F1: Mercedes e Ferrari ‘pegadas’…

A Ferrari e a Mercedes têm gozado de uma boa relação nos últimos anos, mas com a intensificação da luta pelos campeonatos deste ano, cada vez mais tensa, os atritos estavam ao virar da esquina, e em Silverstone os homens dos ‘Flechas de Prata’ explodiram, sugerindo que os pilotos da Scuderia estavam a bater em Lewis Hamilton e Valtteri Bottas propositadamente. Depois da tempestade inicial, os homens da Mercedes baixaram o tom, mas com o campeonato tão equilibrado como está, é natural que vá haver mais ‘qui pro quo’ daqui para a frente.

No Grande Prémio de França Sebastian Vettel discutiu a primeira travagem com o finlandês, tendo batido no carro de Brackley, que ficou com um furo na roda traseira esquerda, ao passo que a máquina de Maranello ficou com a asa dianteira danificada. Os dois foram obrigados a rumar às boxes para reparações.

Na prova do passado domingo, Räikkönen deixou o carro escorregar na primeira travagem, embatendo no Mercedes de Hamilton, que entrou em pião, caindo para o último lugar. O finlandês da Ferrari, que à semelhança do inglês não sofreu danos no seu monolugar, teve de cumprir uma penalização de 10s parado nas boxes, contra os cinco que Vettel sofrera em Paul Ricard.

Foi a segunda vez em três corridas que um piloto da Scuderia prejudicava um da Mercedes, o que deixou os responsáveis da formação de Brackley bastante agastados. Lewis Hamilton, que realizou uma recuperação notável de último para segundo, no final da prova não conseguiu esconder a sua frustração, deixando escapar algumas sugestões. “Táticas interessantes, diria, daquele lado, mas faremos o que tivermos de fazer para lutar com eles”, afirmou o inglês.

No entanto, Toto Wolff foi mais longe, deixando no ar a ideia de que a Ferrari estaria a prejudicar propositadamente os pilotos da Mercedes. “Em Le Castellet foi a primeira vez que que fomos colocados fora e, agora, a segunda vez – são muitos pontos no Campeonato de Construtores.

Para utilizar as palavras do James Allison (ndr.: o director técnico da Mercedes) ou é deliberado ou é incompetência”, frisou o chefe de equipa da formação do construtor de Estugarda, que mais tarde tentou emendar a mão, muito embora, a crítica à Ferrari continuasse bem patente: “Nada disto é feito deliberadamente, mas é cansativo. É a segunda vez em três corridas que fomos colocados fora quando estávamos numa posição muito prometedora no início. Este tipo de incidentes não deveria acontecer com pilotos de topo na frente do pelotão.

Se os nossos pilotos fizessem o mesmo erro duas vezes e prejudicassem a mesma equipa, eu estaria a pedir desculpa”.
Quando tomou conhecimento das críticas oriundas da Mercedes, Maurizio Arrivabene não se conteve, mas curiosamente não apontou Wolff como alvo, escolhendo um antigo funcionário da Scuderia, agora na estrutura de Brackley, parecendo não querer colocar em risco a boa relação que mantém com o austríaco e que tem sido instrumental nas negociações com a Liberty. “Quem é incompetente? O Kimi? Quem é ele para julgar sobre o que os pilotos estão a fazer no carro? Se ele disse mesmo isso, deveria estar envergonhado.

O Alison trabalhou muitos anos em Maranello, mas agora estamos em Inglaterra a ensiná-lo a ser um gentleman.
Aceito isso de alguém como o Jacques Villeneuve, dado que foi piloto. Mas dele?”, enfatizou o italiano.
Kimi Räikkönen, logo nas entrevistas após a corrida, foi claro, assumindo a sua falta: “Errei, mas é o que acontece por vezes. Foi um erro meu, portanto, tudo bem. Mereci, cumpri a penalização e continuei a lutar”, frisou o finlandês da Ferrari.

Por seu lado, Sebastian Vettel considerou um despropósito as acusações de que foram alvo os pilotos da Scuderia, sublinhando ser um não-assunto. “É um disparate pensar que algo do que aconteceu foi deliberado. Não creio que tenha havido qualquer intenção e penso que é desnecessário, até, falar disso”, apontou o piloto que atualmente lidera o Campeonato de Pilotos.

Talvez percebendo que os seus responsáveis foram demasiado longe nas observações realizadas ao comportamento dos pilotos da Ferrari, mais tarde a Mercedes emitiu uma comunicação através do seu Twitter a colocar um ponto final no assunto: “Ninguém estava seriamente a sugerir que tinha sido deliberado. O Kimi cometeu um erro. Admitiu-o e pediu desculpa ao Lewis”.

A explosão dos responsáveis dos “Flechas de Prata” foi contida, mas a ferida ficou aberta e ficou claro que a pressão na luta pelos títulos está mais elevada que nunca e que é preciso muito pouco para que as emoções extravasem. Veremos como tudo corre daqui para a frente.

José Luís Abreu/Autosport