Contacto: Ford Fiesta ST em ‘fuga’ pela rota napoleónica

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

A estrada napoleónica junto a Nice, em França, mais concretamente apelidada de Rota Napoleão, tem todos os ingredientes para uma hora de condução bem passada: curvas fechadas, curvas em apoio e retas com algum comprimento para fazer ecoar o motor EcoBoost. De quando em vez, também uma ou outra ravina a servir como escapatória indesejada e para a qual convém não olhar. Eis o percurso quase perfeito para o nosso primeiro contacto com o Ford Fiesta ST de nova geração, que estreia motor de 1.5 litros com três cilindros e 200 CV.

Há algo de viciante nestes pequenos desportivos com elevada potência, quiçá a ideia de estar perto de um universo de elevadas emoções sem se ter, necessariamente, de despender quantias que colocam o banco ‘à perna’. No entanto, num conjunto tão pequeno há tanto para dar. E a certeza de que a Ford não poupou esforços com aquela que é, muito simplesmente, a melhor geração do Fiesta.

Já conhecemos os méritos da versão de base, com um chassis muito bem concebido e um conjunto de motorizações EcoBoost que são de primeira linha. Assim, muita expectativa para este novo 1.5 EcoBoost de três cilindros que consegue debitar 200 CV e 290 Nm logo a partir das 1600 rpm, sendo possível aproveitá-lo até a um patamar em redor das 4000 rpm. Todo o motor é um conjunto de interessantes progressos tecnológicos, a começar, logo, pela combinação de injeção direta e indireta e pela capacidade de desativar um dos três cilindros. Junte-se a tração dianteira com sistema de vetorização de binário, além de um diferencial autoblocante Quaife, e o novo Fiesta ST parece um regalo de condução no papel.

Quanto mais se anda, mais se gosta

Na prática, o Fiesta ST é um dos mais interessantes de explorar no seu segmento. Bem encaixados nos bancos da Recaro, este é um desportivo para se começar a aproveitar de forma moderada, ganhando-se confiança com o passar dos quilómetros. Porque o Fiesta ST deixa que se aproveite muito do seu potencial sem que se seja um temerário. A frente é incisiva e o trabalho feito ao nível do chassis, com amortecimento mais firme e eixo de torsão atrás que é o mais rígido alguma vez colocado num modelo da Ford Performance segue quase religiosamente as indicações da dianteira. Além disso, registo para as vias mais largas atrás, para melhor lidar com o desempenho desportivo.

As transferências de massa são muito bem combatidas pela suspensão e a prontidão com que sai das curvas deixa ótima impressão ao condutor, que é impelido com voracidade estrada acima. A suspensão

Da mesma forma, o motor impressiona. Não tanto pelos números, que nunca são apenas isso, mas pela sensação que transmite: impulsivo desde muito baixas rotações, tem uma capacidade de subir de regime que é bem interessante. Não restam dúvidas dos seus 200 CV, mas raramente se percebe que é um bloco de três cilindros, uma solução que, de acordo com a Ford, permite obter uma unidade mais compacta e mais eficiente. Mas que nas estradas gaulesas, entre curva e contracurva, soou a pequeno carro de ralis. Os consumos que a Ford apregoa para este modelo são de 6,0 l/100 km. No nosso trajeto com muita montanha e pedal do acelerador bem perto do fim do seu curso, obtivemos um valor de 8,7 l/100 km. Promissor.

Os valores de aceleração impõem respeito, com uma capacidade de chegar aos 100 km/h (arranque parado) em 6,5 segundos e uma velocidade máxima de 232 km/h.

Modos para jogar

O novo Fiesta ST beneficia de três modos de condução configuráveis que permitem ao condutor otimizar a sua experiencia ao volante, atuando na assistência da direção, resposta do acelerador e sonoridade: o de base, ‘Normal’, equilibra dinamismo com maior conforto. Cabe aos modos ‘Sport’ e ‘Track’ as maiores ambições desportivas. Em ‘Sport’, o mapeamento do motor e a resposta do acelerador ficam mais apuradas, o mesmo se aplicando à direção e à válvula de escape. No mais extremo, o ‘Track’, aplicam-se novas afinações direcionadas para a pista – o controlo de tração é desativado e o controlo de estabilidade é afinado para permitir maior escorregamento. Nos dois últimos é possível também tirar partido da sonoridade mais racing com direito a ‘rateres’ nas passagens de caixa.

No Pack Performance estão incluídos elementos como o já referido diferencial autoblocante, mas também o controlo de arranque (Launch Control) com indicação no painel de instrumentos e as ‘Performance shift lights’, luzes indicadoras de alteração de mudança.

Carece ainda de uma avaliação mais profunda, naturalmente, mas a primeira abordagem foi bastante interessante nas estradas do Sul de França, numa solução de eficácia dinâmica que remete até para outras propostas de segmentos superiores em termos de competências.

FICHA TÉCNICA
Motor: Gasolina, três cilindros em linha, injeção direta, turbo, intercooler
Cilindrada: 1496 cm3
Potência: 200 CV às 6000 rpm
Binário máximo: 290 Nm às 1600-4000 rpm
Suspensão Dianteira: Multibraços, independente McPherson, barra estabilizadora
Suspensão Traseira: Barra de torsão
Tração: Dianteira
Caixa: Manual, seis velocidades
Aceleração (0-100 km/h): 6,5 segundos
Velocidade máxima: 232 km/h
Consumo médio: 6,0 l/100 km
Emissões de CO2: 136 g/km
Peso: 1262 kg
Bagageira: 311-1093 litros
Comprimento/Largura/Altura (mm): 4068/1735/1469
Distância entre eixos (mm): 2493
Preço base: 28.030€

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