“Pilhas”, o bom da fita

Batemos novo recorde em termos de gestão de energia e baixamos a média para 13,1 kWa por cada 100 km. O mais interessante é que esta poupança de “combustível” teve como cenário as autoestradas alemãs, onde os bólides passam por nós a mais de 250 km/h. Partilhamos a faixa mais à direita com os peso-pesados, utilizando a faixa do meio para os ultrapassar. A nossa média mantém-se inalterável: cumprir os limites de velocidade na estradas nacionais e raramente passar dos 110 km/h nas autoestradas, com excepção nas ultrapassagens que temos que ganhar “peito” porque o limite de velocidade é de 130 para os ligeiros e 110 km/h para os pesados ( e continua haver autoestradas sem limite de velocidade). De vez em quando, lá recebemos uma carinhosa buzinadela de um T.I.R. português a desejar-nos boa viagem.

A propósito, há dias, quando paramos na Área de Serviço de Tours Norte, ainda em França, parecia que estávamos no Portugal dos Pequeninos. Só se falava português. O supermercado só tinha produtos portugueses, incluindo as “mines” e o fiel amigo bacalhau. Sempre achei engraçado que o prato nacional português, o bacalhau, que nos orgulhamos de confecionar de 1001 maneiras, seja oriundo de paragens distantes a mais de 12.000 km da nossa terra. Mas não é de estranhar, pois os croissants também foram inventados pelos turcos e são os franceses que usufruem da patente.

E foi nesta Área de Serviço que tomamos consciência da essência da nossa viagem. Um português de Alfândega da Fé, perguntou-me repetidamente: “Mas vocês vão nisto até à Noruega? mas vocês vieram nisto desde Portugal? Alguns quiseram fazer fotografias connosco, com o Soul EV e até ouvimos alguém dizer, à distância: “isto há cada maluco…”

De facto, as pessoas que nos observam concentram todas as atenções no Soul EV mas, o “Pilhas” como carinhosamente chamamos ao nosso Soul EV , não é o mau da fita. Antes pelo contrário, é o “rapaz”, é o bom da fita. Impressiona-me pela positiva, o conforto, a segurança, o espaço, o design interior… pela negativa, fico chocado,, com a falta de infraestruturas para apoiar os carros elétricos. Quer ao nível de postos de abastecimento, quer a nível de organização. Na Europa, o carregamento de um automóvel elétrico não é, digamos, um gesto universal; e devia. Na Bélgica e na Holanda não conseguimos carregar o “Pilhas”. Na Bélgica, por exemplo, só conseguíamos carregar as baterias se tivéssemos uma conta bancária, num banco belga, associado à app da empresa exploradora. Na Holanda, a instruções da máquinas estavam exclusivamente em holandês (ou neerlandês) , um cocktail com uma parte de inglês e três partes de alemão. Nem gramaticalmente tão simples como a primeira, e nem tão desesperadamente tão difícil como a segundo. Como todos sabem o holandês não é um idioma, é uma doença de garganta.