Aprilia Dorsoduro: A irreverência da juventude

Quando se é jovem tudo serve de pretexto para andar ainda mais de moto, até simples desculpas como: “Mãe, precisas que vá comprar pão?”. Entretanto, vai-se ficando mais velho, mas o “bichinho” continua. Quem fuma diz que vai comprar cigarros só para poder rolar mais uns minutos. Facilmente nos lembramos da “escola” que foram nos anos 1990, as Yamaha Dtr 125, Xt 350, Xt 600 para a maioria dos jovens, com algum saudosismo.

Andar na Aprilia Dorsoduro 900 relembra, precisamente, as sensações que se tinha ao andar nessas motos. Mas, passadas duas décadas, há um conjunto de inovações tecnológicas que permitem utilizar a Dorsoduro de forma divertida, mas em segurança. Com o um motor bicilíndrico em V a 90°, com 896cc e 95cv, temos a garantia de que nunca nos iremos aborrecer.

A experiência a andar é o que se espera de uma moto com a ciclística de uma supermoto: razoavelmente confortável do alto do seu banco estreito, permitindo uma boa leitura do trânsito à nossa frente. O “cérebro” emprestado das “manas” RSV que controla os mapas de ignição, coloca à disposição três modos de condução: sport, touring e rain, sendo neste último a potência cortada para 70cv, permitindo uma condução sem percalços à chuva.

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Temos ainda três níveis de controlo de tracção que pode ser desligado. Todas as configurações são ajustáveis no ecrã TFT a cores (que pode ter bluetooth como opção), permitindo emparelhar com o smartphone. Os travões da frente com pinças de quatro pistões provaram estar à altura das exigências de uma moto com estas características, e o ABS pode ser desligado. Embora firmes, as suspensões são suficientemente confortáveis para o dia-a-dia, entre casa e o trabalho. Infelizmente, devido à pequena capacidade do depósito de combustível (12 litros), temos de parar em postos de abastecimento com alguma regularidade, mais ou menos a cada 200 km.

Não sendo uma moto difícil de guiar, a Dorsoduro não será a mais indicada para motociclistas inexperientes. Requer já alguma “escola” para se tirar partido da diversão que proporciona. Para os jovens que gostam de motos, essa “escola” aprende-se aproveitando todos o pretextos para andar muito de moto. Em todas as condições possíveis.

Mais: estética, fator diversão, sonoridade do escape

Menos: calor do escape no banco, autonomia

O capacete utilizado no ensaio foi um Nexx XR2 Acidhttp://nexx-helmets.com/

FICHA TÉCNICA
Motor: bicilíndrico em V a 90°, com 896cc
Potência: 95cv
Caixa: 6 velocidades
Suspensão frente: forquilha invertida com 160mm de curso totalmente ajustável Suspensão traseira: amortecedor com 160mm de curso com afinação de pré carga Travões frente: disco de 320mm com pinças radiais de quatro pistões
Travão traseiro: disco de 240mm com uma pinça
Peso: 200kg
Depósito: 12 litros
Preço: a partir de 10.455 euros

Fotos: Armando Oliveira

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