Audi Q5 2.0 TDI 150 Design: Fazer tudo bem não é para todos

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

A nova geração do Audi Q5 faz mesmo tudo de forma muito competente, o que, parecendo coisa simples, é algo que não está ao alcance de todos. Um SUV com méritos no comportamento e na capacidade de filtragem do piso, além de contar com um muito eficiente motor 2.0 TDI de 150 CV associado a uma caixa manual.

O motor de 150 CV é aquele que serve de entrada no mundo Diesel deste modelo da Audi, que tem agora raízes mexicanas, sendo produzido na fábrica de San José Chiapa para todo o mundo. Com uma base já conhecida no seio da Audi, a MLB Evo, o novo Q5 é um SUV que promete condução segura e enormíssima estabilidade em curva e que, com efeito, cumpre aquilo a que se apregoa.

Com uma base muito bem concebida, o SUV disfarça com efetividade as suas dimensões, alinhando-se por trajetórias muito precisas e com um binómio amortecimento/direção que privilegia o conforto de rolamento, com uma filtragem dos pisos irregulares meritória de elogios. Graças a essa conceção de suspensão e de direção, presta-se a alguns abusos em curva, respondendo de forma sólida aos comandos do condutor, mesmo não sendo propriamente emocionante de conduzir.

Motor com boa resposta

A motorização 2.0 TDI de 150 CV surge aqui aliada a uma caixa manual de seis velocidades, uma vez mais numa combinação que regista pontos positivos. A unidade turbodiesel é silenciosa no seu funcionamento, demonstrando também suavidade na entrega da potência. Muito elástico e com um binário de 320 Nm disponível logo às 1500 rpm percebe-se que esta unidade permite ritmos sem mácula e progressividade na subida de regimes, assim movendo com ligeireza os mais de 1700 kg de massa que compõe este Q5.

Uma boa surpresa (ou a confirmação de uma ideia pré-concebida), essencialmente porque também a caixa de seis relações tem escalonamento acertado e manuseamento tão suave e direto que faz pensar o quão triste é o desaparecimento das mesmas em prol da eficácia das caixas automáticas que cada vez são em maior número. Na Audi, por exemplo, o futuro A6 já ‘deitou fora’ as caixas manuais e a tendência é que isso se venha a alargar a outras gamas.

Por outro lado, em ritmo controlado, o A5 com motor 2.0 TDI comprova igualmente uma noção querida à Audi: a da economia de consumo. Com uma condução perfeitamente normal, é fácil rodar na casa dos cinco litros por cada 100 km, conseguindo mesmo obter uma média final de 5,5 l/100 km, um valor muito interessante para um carro destas dimensões e que, usualmente, não tem na aerodinâmica a sua melhor amiga. O facto de contar apenas com tração dianteira também ajudará nesse desiderato, sendo por isso de enaltecer que as suas capacidades off-road não são as mais dedicadas, embora a altura ao solo seja bastante interessante (a este respeito, o acesso e saída dos bancos pode não ser muito fácil para pessoas de mobilidade mais complicada).

A tecnologia Drive Select da Audi está presente, alternando os parâmetros da resposta do acelerador e a sensibilidade da direção, variando entre o Efficiency e o Dynamic, embora neste caso as variações sejam sensíveis.

Cabem cinco? Claro Qcinco!

O habitáculo exibe construção referencial e muita atenção aos materiais utilizados, havendo a registar muitos revestimentos macios ao tato e integração sem falhas entre painéis. Além disso, a simplicidade de funcionamento dos diversos sistemas é uma boa escolha, mantendo o sistema de climatização fora do comando MMI (com controlo rotativo na consola central), com o ecrã colocado no topo da consola central a evidenciar ótima visibilidade.

MAIS: equilíbrio entre conforto e dinâmica, espaço a bordo e binómio motor/caixa

Menos: espaços de arrumação a bordo; preço algo elevado

É, sobretudo, um ambiente que prima pela sensação de qualidade e pela óbvia perceção de conforto, até pela própria conceção dos bancos e pelo espaço a bordo, que permite que cinco adultos viajem sem aperto excessivo: atrás, as cotas de apreciação (largura, altura e distância para o banco da frente) são todas positivas, mesmo que o túnel central no piso possa não ser fácil de lidar para o passageiro em posição central. Ponto de destaque é o da insonorização a bordo, muito bem conseguida, ‘apagando’ a quase totalidade dos ruídos exteriores.

A bagageira oferece boa capacidade com 550 litros, mas atendendo ao crescimento de 3,4 cm no comprimento da carroçaria em comparação com o Q5 anterior, apenas registou um aumento de 10 litros, ficando, porém, como um elemento a ter em conta para as famílias. Nota menos boa para os parcos espaços de arrumação no habitáculo, sobretudo com uma consola central que tem poucos locais de arrumação a não ser no cofre colocado entre os bancos.

Em termos de equipamento, o Audi Q5 surge nesta versão Design com poucos elementos distintivos em termos de opcionais, com um preço de 54.749€ (a versão de base está nos 52.050€), pelo que tem já uma receita muito composta de tecnologias integradas, embora esteja longe de ser recheada neste capítulo. Cumpre, mas face ao preço já elevado, resta lembrar que a inclusão de mais opcionais que estejam na sua lista de desejos pessoais irá fazer subir o preço como no jogo d’O Alpinista do Preço Certo.

VEREDICTO

A nova geração do Audi Q5 é mais um exemplo do ótimo desempenho comportamental dos automóveis produzidos em Ingolstadt. Sem procurar ser desportivo, é um modelo muito equilibrado que faz tudo de forma muito certinha e que tem no motor 2.0 TDI uma proposta racional que fica longe de desapontar, sendo enérgico e reativo. Mas, sobretudo, porque conta com a ‘aliança’ de uma caixa manual de seis velocidades que beneficia a condução mais direta, mesmo que possa não ser tão eficiente ou rápida como uma caixa S-tronic.

Ágil, equilibrado e com interior de elevada qualidade (mesmo que um pouco sóbrio em demasia), o novo Q5 em figurino de entrada na gama tem já um custo acima dos 50 mil euros, sem que se lhe juntem muitos opcionais. Faça bem as contas ao que quer incluir neste ‘pacote’.

FICHA TÉCNICA

Audi Q5 2.0 TDI 150 CV Man. Design

Motor: Diesel, quatro cilindros em linha, turbo, intercooler
Cilindrada: 1998 cm3
Potência: 150 CV às 3250-4200 rpm
Binário máximo: 320 Nm às 1500-3250 rpm
Suspensão Dianteira: Independente, McPherson
Suspensão Traseira: Independente, multibraços
Tração: Dianteira
Caixa: Manual, seis velocidades
Aceleração (0-100 km/h): 9,7 segundos
Velocidade máxima: 26 km/h
Consumo médio anunciado (medido): 4,5 l/100 km (5,5 l/100 km)
Emissões de CO2: 117 g/km
Peso: 1730 kg
Bagageira: 550-1550 litros
Comprimento/Largura/Altura (mm): 4633/1889/1656
Distância entre eixos (mm): 2820
Preço base (ensaiado): 52.050€ (54.750€)

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