Neuville vence em Portugal e relança WRC

Thierry Neuville estreou-se a ganhar o Vodafone Rali de Portugal e aproveitou da melhor forma o despiste de Sébastien Ogier na sexta-feira para relançar o Mundial de Ralis. O belga da Hyundai sobreviveu a um rali duro e onde Elfyn Evans e o jovem Teemu Suninen colocaram os Ford da M-Sport no pódio.

A 52.ª edição do Vodafone Rali de Portugal voltou a afirmar a prova nacional como uma das melhores do calendário, quer do ponto de vista desportivo, quer ao nível da qualidade organizativa. Sexta ronda do WRC, o Rali de Portugal assistiu uma exibição quase irrepreensível de Thierry Neuville, que soube quando atacar e quando preservar a mecânica do Hyundai i20 WRC nas duras classficativas de terra da região Norte.

Neuville passou para a frente do rali na sétima especial, quando o seu companheiro de equipa e anterior líder, Hayden Paddon, sofreu um acidente que deixou o i20 WRC a bloquear a estrada, obrigando à interrupção do rali. Mas antes disso, a prova portuguesa já tinha ficado sem três fortes candidatos à vitória. Ott Tänak, que vinha de um triunfo claro na Argentina, ficou de fora com o radiador do seu Toyota partido na PE2, em Viana do Castelo. Jari-Matti Latvala também não passou do troço seguinte, em Caminha, onde partiu a suspensão dianteira direita do Yaris WRC. E Sébastien Ogier, que venceu em Portugal com a M-Sport no ano passado e que tentava desempatar com Markku Alén no recorde de triunfos neste evento, saiu de estrada a baixa velocidade na PE5 (Viana do Castelo 2), ficando com o Ford preso numa vala. Ogier e Latvala ainda regressaram à prova em Rally2, ao contrário do azarado Tänak.

Neuville estreou-se a ganhar o Rali de Portugal

A partir daí Thierry Neuville pressentiu a enorme oportunidade de passar para a frente do campeonato e desta feita esteve imune a erros, controlando as operações para vencer com 40s de vantagem sobre Elfyn Evans. Foi o quarto piloto diferente e a quarta marca diferente a vencer o Rali de Portugal desde que este regressou ao norte do país, em 2015.

“Acho que podemos estar orgulhosos do que fizemos aqui”, referiu Neuville no final da Power Stage de Fafe, onde garantiu mais quatro pontos a juntar aos 25 da vitória. “Toda a equipa fez um excelente trabalho e nós tentámos sobretudo ser consistentes. Temos muitos portugueses na equipa e hoje vai de certeza haver uma grande festa”, prometeu o belga, que agora lidera o Mundial com 19 pontos de vantagem sobre Ogier.

Elfyn Evans (Ford Fiesta WRC)

Elfyn Evans, que se estreou a ganhar no WRC no ‘seu’ Rali de Gales/GB, em outubro, voltou aos bons resultados no Campeonato do Mundo depois de um início de época algo discreto. Sempre consistente, Evans ainda ameaçou dar luta a Neuville até ao final mas o belga ganhou-lhe nada menos de 29 segundos nas duas passagens pelo troço de Amarante, no sábado, praticamente sentenciando o rali.

Teemu Suninen (Ford Fiesta WRC)

Outro piloto da M-Sport em destaque foi Teemu Suninen, que se mostrou rápido e sobretudo muito forte a resistir à pressão de Esapekka Lappi e Dani Sordo no último terço do rali. Estes três pilotos entregaram-se uma batalha pelo derradeiro lugar do pódio e o facto de Suninen ter batido os seus dois rivais, mais experientes, é um feito de registo para um jovem de 24 anos que, tal como Lappi, até começou por dar nas vistas no karting na Finlândia.

Esapekka Lappi (Toyota Yaris WRC)

Lappi também fechou o rali em grande pois foi esmagou o recorde da especial de Fafe, que é agora de 6m33,2s, e garantiu os cinco pontos extra da Power Stage. O finlandês da Toyota foi prejudicado por um amortecedor traseiro partido na sexta-feira, que o fez perder o contacto com os primeiros. Apesar de um forcing final, Suninen resistiu à pressão e Lappi teve de contentar-se com o quarto lugar, subindo ao quinto posto do Mundial.

Dani Sordo colocou outro Hyundai no top 5 mas o espanhol poderia ter terminado no quarto lugar, não fosse uma penalização de 10 segundos por ter levado um conjunto de pneus à frente na Porto Street Stage. O espanhol não estava nomeado pela Hyundai para pontuar para o Mundial de Construtores mas também voltou a ficar algo aquém de Neuville em termos de andamento puro.

(ATUALIZAÇÃO: Penalização de Esapekka Lappi)

O Rali de Portugal foi um dos piores eventos do ano até ao momento para a Citroën, que ficou sem Kris Meeke após mais um excesso do norte-irlandês (capotanço na PE12). Meeke, que venceu em Portugal com a marca francesa em 2016, era nessa altura o segundo melhor piloto da Citroën, atrás do regressado Mads Ostberg, que terminaria em sexto e na frente de Craig Breen, que seria sétimo no final.

Sébastien Ogier (Ford Fiesta WRC) falhou o ataque à sexta vitória em Portugal

Ainda pior foi o desfecho final para Sébastien Ogier. O pentacampeão do Mundo saiu de Portugal a zeros e nem na Power Stage conseguiu obter qualquer ponto, tendo agora uma desvantagem de 19 pontos para Neuville no campeonato mas sabendo que o belga terá de abrir a estrada na Sardenha.

Armindo Araújo foi o melhor português

No WRC2, novo triunfo para a Skoda e para Pontus Tidemand, que superou um furo no primeiro dia para ainda conseguir vencer entre os R5, beneficiando dos furos que também afetaram Stéphane Lefebvre, com o novo Citroën C3 R5.

Armindo Araújo (Hyundai i20 R5) já lidera o CPR

Entre os portugueses, Armindo Araújo e o navegador Luís Ramalho conseguiram sobreviver à dureza da prova com o Hyundai i20 R5, venceram a prova do CPR – segunda vitória consecutiva, após Mortágua – e foram a melhor dupla nacional, na frente de Miguel Barbosa e Hugo Magalhães. O piloto do Skoda perdeu tempo na derradeira especial pontuável para o CPR (PE12), com sobreaquecimento do motor, numa altura em que Armindo Araújo também já vinha sem travões no Hyundai. Diogo Salvi e Jorge Henriques foram os terceiros melhores portugueses, com mais Skoda, enquanto Daniel Nunes e Rui Raimundo venceram a prova do CPR2, com o Peugeot 208 R2.

CLASSIFICAÇÃO VODAFONE RALI DE PORTUGAL

FOTOS: Oficiais