Rali do México: O talento de Ogier é eterno… A classe de Loeb também

Perante todos os seus rivais incluindo o regressado Sébastien Loeb e num rali onde teve de superar uma posição de partida menos favorável, Sébastien Ogier deu mais uma lição de classe e regressou ao comando do WRC após o seu quarto triunfo no México. Loeb chegou a liderar até furar e deixou os restantes lugares do pódio para Dani Sordo e Kris Meeke.

Sébastien vs Sébastien. Mais de três anos depois, os dois nomes mais famosos dos ralis mundiais voltaram a medir forças numa prova do WRC. Tal como no Rali de Monte Carlo de 2015, Sébastien Loeb provou que é um dos melhores pilotos de sempre e que os 38 meses em que esteve afastado da alta roda dos ralis não o fizeram perder qualidades. Agora mais virado para as areias do Dakar e para as pistas de Ralicross, o lendário alsaciano de 44 anos regressou ao Mundial para disputar a primeira de três rondas que tem agendadas e à 11.ª especial já liderava o rali, aproveitando uma posição de partida mais recuada. Praticamente no extremo oposto estava Sébastien Ogier, segundo a partir para a estrada na sexta-feira e no sábado e que, por isso, ‘limpava’ os troços – juntamente com Thierry Neuville – para quem vinha atrás.

Só que Ogier nunca baixou os braços, andou sempre no limite do Fiesta WRC e viu a sua audácia ser recompensada na PEC14, quando Loeb e Dani Sordo furaram, deixando o pentacampeão do Mundo na liderança. Ogier venceu quatro especiais consecutivas e foi aí que deu uma estocada praticamente decisiva na oposição que Sordo e Kris Meeke – vencedor no México em 2017 – ainda tentavam montar.

Imune a erros

A rapidez e a incrível frieza de Ogier levaram-no a ganhar o rali com mais de um minuto de vantagem quando teve de ‘limpar’ a estrada em mais de metade da prova, naquela que terá sido uma das suas mais impressionantes exibições desde que chegou à M-Sport. Além disso, este foi o quarto triunfo do francês no México no WRC e o quinto em termos absolutos, já que foi precisamente nos troços mexicanos que Ogier se ‘apresentou’ ao mundo, dominando logo a sua primeira prova no JWRC, em 2008, com um Citroën C2 S1600.

Sordo não conseguiu capitalizar a posição privilegiada na estrada mas regressou ao campeonato com um 2.º lugar, sendo de longe o melhor dos Hyundai já que Andreas Mikkelsen (4.º) esteve algo apagado e Thierry Neuville (6.º) foi prejudicado por problemas diversos no seu i20 WRC, perdendo a liderança do campeonato.

Curioso foi ver Neuville e Ott Tänak a usarem a estratégia inaugurada por Ogier e pela M-Sport no Rali da Suécia, penalizando propositadamente antes da Power Stage para garantirem uma melhor posição de partida. O estónio da Toyota – afetado pela já crónica falta de potência do Yaris WRC em troços de altitude – viria mesmo a vencer a Power Stage, acumulando cinco pontos, na frente de Ogier que, no entanto, viria a ser penalizado por ter tocado numa chicane do percurso. O francês perdeu os quatro pontos extra da Power Stage e lidera agora o Mundial com quatro pontos de vantagem sobre Neuville.

No WRC2 ficou adiado o esperado duelo entre os Skoda oficiais de Pontus Tidemand e do teenager Kalle Rovanperä, que se estreava na formação de fábrica. O jovem finlandês teve o azar de partir o radiador do seu Fabia R5 logo no primeiro troço ‘a sério’ e depois Tidemand fez uma prova sem pressão, vencendo com mais de seis minutos de avanço sobre o britânico Gus Greensmith (Ford Fiesta R5), embora o andamento de Rovanperä – em estreia no México – também tenha dado nas vistas.

CLASSIFICAÇÕES RALI GUANAJUATO MÉXICO

COMO FICOU O MUNDIAL

Fotos: Oficiais M-Sport, Citroën Racing, Hyundai Motorsport, Skoda Motorsport, FIA WRC.

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