Será Sébastien Loeb o melhor piloto de todos os tempos?

De regresso a Portugal e a Montalegre, Sébastien Loeb falou do desafio que é tentar vencer o Mundial de Ralicross

A pergunta é legítima se olharmos para o palmarés do alsaciano de olhos de lince. Aos 44 anos, o Ralicross e o Dakar são os derradeiros desafios da lenda Sébastien Loeb. O francês prosseguiu em Portugal o ataque ao título do World RX.

Filho único de um professor de educação física e de uma professora de matemática, Sébastien Loeb é um case study do desporto motorizado mundial. Ginasta e aprendiz de eletricista na juventude, participou no seu primeiro rali já com 22 anos de idade, um facto biográfico que partilha com… Sébastien Ogier.

A partir desse rali ao volante de um Peugeot 106 Rallye, Loeb construiu uma das mais impressionantes carreiras que o desporto automóvel alguma vez viu: vencedor do Troféu Citroën Saxo Kit-Car, campeão de França de ralis, campeão do Mundo Júnior (JWRC), nove vezes campeão do Mundo de Ralis (WRC), 78 vitórias no WRC, 2º classificado absoluto nas 24 Horas de Le Mans, quatro vitórias no FIA GT Series, recordista da Rampa de Pikes Peak, medalha de ouro nos X-Games, seis vitórias no WTCC (3º classificado nas duas épocas), 2º classificado no Dakar, uma vitória e 12 pódios no Campeonato do Mundo de Ralicross, inúmeros outros recordes e efemérides…

Aos 44 anos, Loeb continua a ser uma referência em qualquer campeonato onde esteja

As areias do Dakar e as explosivas corridas do Ralicross são os derradeiros palcos de um animal competitivo viciado em desafios, que se dá ao luxo de escolher umas quantas provas do WRC (México, Córsega e Catalunha) para matar saudades do improviso e da adrenalina dos ralis.

“Sou feliz por continuar a viver da minha paixão”, referiu no paddock de Montalegre, a vila transmontana que recebe o Campeonato do Mundo FIA de Ralicross (World RX) desde a sua primeira edição, em 2014.

A performance dos novos WRC entusiasmou o nove vezes campeão do Mundo

“Claro que tem sido mais difícil ganhar aqui (no Ralicross) do que nos ralis, que são mais naturais para mim. E aqui há vários pilotos bem mais experientes do que eu. Se eu quiser faço mais provas no WRC. Escolhi fazer estes três ralis porque continuo a gostar das sensações de um carro de ralis. Se não fizer mais provas é porque não quero.”

Electric for the people?

E como vê alguém como Loeb a estratégia de tornar o Ralicross num desporto elétrico a partir de 2020? “Se o futuro do desporto motorizado forem os carros elétricos, o campeonato mais lógico é o Ralicross”, defendeu, pouco depois de liderar o Dia 1 em Montalegre. “As corridas são curtas, as baterias atuais têm capacidade suficiente, os carros vão continuar a ser muito potentes e o desporto continuará a ser intenso e emocionante. Claro que, se me perguntarem, neste momento eu prefiro os carros com motor de combustão interna. Foi assim que a minha geração cresceu mas se calhar os jovens no futuro vão olhar para os nossos carros como coisas do passado.”

A precisão do estilo de Loeb é crucial na pista de Montalegre

E o que acha Loeb da pista de Montalegre?: “É bastante diferente de todas as outras pistas do campeonato. Há bastante terra na parte final e os corretores são muito altos. Aqui tens de ser muito preciso pois um erro numa curva faz com que percas tempo em várias das curvas seguintes. Mas é uma pista divertida para os pilotos”, apontou, antes de se retirar para mais um briefing com os engenheiros da Peugeot Sport.

Ser campeão do Mundo, também no Ralicross, dá muito trabalho. Mesmo quando se tem um dos maiores talentos que o automobilismo já conheceu…