Ni Amorim e a ação da FPAK: «Temos feito um bom trabalho»

24/08/2019

Ni Amorim preside aos destinos da FPAK desde junho de 2017 (Foto Zoommotorsport/António Silva)
Ni Amorim, presidente da FPAK (Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting) analisa o trabalho daquela entidade e destaca a melhoria na área da comunicação e da divulgação, com o dobro de horas de televisão; o fim da hipoteca e a modernização das instalações; os investimentos em vários domínios, incluindo um sistema tipo VAR para o Karting; novos campeonatos e um calendário com 400 provas; enaltece a valia dos ralis e admite uma competição ibérica para o Todo-o-Terreno, na sequência do bom relacionamento com a congénere espanhola.

Motor 24 (M24) — Qual o balanço que faz da ação federativa nestes dois últimos anos?

— Creio que temos feito um bom trabalho, sobretudo em algumas áreas que nos pareciam importantes e em que a FPAK tinha de melhorar.

Na área da comunicação, houve um incremento muito grande, de 2018 para 2019, na divulgação do automobilismo em Portugal. Só para que se tenha uma ideia, em dois canais – Eurosport e Porto Canal – conseguimos mais de 47 horas de televisão no primeiro quadrimestre deste ano. Foram dados fornecidos pela mesma empresa que há 20 anos faz este trabalho em termos de quantificação do retorno. Duplicámos e isso é muito importante. Aliás, no início do ano, reunimos, em Lisboa, com sete marcas automóvel para saber o que esperavam da FPAK e vice-versa e o ponto forte apontado era a comunicação. Um trabalho que está a ser conseguido com êxito.

Em julho passou a funcionar o novo site, com outras funcionalidades e logo a seguir foi lançada uma aplicação a que os clubes e os pilotos têm acesso, na prova em que estão inscritos, a toda uma série de informações acerca dessa mesma prova.

É um passo de gigante e que está dar frutos e uma forma de combater muita maldade e mentiras que se dizem nas redes sociais, por má-fé e ignorância. No horizonte, está ainda a criação de um portal de informação, de uma newsletter em que vamos dizer o que se passa.

Conseguimos também novos campeonatos – Drift, Drag Racing, Perícias/Slalom e Trial 4×4. Temos um calendário com 400 provas, uma verdadeira loucura, o que gerou também aumento muito significativo do número de licenciados, mais de 6 000 até início de junho, o que deixa supor que vai ser ultrapassado, e em muito, o total de 7 000 registado sem 2018.

Para Ni Amorim, «a recuperação económica foi mais rápida do que se estava à espera» (Foto Zoommotorsport/António Silva)

M24 — No plano financeiro, como está a situação da FPAK?

— Fizemos um trabalho brilhante. As instalações de Lisboa e de Matosinhos (ndr: delegação norte) deixaram de estar hipotecadas à Fazenda Pública e aos bancos. O que também é motivo de orgulho. A recuperação económica foi mais rápida do que se estava à espera, porque conseguimos um conjunto de receitas extraordinárias e assim amortizámos o passivo e fizemos investimentos – cerca de 150 mil euros — nas instalações, que estavam obsoletas, sem ter de recorrer à verba das licenças.

Foi a primeira vez nos últimos anos, e é importante frisá-lo, que não se aumentou um euro às licenças e às taxas, apesar do preço do seguro de acidentes pessoais ter aumentado. Suportámos esse agravamento, para cumprir promessa feita na Assembleia Geral de novembro passado.

M24 — Em que ponto está o relacionamento com a FIA?

— Estamos muito bem vistos na FIA. Recuperou-se o prestígio junto da entidade federativa mundial e temos boas contas com a FIA e contribuído para essa imagem positiva.

Recordo que se realizou no Porto, durante dois dias, um seminário internacional, com a presença do secretário-geral da FIA, em que se discutiram temas de interesse mundial na área da segurança. Aliás, foi muito importante que este seminário tenha decorrido em Portugal

Noutro plano, estamos a tentar tudo para manter as provas internacionais que temos e se tudo correr como o previsto, vamos conseguir.

M24 — Qual a situação dos Campeonatos?

O Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) é muito forte; aliás, a própria FIA reconhece a valia e já referiu por várias vezes que é melhor e mais forte que o de França e de Itália.
O Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) é a joia da coroa do automobilismo nacional. Na foto, o atual líder do CPR, Ricardo Teodósio (Skoda)

No Todo-o-Terreno, o parque automóvel é muito superior ao de Espanha. É certo que a anulação de uma prova (ndr: Baja Rota do Douro Verde) foi uma machadada no campeonato e o clube (ndr: GAS) suspenso de organizar provas de TT.

Um campeonato ibérico seria solução interessante, mas temos de aprofundar o assunto, pois pode acarretar aumento de custos. Vamos certamente encontrar uma solução em sede de comissão de Todo-o-Terreno.

O presidente da FPAK vê com bons olhos a criação de um campeonato ibério de todo-o-terreno. Na foto, Alexandre Ré, líder do CPTT

O TCR Ibérico, na velocidade, tem dado contributo para que o Open tenha mais carros e é um bom exemplo. Reuni cinco vezes com o presidente da federação espanhola para em colaboração com a federação galega, fazermos um rali no norte e também no sentido desta entidade organizar provas no circuito de Montalegre. Todavia, houve um volte-face, uma vez que a federação espanhola pretende cobrar sobretaxas à federação galega e esta não está disposta a pagar. Pela nossa parte, FPAK, não queremos um euros mais que seja em relação às taxas nacionais.

Na Montanha, temos mais de quarenta carros em cada rampa: no Off-Road subiu bastante o número de participantes e houve investimentos apreciáveis.

No Campeonato de Portugal de Montanha o número de participantes tem sido significativo. Na foto, João Fonseca SilcerCar EF10) dominador da época em curso

Nos campeonatos da Madeira houve uma subida muito grande do número de inscritos, em particular nas rampas, que têm um regulamento específico, e os ralis possuem um parque automóvel muito bom. Os ralis, com mais de trinta carro, são muito disputados, com diferenças mínimas entre os primeiros.

Nos Açores, o panorama é estável.

O ralicrosse nacional atravessa, segundo o presidente da FPAK, um bom momento

O Karting está muito bem, com mais de uma centena de inscritos por prova.

Introduzimos no karting uma espécie de VAR, um sistema de televisão em circuito fechado, que permite ao Colégio de Comissários Desportivos tomar decisões em factos reais. Vai dar mais verdade desportiva ao karting. É uma inovação em Portugal e representa investimento de alguns milhares de euros.

Fomos sensíveis aos pedidos dos comissários técnicos e resolvemos entregar individualmente uma mala com todas as ferramentas, máquinas para a aferir as pressões de turbo e utensílios para que exerçam a sua função, nomeadamente no CPR e campeonatos da Madeira e dos Açores, com todas as condições.

No domínio do fomento e do apoio, ao nível do karting, proporcionámos uma época na Kia Picanto GT Cup para o vencedor da categoria Shifter e a participação da jovem Matilde Fidalgo em duas provas do campeonato de karting para preparar a presença nas finais FIA. Para atentar chegar o mais longe possível.

Estamos atentos às recomendações da FIA no que diz respeito ao desporto no feminino.

M24 — A FPAK olha já para o futuro?

— Nessa perspetiva, vamos inovar com a criação de um grupo de reflexão do automobilismo para os próximos dez anos, independentemente da direção que vier a seguir. Não podemos gerir a FPAK ano a ano. Temos de ter um plano estratégico.