Seattle: Um museu com os Nirvana e a moto do Easy Rider

Francisco Sande e Castro
Francisco Sande e Castro
Jornalista e Escritor

Em Seattle instalei-me num simpático hostel, no centro da cidade, onde fiquei duas noites.

Durante o dia que ali estive fui, acompanhado de uma brasileira que conheci no Hostel, visitar primeiro o Mercado Local e depois o Museu do Ouro, que retrata a busca desenfreada de ouro que ocorreu no Alasca, no final do século XIX, quando um americano ali foi parar e descobriu, casualmente, ouro no rio Klondike.

Mais de 100 mil pessoas vieram, eufóricas, para a região enfrentando os rígidos invernos desta zona do globo à procura de ouro. Muitos morreram na pesquisa e poucos enriqueceram, mas acabaram por construir cidades que ainda perduram.

Almoçámos uma sopa de marisco fantástica, servida dentro de um pão grande, no famoso Pike Place Chowder e, da parte da tarde, visitámos o EMP museum com exposições dedicadas não só a vários trajes que marcaram filmes como o “Harry Potter”, “O Feiticeiro de Oz” ou o “Easy Rider”, com a exposição da Harley utilizada por Peter Fonda, mas também aos heróis locais ligados à música. Jimmy Hendrix e os Nirvana nasceram em Seattle e tanto ele como o grupo tinham salas que expunham fases da sua vida e obra. A Carol, fascinada pelos Nirvana, tinha vindo a Seattle só para ver aquela exposição e foi difícil fazê-la abandonar o local.

Uma fantástica montagem do artista Trimpin, com nada menos que setecentas guitarras presas umas às outras, estava exposta em destaque no Hall central.

No dia seguinte, pelas 11 horas parti em direção a Oriente. O meu próximo destino é Eden, no Utah, onde vou visitar um amigo mas, tendo verificado o tempo para os próximos dias na zona, cheguei à conclusão que talvez pudesse passar por Yellowstone, sem apanhar neve no trajeto.

Quando estava a arrumar as coisas na moto à porta do hostel veio um homem ter comigo a fazer perguntas sobre a moto e de onde eu tinha vindo. Só percebi que era uma Testemunha de Jeová quando voltou atrás ter com as mulheres que o acompanhavam e regressou com uma Bíblia em português para me entregar. Já vi que tenho uma enorme tendência, não sei porque razão, para atrair pessoas religiosas. Agradeci-lhe mas disse-lhe que não desperdiçasse um livro porque eu era ateu. Fez uma cara triste e explicou-me, ao contrário do americano da Harley que tinha encontrado em Death Valley, que o inferno não existe. Achei muito mais simpática esta teoria. Despedi-me e arranquei.

Saí de Seattle debaixo de chuva miudinha mas consistente para, ao subir a primeira serra, passar a muito forte. A agravar a situação a temperatura, que estava em cerca de 14º na cidade, desceu para sete. O fato tem aguentado bem sem deixar passar água e mesmo do frio também protege mas mãos e pés ficam ensopados e regelados.

A cola que pus nas solas das botas pelos vistos não surtiu grande efeito e com chuvadas fortes deixa passar água, o que não acontecia quando eram novas, há cinco anos atrás, no início da viagem. As luvas que uso agora são o terceiro par, foram compradas no Japão e são de verão pelo que não são impermeáveis. Assim, acabei por parar várias vezes em estacionamentos onde, nas casas de banho públicas, aquecia as mãos nos sopradores de secar as mãos.

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*Francisco Sande e Castro está a dar a volta ao mundo de moto e M24 publica o seu diário de bordo. Acompanhe-o nesta grande aventura

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