Ni Amorim: “Uma das estratégias da FPAK é não estar de costas voltadas para Espanha”

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

O lançamento da nova competição ibérica Peugeot Rally Cup irá colocar os pilotos de ralis em contenda nalgumas das principais provas dos campeonatos de Portugal e de Espanha, além do aliciante de ter duas provas inscritas no Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), nomeadamente Portugal, já dentro de duas semanas, e Catalunha/Espanha.

Para a concretização deste projeto, a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) teve um papel de grande responsabilidade ao agilizar e coordenar a interação com a sua congénere espanhola, a Real Federação Espanhola de Automobilismo (RFEDA), para que ambas conseguissem colocar de pé um calendário equitativo em termos de composição das suas provas (três em Portugal e três em Espanha).

Ni Amorim, Presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), explicou em declarações exclusivas ao Motor24 que este “é um projeto no qual a Federação se empenhou desde o início. Em janeiro tive uma reunião com o presidente da federação espanhola no sentido de que os dois países conseguissem viabilizar esta competição. Tudo o que eram competições ibéricas tinham normalmente, se fossem seis provas, cinco de um lado e uma do outro e isso não era propriamente o espírito ibérico. Mas, desta vez, graças ao diálogo e à persistência, conseguimos criar uma verdadeira copa ibérica e penso que isto pode ser o pontapé de saída para outras competições porque uma das estratégias que temos na FPAK é que não devemos estar de costas voltadas para Espanha. Acho que em conjunto podemos fazer coisas interessantes e é isso que vamos tentar”.

O responsável máximo da federação lusa garantiu que este é “um projeto muito bem visto pela FPAK” e que pelo lado positivo significa que “é mais uma marca que chega com um envolvimento oficial, digamos assim, ao campeonato. Outras chegaram nos últimos meses e isto deixa-nos muito satisfeitos. As marcas trazem sempre associadas os seus gabinetes de comunicação e fala-se mais de automóveis, de forma geral. Naturalmente, é importantíssimo para nós”.

O esforço combinado entre as duas federações para o estabelecimento desta competição ibérica por parte da Peugeot, que irá utilizar os modelos 208 R2 com motor 1.6 de 185 CV de potência e um custo em redor dos 60 mil euros (sem IVA). Sendo um carro de grande sucesso com mais de 400 unidades já vendidas a nível global, a Peugeot Rally Cup Ibérica é também uma forma de tornar o automobilismo mais forte a nível da Península Ibérica “aproveitando as sinergias entre os dois países e também o facto de este troféu ir a duas provas do Campeonato do Mundo, em Portugal e Espanha, o que é muito importante, dá uma visibilidade internacional não só a nível ibérico e acho que é de fundamental importância sobretudo para a marca”.

A apresentação da nova competição teve lugar na Marina de Cascais, com direito a um breve co-drive ao lado de Francisco Abreu e de Rafael Lobato.

“Na FPAK, apostamos em ir ajustando as coisas para que as marcas se mantenham e esperamos que atrás destas últimas que entraram venham mais. Era esse o nosso objetivo. Com a experiencia como ex-piloto, acredito muito que, em conjunto com as marcas, conseguimos dar a volta ao automobilismo para melhor”, acrescentou Ni Amorim, cujo trabalho passou muito pela operacionalização logística do evento e pelo diálogo com a federação espanhola.