Rali Vidreiro/Centro de Portugal: Armindo Araújo soma e segue

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A dupla Armindo Araújo/Luís Ramalho (Hyundai i20) manteve a trajetória vitoriosa no Campeonato de Portugal e somou a terceira vitória consecutiva ao impor-se, sem reticências, no Rali Vidreiro/Centro de Portugal. Um triunfo que teve dedicatória especial.

A prova do Clube Automóvel da Marinha Grande ficou marcada pelo gravíssimo acidente sofrido por Carlos Vieira, logo no início da classificativa – cerca do Km 1,5 – de abertura: o Hyundai i20 do atual campeão nacional saiu de estrada numa zona muito rápida do troço de S. Pedro de Moel e embateu, lateralmente, do lado do piloto, numa árvore. O navegador Jorge Carvalho saiu pelo próprio pé do carro, mas o piloto teve de ser desencarcerado e estabilizado no local, antes de ser conduzido ao hospital de Santo André, em Leiria.

Mais tarde, Carlos Vieira foi transferido, após ter sido analisada cuidadosamente a forma de transporte, para o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, acompanhado por um cirurgião. Nesta unidade hospitalar, foi submetido, com sucesso, a melindrosa operação cirúrgica à artéria aorta, A recuperação vai, no entanto, ser bastante morosa, uma vez que o piloto sofreu ainda vários traumatismos e fraturas. Entretanto, Jorge Carvalho teve alta hospitalar. De referir, a rapidez, eficácia e muito cuidada atuação dos meios de socorro no local do acidente.

Pedro Meireles foi o primeiro piloto a passar no locar após o acidente e, o cenário com que deparou, marcou o piloto do Skoda Fabia para todo o rali: «Só quem viu a situação. A partir desse momento, não me senti bem dentro do carro. Foi, em termos emocionais, o rali mais duro que fiz até hoje», confessou ao MOTOR 24 o piloto vimaranense.

Na sequência da interrupção do troço, foi atribuído a todos os concorrentes o tempo averbado por Miguel Barbosa, que perdera 1,0 segundo para Armindo Araújo, cuja média na classificativa foi de 110,64 km/hora! O piloto do Hyundai não mais largou a liderança, construindo com eficácia e sem erros um triunfo autoritário: venceu sete das 10 classificativas e foi gradualmente aumentando a vantagem, perante uma oposição que cometer erros na escolha de pneus e nunca mostrou possuir antídoto para impedir o brilharete do piloto de Santo Tirso na hora do regresso ao asfalto num rali que, em termos globais não teve história, foi mesmo algo entediante na derradeira secção.

O Clube Automóvel da Marinha Grande primou por cuidada organização: sinalética pormenorizada e eficaz; boa montagem de controlos e adequado policiamento. Nota menos para o público, em número mais reduzido em relação ao habitual Para Armindo, mais importante que o passo dado no sentido da conquista do título, objetivo que ficou muito mais perto, foi a certeza da competitividade do Hyundai neste tipo de piso. «Temos trabalhado bem, fizemos dois dias de testes e o kit de asfalto mostrou logo estar mais perto de uma boa base para competir. Na terra, o carro deu mais trabalho e foi necessário fazer muitos quilómetros», revelou Armindo Araújo no final de um rali que «correu bem. Controlámos, não cometemos erros e não tivemos qualquer problema. O Hyundai foi um bom aliado», sublinhou o vencedor, que sublinhou: «Em termos de equipa não foi tão bom. Estamos tristes e aproveito para dedicar esta vitória ao Carlos Vieira».

 

Ricardo Teodósio em destaque

Estreia deveras positiva com o Skoda Fabia da ARC Sport no asfalto teve Ricardo Teodósio. Rápido e espetacular, «sempre a atacar», como é seu timbre, o piloto do Algarve teve problemas com a válvula pop off no 1.º dia, mas venceu uma classificativa e terminou no 2.º lugar. «Andei o que podia e só foi pena não termos levado os pneus adequados, pois choveu na segunda parte do último dia», referiu Ricardo Teodósio, grato à equipa e com uma palavra para Carlos Vieira: «Esperemos que volte depressa para esta nossa guerra. Ele faz falta».

Ricardo Teodósio teve estreia positiva no asfalto com o Skoda Fabia

Com um «resultado melhor que tudo o resto», Pedro Meireles completou o pódio no final de um rali em que foi desastrada a opção pela afinação de chuva.

Pedro Meireles (Skoda Fabia) completou o pódio

Alias, um erro idêntico ao cometido por José Pedro Fontes, que voltou a utilizar o Citroen DS3. Um pião no primeiro dia e má escolha de pneus na última etapa — as previsões de chuva não se confirmaram e só caíram alguns aguaceiros — deitaram tudo a perder. O piloto mostrou-se ainda pouco satisfeito com o rendimento do motor.

José Pedro Fontes (4.º lugar) voltou a apostar no Citroën DS3 mas debateu-se com vários contratempos

Para Adruzilo Lopes, o regresso à competição com o Porsche 997 GT3 foi auspicioso: 5.º lugar absoluto, triunfo na última classificativa e vitória por exclusão de partes no RGT.

«Foi pena o Vítor Pascoal ter desistido, pois estava a dar boa réplica», sublinhou o piloto de Regilde. O facto de o piso se ter apresentado muito sujo, «com bastante lama nas segundas passagens», provocou maiores dificuldades, mas pior foi «termos andado com especificações de chuva e prova foi quase sempre em seco», revelou Adruzilo.

Adruzilo Lopes (Porsche 997 GT3) regressou em bom plano

Para esquecer foi o rali de Miguel Barbosa: dois furos e má escolha de pneus relegaram o piloto do Skoda para a 6.ª posição final. Uma prenda de anos amarga, ainda que o piloto tenha sublinhado ao MOTOR 24, na chegada a S. Pedro de Moel, que «não tivemos tempo de preparar este rali. O motor ficou danificado no Rali de Portugal, chegou tarde e só fizemos um teste na semana do dia e à chuva. E, há oito meses que não andava em asfalto», justificou Miguel Barbosa.

Furos e má escolha de pneus impediram Miguel Barbosa (Skoda) de ir além do 6.º lugar

Em bom plano e a justificar um olhar atento ao seu desempenho, o jovem – 20 anos – Pedro Almeida construiu uma exibição sólida, premiada com o 7.º lugar. Estreante no campeonato e em asfalto ao volante de um R5, o piloto do Ford Fiesta debateu-se, todavia, com alguns problemas: válvula pop-off na secção matinal e, pouco depois, ficou sem barra estabilizadora. «Fizemos assim as três últimas classificativas», explicou o piloto de Famalicão, uma das revelações desta metade inicial da temporada.

Pedro de Almeida (Ford Fiesta R5) continua a afirmar-se no ano de estreia no campeonato

Manuel Castro (Hyundai i20), Pedro Antunes (Peugeot 208 R2) e António Dias (Skoda Fabia), protagonista de um pião no 1.º dia, completaram o top 10. Fernando Teotónio (Mitsubishi Lancer Evo VI), solitário no RC2N, terminou no 11.º lugar absoluto de um rali que, em termos globais não teve história, foi mesmo algo entediante na derradeira secção.

 

Pedro Antunes (Peugeot) de novo nas 2RM

O jovem torriense Pedro Antunes (Peugeot 208 R2) voltou a impor-se nas 2 RM, liderando desde a 5.ª especial e terminou no 8.º lugar da geral. Paulo Neto estava na frente após a quarta especial, mas o Citroën DS3 R3T Max embateu numa casa e a desistência foi inevitável. Um despiste colocou, igualmente, fora de prova, Miguel Correia (Renault Clio R3), quando o piloto nortenho ocupava o 2.º lugar após a 7.ª especial.

No duelo pela 2.ª posição, Daniel Nunes levou a melhor em relação a António Costa, que venceu a categoria RC3. Um pódio totalmente Peugeot 208 R2. Estreia positiva dos Kia Picanto GT Cup, com o veterano Francisco Esperto vencedor da categoria RC5 (18.º lugar da geral), seguido por Tiago Raposo Magalhães (22.º), atrasado devido a uma saída de estrada, que provocou um furo. «O facto de termos continuado em prova após a violenta saída de estrada sofrida na PEC 6 comprova a fiabilidade do carro», sublinhou Tiago Raposo Magalhães. No feminino, Filipa Sanguedo (Opel Adam) terminou na 18.ª posição, Joana Barbosa (Ford Fiesta R2) foi 24.ª classificada.

Outros vencedores

Na Taça FPAK, André Cabeças (Mitsubishi Lancer Evo IX) impôs-se com 1.08,1 minutos de vantagem para Gonçalo Figueiroa (Ford Escort RS). Ricardo Costa Jr. (Mitsubishi Lancer Evo IX) completou o pódio. No Campeonato do Centro, Carlos Fernandes (Mitsubishi Lancer Evo VI) foi o vencedor incontestado. Eduardo Veiga (Ford Escort RS) terminou a 2.04,8 minutos e Gaspar Pinto (Mitsubishi Lancer Evo VI) classificou-se em 3.º lugar.

Ver Classificações completas em cronobandeira

Campeonato

1.º Armindo Araújo, 92,29 pontos

2.º Miguel Barbosa, 66,1

3.º Ricardo Moura, 54,35

4.º Ricardo Teodósio, 52,38

5.º Pedro Meireles, 51

Próxima prova: Rali de Castelo Branco, dia 30 de junho e 1 de julho.