Aconteceu um acidente e a culpa é sua. Não faz mal, o seguro trata de tudo. Depois, o prémio do seu seguro aumenta, mas isso é natural. E depois nunca mais precisa de ver a outra pessoa envolvida, nem se preocupa em saber quem é. Mas talvez devesse preocupar-se. Afinal, é possível que a “vítima” do “acidente” causado por si o tenha enganado.

De acordo com a Agência Portuguesa de Seguros, os sinistros suspeitos correspondem a uma perda de 160 milhões de euros para as seguradoras. E estas perdas são recuperadas com aumento de custos para os clientes. O número de fraudes de seguros tem aumentado progressivamente nos últimos anos, com 13 por cento das burlas a corresponderem a acidentes de trânsito simulados.

Uma indústria criminosa está por trás destas burlas, onde condutores descritos como “kamikaze” são pagos até 2000 euros para provocar acidentes. Depois, elementos já avariados ou danificados antes do acidente são incluídos no relatório de danos. Os beneficiários destes esquemas podem envolver stands, oficinas e centros de inspeção, e a vítima enganada geralmente não nota porque são as seguradoras que sofrem as perdas, mas o aumento generalizado de custos é repartido por todos os segurados. Apenas 13 por cento dos esquemas de fraude são descobertos.