Organizado pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) desde 2004, o Passeio dos Ingleses voltou a afirmar-se como um dos maiores e melhores eventos do género na Europa, levando 265 automóveis de fabrico britânico a percorrer algumas das mais belas estradas de Portugal continental.

A 20.ª edição do Passeio dos Ingleses bateu recordes de participação em Lisboa e teve também um lote riquíssimo de automóveis britânicos no Porto, reforçando o caráter único do evento do ACP. A concentração de máquinas e participantes no Parque Eduardo VII, na capital portuguesa, e na Foz do Douro, no Porto, foi uma oportunidade única para milhares de pessoas admirarem relíquias da indústria automóvel britânica, de marcas como a Bentley, Jaguar, MG, Rolls-Royce, Triumph, Morgan, Lotus, Aston Martin, Mini, Ford, Riley, Land Rover ou Austin-Healey, só para citar as mais representadas.

Um espírito bem visível num MG J2 com quase um século de história, fabricado no início da década de 1930, que encabeçou a zona de partida no Porto. “Este MG é considerado o primeiro desportivo inglês acessível e esteve sempre em Portugal, o que é raro nestes carros”, revelou o proprietário, Pedro Filipe, que, em conjunto com a namorada, tem uma coleção com mais de 60 automóveis clássicos e de competição, alguns deles já com o ‘carimbo’ do Passeio dos Ingleses. “O carro é muito divertido de conduzir. Apesar de ter um motor de apenas 847cc, anda que se farta! E se avariar alguma coisa, é só abrir o capô e resolve-se quase tudo, ao contrário dos carros modernos em que abrimos o capô, voltamos a fechar e chamamos o reboque do ACP!”, brincou. Participante habitual de eventos de Clássicos no estrangeiro, Pedro Filipe afirma que “este Passeio está ao nível do melhor que se faz lá fora. Já participei várias vezes, sempre com carros diferentes, e a organização é sempre excelente. O ano passado estive aqui com um Jaguar Mk9”, referiu o colecionador portuense, que levou o MG com mais de 90 anos à vitória na classe na prova de Regularidade.

Dos encantos do Vouga às planícies do Alentejo

O percurso e as atividades escolhidas pela equipa do ACP voltaram a receber elogios dos participantes, onde se contavam várias famílias e diferentes gerações. Em Lisboa, os participantes partiram rumo ao Alentejo e ao Convento do Espinheiro, em Évora, o local do almoço final. A meio do percurso, os participantes dividiram-se em Grupo Desportivo e Grupo Turístico, seguindo itinerários próprios: o Grupo Turístico visitou a pitoresca fauna do Monte Selvagem, no Lavre, enquanto o Grupo Desportivo disputou uma prova de Regularidade no Kartódromo de Évora.

No Porto, os participantes partiram sob as palmeiras do Jardim do Passeio Alegre, na Foz, em direção à região da Bairrada e à Quinta do Encontro, em Anadia. A meio do percurso, o Grupo Turístico visitou o interessante espólio do Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga, enquanto o Grupo Desportivo rumou ao centro da cidade de Anadia, para uma Regularidade. O Museu do Vinho da Bairrada também foi paragem obrigatória.