Audi A5 Sportback 2.0 TDI: Um coupé que não vai chatear a sua ‘cara-metade’

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

A tendência dos coupés de quatro portas (cinco, no caso deste Audi) veio para ficar e basta olhar para o A5 Sportback destas fotos para se perceber o porquê: estilo elegante e atlético em conjugação com uma maior competência nas suas habilidades familiares, mercê do espaço mais amplo no habitáculo e na bagageira mais competente.

Com uma grande relevância em termos de mercado – acabando por ser a vertente mais procurada pelos condutores lusos – o A5 Sportback reúne o consenso do pai de família (ou mãe) que pretende uma elegância acima de qualquer suspeita, mas que precisa daquele espaço suplementar a bordo e na bagageira. A maior funcionalidade é também um argumento interessante para convencer a ‘cara-metade’ de que um modelo com estilo coupé é suficiente para levar a família nas férias. Isto por oposição a um coupé tradicional de duas portas em que aceder aos bancos traseiros pode exigir os mesmos dotes que os de um contorcionista mais habituado a tarefas circenses. Deixemo-nos de divagações…

O ‘embrulho’ desenhado pela Audi para este coupé funcional promove uma evolução na continuidade. Com o A5 Sportback não encontrará enormes rasgos arrojados de design, mas qualquer que seja o ângulo pelo qual se observa este modelo, sobressai uma pose requintada e atlética devido à grelha ‘Singleframe’ da marca em conjugação com os faróis muito estilizados que promovem robustez, o mesmo adjetivo que lhe pode ser dedicado na zona da traseira, que segue de perto as linhas do coupé. Os críticos irão sempre criticar alguma falta de arrojo estético, indicando – quiçá, com relativa razão – que os modelos da Audi são sempre muito idênticos, mas não se pode negar que esta é uma forma que funciona e que resulta. Assim, fica a pergunta: para quê mudar radicalmente?

Por dentro, predomina a qualidade, sendo esse atributo percetível em diversos detalhes do habitáculo, tendo ainda uma construção de excelência e materiais de elevado nível, tanto na parte superior do tablier como no resto do habitáculo. Para o condutor, a posição de condução é bastante boa e a visibilidade geral é boa, sendo ainda simples de utilizar todos os comandos, mesmo os do sistema de infoentretenimento, cujo ecrã continua, no entanto, a parecer ‘plantado’ no topo da consola central. Ainda assim, este não é problema exclusivo do A5 SB (passemos a chamá-lo assim…). No geral, é difícil encontrar falhas num habitáculo em que se ‘viaja’ bem e à larga.

O crescimento fez-lhe bem

Por ‘falar’ nisso, avaliando aquela que é uma das mais-valias do A5 Sportback face ao A5 Coupé, a distância entre eixos é maior em 60 mm (2.824 mm), sendo ainda 10 cm mais largo (1.843 mm). Atributos que o dotam de mais e melhores argumentos. Uma vez mais com recurso à plataforma MLB Evo, à qual os modelos de maiores dimensões do Grupo Volkswagen têm vindo a recorrer, este A5 acaba por se destacar na habitabilidade traseira.

Quem vai atrás poderá beneficiar de muito espaço para as pernas e largura apreciável, conseguindo albergar três ocupantes sem problemas de maior (não obstante o túnel central que é intrusivo nos lugares posteriores). Por outro lado, a linha do tejadilho muito desportiva limita de certa forma a altura do assento traseiro ao tejadilho, mas não se pode considerar, sequer, uma falha grave deste Sportback. Apenas os adultos acima dos 1,85 m terão maiores inconvenientes. Quanto à bagageira, muito interessantes 480 litros que permitem levar as malas e tralhas de férias, havendo ainda que contar com o benefício de um portão traseiro de grandes dimensões que, uma vez aberto, dá acesso a um espaço amplo e muito regular. Não consegue ser tão prático quanto uma carrinha, mas os 1.300 litros possibilitados pelo rebatimento dos encostos dos bancos traseiros traduzem ainda mais capacidade no transporte de bagagens. A tampa da mala tem acionamento elétrico e melhora a funcionalidade de um modelo que, enfim, tem boas cotas habitáveis e uma mala que não desaponta.

Motor ‘velho conhecido’

No compartimento do motor encontra-se o 2.0 TDI de 190 CV de potência e 400 Nm disponíveis às 1.750 rpm, que volta a figurar como uma aposta segura na marca dos quatro anéis e no próprio grupo germânico.

Tradicionalmente uma unidade refinada e competente na forma como entrega a sua potência desde regimes muito baixos, o bloco turbodiesel volta a não desiludir, proporcionando respostas rápidas e retomas ainda melhores, na medida em que a caixa automática S tronic de sete velocidades (com modo manual-sequencial possibilitado pelas patilhas atrás do volante) é exímia na forma como aproveita a competência do motor. Não se trata de um desportivo puro, nem tem ambições a tal nesta configuração, mas as prestações não desapontam, como atestam os 7,9 segundos dos 0 aos 100 km/h, num registo que o posiciona muito bem neste segmento, onde a sua concorrência acaba por ser apenas aquela oferecida pelo BMW Série 4 Gran Coupé e, quanto muito, internamente feita pelo Audi A4, que não tem é este aspeto de belíssimo efeito.

A sua vocação mais familiar fica, porém, mais definida na forma como a suspensão está calibrada para ser suave e perdulária para com os ocupantes. Com efeito, este A5 Sportback exibe atributos de rolador tranquilo, com absorção excelente das irregularidades do piso, mesmo quando esse parece inspirado no nome da peça ‘Quebra-nozes‘ de Pyotr Tchaikovsky. Porém, o conforto a bordo raramente é perturbado. Isso não quer dizer, por outro lado, que não tenha uma enorme estabilidade em curva, com rolamento bem contido da carroçaria e facilidade na inserção em curva, também por ‘obra e graça’ de uma direção com boa resposta e precisão. Ou seja, consegue ser ágil, mas sobretudo, amistoso dos passageiros.

Naturalmente, um dos ‘responsáveis’ por esta sua ambivalência de condução é a redução do peso, com o alumínio a surgir em maior número, o que possibilita maior leveza geral e, assim, maior eficácia dinâmica, mas também nos consumos e emissões. A marca aponta uma média de 4,2 l/100 km de média, mas este é um valor que é difícil de atingir numa utilização real, sendo mais lógico e fácil circular na casa dos cinco litros. No nosso ensaio, obtivemos uma média de 5,5 litros.

Falta, ainda, notar alguns aspetos relevantes do A5 Sportback, sendo o primeiro dos quais a sua capacidade de alternar a ‘personalidade’ da condução devido ao sistema Audi Drive Select, que conta com modos Efficiency, Auto, Comfort, Sport e Individual. Ponto assente: mesmo no modo desportivo, prevalece o conforto de marcha, mas as respostas do acelerador tornam-se mais vivas, a direção ganha mais algum peso (mas não muito) e as respostas da caixa são ainda mais rápidas do que em modo Normal. Fica melhor, mas não se transfigura por completo. Por isso, se era do que estavam à espera, desenganem-se.

Por outro lado, o modo mais ecológico tem o condão de ‘trabalhar’ para que os consumos baixem, possibilitando condução ‘à vela’ com o desacoplamento do motor em relação à transmissão para que as emissões e os consumos sejam reduzidos. Outro aspeto que vale a pena notar é a eficácia do sistema start-stop da Audi, que também contribui para baixar o gasto de combustível.

Por último, o sempre importante capítulo do equipamento. Na variante Sport, o A5 Sportback surge com muita tecnologia e funcionalidades já de série, como os faróis de xénon com iluminação diurna assente em LED, o já referido Audi Drive Select, sensores de luminosidade, de chuva e de estacionamento traseiro e a porta da mala com abertura elétrica. No capítulo da segurança, o sistema Pre-Sense City (com deteção de peões) acrescenta-lhe a possibilidade de travar sozinho em situações de emergência na cidade (atuando até aos 85 km/h).

Outros sistemas e funcionalidades de assistência ficam reservados para as sempre extensas listas de opcionais que as marcas Premium costumam mostrar aos seus clientes na hora de comprar carro. Ao fim e ao cabo, atendendo à relação qualidade/preço, os 53.650 euros pedidos por este A5 Sportback em nível Sport acabam por se ajustar, mesmo que pudesse ter um pouco mais de substância em termos de equipamento.

VEREDICTO

Ajustando-se perfeitamente ao chavão ‘os olhos também comem’, este A5 Sportback traduz de forma muito competente aquilo que um ‘grand tourer’ pode ser. Esteticamente apelativo e mais agressivo (os críticos vão sempre barafustar…), com motor que é apanágio de suavidade e enérgico q.b., interior de qualidade e bastante espaço para ocupantes e malas, este Audi coloca o conforto como prioridade essencial num modelo que acaba por ser uma conjugação de duas realidades distintas: o coupé e a berlina familiar. Se é para ter estas duas características num só ‘corpo’, que seja num assim. Se pretende algo que seja vincadamente mais dinâmico, poderá ter de olhar para outras versões ou para outras ‘casas’. Atenção, ainda, aos opcionais que podem ‘carregar’ a fatura final a pagar.

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