Ensaio Mercedes-Benz E Coupé: Sedução sobre rodas

Reis Pinto
Reis Pinto
Jornalista

Conduzimos o Mercedes E 220d Coupé e começamos pelo seu lado mais subjetivo: a estética. E como este carro é lindo… Mais ao vivo do que em foto, onde se perde a noção das suas proporções, dos seus 4,83 metros de comprimento, dos mais de dois metros de largura ou da altura de apenas 1,43 metros. Movido pelo novo motor 2.0 Diesel da Mercedes, que disponibiliza 190 cavalos e 400 Nm, este coupé desliza pela estrada, transportando-nos com conforto e, agora sim, o espaço que faltava na anterior geração, que herdava a plataforma do “irmão mais novo”, o C. Não está livre de defeitos, mas é uma aposta segura neste nicho de mercado.

Sobre o design não faltou já quem comparasse os coupés da Mercedes – o C, o E e o S – a uma Matrioska, em que bonecas de diferentes tamanhos se encaixam uma nas outras. Mas não é essa uma política de quase todas a marcas, a de criar uma linguagem estilística que unifique as suas gamas? E, em estrada, além de detalhes de design, como o vidro lateral traseiro dividido em duas partes, as óticas traseiras mais finas e compridas ou as duas bossas no capot, o tamanho encarrega-se de diferenciar de imediato os modelos.

Uma das virtudes deste coupé é a de conseguir tornar “enfadonha” a berlina que lhe serve de base. Este E tem linhas sensuais e, ao mesmo tempo, desportivas, seduzindo pelo olhar e o mesmo se passa mal abrimos a porta. Temos pela frente um interior requintado, de uma modernidade que há bem poucos anos era impossível de encontrar num Mercedes, com uma qualidade de materiais e de acabamento acima de qualquer suspeita.

São muitos anos a “apurar” a raça e sempre a dar cartas no segmento Premium, tirando um ou outro deslize quando se aventurou em segmentos mais baixos, mas que a marca soube retificar.

Interior sublime

É quase impossível dizer do que gostamos mais neste interior. Se dos ventiladores em forma de turbina de avião, do painel de instrumentos digital que se prolonga sobre a consola central (alojando aqui o sistema de informação e entretenimento) ou dos bancos com um bom suporte lateral. Nem as necessidades do quotidiano são esquecidas, com muitos locais de arrumação, como seja o espaço fechado na base da consola central ou no apoio de braço. A bagageira oferece uns aceitáveis 425 litros de capacidade.

O painel de instrumento, denominado de Widescreen, é composto de um monitor de alta definição de 12,3 polegadas, controlado por comandos táteis no volante. A legibilidade das diferentes informações é muito boa, independentemente das condições de luz.

Este coupé, que descende de uma longa linhagem de modelos de duas portas da Mercedes, não tem pilar central e os vidros traseiros descem integralmente, criando uma ampla superfície aberta. Mas só se o condutor quiser pois, inexplicavelmente, os dois ocupantes do banco traseiro não têm como comandar os vidros, um privilégio apenas dado a quem segue ao volante.

Tem alguns detalhes, como a iluminação ambiente com 64 cores disponíveis, divertidos para mostrar aos amigos. A verdade é que, após termos encontrado a luz ambiente que mais nos agradou, não a voltamos a mudar….

Motor cumpridor

Os 190 cavalos e os 400 Nm de binário, passados às rodas traseiras através da caixa automática 9G-Tronic, são mais do que suficientes para mover os quase 1800 quilos deste coupé com celeridade, como o provam os 7,4 segundos dos 0 aos 100 km/h ou a velocidade máxima de 242 km/h. E as nove relações de caixa, perfeitamente escalonadas, fazem com que o E progrida de uma forma suave, com uma fluidez notável.

Em estrada aberta o E é insuperável em conforto, mas desde que o ritmo aumenta chega a ser “confortável” de mais. Explicando-nos, com a configuração e a suspensão da unidade ensaiada (cedida pela Soc. Com. C. Santos), que era a menos evoluída das três disponíveis para este modelo, e em percurso mais sinuoso, notam-se algumas oscilações na carroçaria que, longe de serem perigosas, beliscam o elevado bem-estar a bordo.

Um “mal” que tem fácil remédio, com o sistema Agility Control de amortecimento adaptativo, que, conjugado com o pack de design exterior AMG custa 1870 euros, a que podiamos juntar a suspensão desportiva desportiva regulável, que custa perto de mil euros, um todo provavelmente excessivo e desnecessário com esta motorização.
Mas o E já dispõe do Dynamic Select, que permite selecionar diferentes características de condução com um simples rodar de botão. Podemos ajustar parâmetros tais como o motor, a caixa, o sistema ESP e as características da direção selecionando um dos cinco programas: “Eco”, “Comfort”, “Sport”, “Sport+” e “Individual”.

O primeiro, que torna o carro demasiado “amorfo”, tem como contrapartida permitir “velejar”. Ou seja, a partir de determinada velocidade basta tirar o pé do acelerador para o motor se desacoplar da transmissão e o carro desliza apenas por inércia, isto é, não gastando combustível. E isso vê-se nos consumos, pois chegamos a gastar 6,5 l/100km, um valor a que será possível extrair mais algumas décimas.

“Comfort “será o programa utilizado, ao passo que o Sport se adequa a uma condução mais agressiva. O “Sport+” torna tudo desnecessariamente mais rude, mantendo as relações mais tempo do que seria realmente necessário, por exemplo.
O modo “Individual” permite configurar o carro à nossa medida, como a direção em modo “Sport” e a caixa em “Comfort”.

Ficha técnica
Motor: 4 cilindros, injeção direta, turbo+intercooler
Cilindrada: 1.950 cc
Potência: 194 CV/3.800 rpm
Binário: 400 Nm/1.600 rpm
Transmissão: Caixa automática de 9 velocidades, tração traseira
Vel. máxima: 242 km/h
0-100 km/h: 7,4 seg
Consumo (anunciado): 4,0 l/100 km
Emissões CO2: 109 g/km
Comp/larg/alt. (mm) : 4.826/1.860/1.430
Distância entre eixos: 2.873 mm
Peso: 1.735 kg
Mala: 425 litros
Depósito: 50 litros
Suspensão dianteira/traseira: Suspensão multibraços/multibraços; barras estabilizadoras à frente e atrás
Travões dianteiros/traseiros: Discos ventilados/discos

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