco de interferir com a eletrónica.

Como se esperava, o apuro das responsabilidades seguiu para contencioso, com a Ford (acusada de não avisar a proprietária do carro), a BMW e a Mercedes (cujos tinha algumas centenas de automóveis novos e por matricular no transporte) envolvidas. O problema é que, quando há um aviso de recall, muitos membros do público simplesmente ignoram as instruções da marca (apesar destes arranjos não terem custos para o condutor), e a resposta das marcas é encolher os ombros. Afinal, não podem obrigar os seus clientes a deslocarem-se à oficina.

Nos Estados Unidos, estima-se que 30 por cento dos avisos de recall são ignorados. Nova legislação poderia obrigar as marcas a ser mais ativas a forçar os seus clientes a se deslocarem às oficinas quando se encontram estes problemas. Ou outro incidente de 100 milhões poderá acontecer num futuro próximo.