Mercedes-Benz SLC 250 d RedArt: Artista exibicionista

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Com uma geração que já vai longa, o SLC tem resistido ao passar do tempo com uma altivez impressionante. Nascida em 2011 sob a designação SLK, a atual geração deste roadster chega a 2018 ainda com muito fôlego para gastar, sobretudo quando surge associado a séries especiais como a RedArt aqui presente, a qual tem um custo de 4000€ mas muito material valioso.

Atualmente portador de ‘cartão de identidade’ com a sigla SLC – ficando assim mais em linha com o resto da gama Mercedes-Benz – este desportivo continua a ser um ‘esbanjador’ de estilo e requinte, não só pelo exterior, mas também pelo interior.

Neste capítulo, o SLC RedArt Edition esmera-se na quantidade de elementos que oferece, desde logo a começar pelos elementos em cor vermelha nos para-choques, frisos laterais e nas maxilas dos travões. O ‘ramalhete’ é composto pela grelha com apontamentos também a… vermelho e pelos pneus de 18” da Bridgestone.

No interior, os bancos (com logótipo incrustado), cintos de segurança e volante desportivo em pele são chamativos, assim como os tapetes também específicos da RedArt Edition. No geral, tratam de dar mais vivacidade a um habitáculo que começa já a acusar o peso da idade, em especial quando se olha para o que modelos como os vanguardistas Classe E, S e, muito proximamente, o A têm no cardápio.

Sobretudo em termos de ‘limpeza’ de comandos, na medida em que este SLC ainda tem origem em geração anterior na sua plataforma, daí se percebendo a grande profusão de botões na consola central. Mas, como sempre na Mercedes-Benz, nível de construção elevadíssimo e materiais de fino recorte premeiam o SLC como um digno membro da família, tanto mais que mantém bem viva a tónica de viver a vida com céu à ‘vista’.

A este respeito, alegria máxima. Exceto quando o Sol é substituído por mais incomodativas bátegas de água invernais que obrigam a recolher o teto rígido de forma rápida, rápida… Mas, essa é apenas uma das vicissitudes de se viver com um descapotável como este. Sem problema, uma vez que o processo de abertura ou fecho do teto rígido leva apenas 20 segundos, podendo funcionar a velocidades até aos 40 km/h. O sistema ‘Airscarf’, que emite ar quente para o pescoço dos ocupantes também é uma ajuda preciosa quando se teima em andar ‘sem teto’ com o cinzentismo das nuvens a ameaçar pingos. Nota, ainda, para o facto de ter um pouco mais de comodidades para utilização no dia-a-dia, com espaços de arrumação nas portas, consola central e porta-luvas (‘não é assim tão difícil, MX-5!‘).

Dar à chave e sair… Diesel

A aparência roadster é apelativa, mas a sonoridade denuncia… outros mundos. Dando-se à chave, surge uma sonoridade Diesel que, para alguns, é blasfema em associação a este formato. Mas há aqui uma outra funcionalidade: o SLC 250 d é uma variante que consegue oferecer prestações dignas de registo, como atestam os 6,6 segundos da aceleração dos 0 aos 100 km/h, mas que também não rejeita a vertente de economia tão tradicional dos Diesel.

Como seria fácil de perceber, o motor 2.1 Diesel de 204 CV deste SLC é enérgico desde muito baixas rotações, entregando o seu massivo binário de 500 Nm logo às 1600 rpm. Assim se percebe que este é um motor com muito ânimo para dar, tanto mais que a caixa 9G-Tronic é um tratado de eficácia na forma como gere toda essa potência. Colocando a caixa em modo M (de manual), o condutor assume o comando utilizando as patilhas atrás do volante, gerindo a seu gosto as passagens de caixa. Para quem pensa que o motor Diesel é desmerecedor poderá ter de repensar a sua ideia, porque este é também um motor que admite elevada poupança: o nosso ensaio teve uma média de 6,5 l/100 km. Por outro lado, a sonoridade do motor é facilmente detetada a bordo, sobretudo ao ralenti e muito mais a frio, traindo de certa forma uma insonorização que está muito bem conseguida, sobretudo em andamento e com o tejadilho fechado.

Condução divertida

O SLC continua a ser uma máquina desejável de conduzir e o tempo não desvirtuou essa sua característica. O roadster alemão oferece ao condutor uma cuidada ligação com a estrada, mercê de direção paramétrica (350€) com elevadíssima precisão e de um chassis que é muito competente em ritmos elevados. Os percursos de montanha são superados com dinamismo digno de registo, mesmo não tendo a mesma aura desportiva de um Toyota GT86 ou a ligeireza de um Mazda MX-5, embora a comparação com estes dois modelos acabe por ser algo desproporcionada – nem o primeiro é um roadster, nem o segundo tem a mesma potência.

Se a carroçaria exibe enormíssima rigidez estrutural – o efeito de torsão é absolutamente impercetível –, a experiência de condução é também valorizada pelo amortecimento muito eficaz que consegue equilibrar bem o conforto com o dinamismo. A suspensão rebaixada em 10 mm, mais um opcional por 350€, trabalha bem no seu objetivo de manter o SLC em trajetórias precisas. No modo Sport+, o SLC solta-se mais, oferecendo respostas mais velozes do acelerador e passagens de caixa mais imediatas. Mas é também o modo em que o SLC se sente mais como um desportivo, galgando rotações de forma mais voraz.

Na prática, é fácil elevar o ritmo e rolar com muita confiança, procurando-se de forma amiúde o leve deslizamento da traseira, algo que pode ser alcançado com alguma simplicidade. Para maiores ambições, o ESP com função Dynamic Cornering Assist é um aliado precioso, melhorando a eficácia em curva. A travagem fica a cargo de discos ventilados e perfurados na dianteira, mostrando enorme potência de paragem. Mas, sendo este um Diesel, poderá também querer optar por viagens mais tranquilas e aí esta motorização faculta autonomia suficiente para não ter de parar amiúde em postos de combustível. E no modo ECO do Dynamic Select (de série), pode até funcionar em ‘roda livre’ com caixa a motor desacoplados para poupança de gasóleo e de emissões.

O pack RedArt, que conta com os já referidos apontamentos estéticos e técnicos, tem um custo especifico de 4000€, estando também disponível para os outros modelos da gama SLC. Vale a pena, mas a tentação por mais opcionais pode ser ‘perigosa’ para a carteira… atendendo a que se trata de um descapotável que, nesta versão tem um custo base de 54.550€. Mesmo que num caso ou noutro, como no do logótipo luminoso refletido no chão no escuro, sirva para cimentar aquele seu carácter de exibicionista de estrada. No entanto, nota para um dado importante: este é um motor que se apresta a desaparecer da gama do SLC…

VEREDICTO

O SLC mantém o mesmo foco de entusiasmo que sempre caracterizou o modelo lançado originalmente em 1996 e que, então, lançou uma moda – a dos tejadilhos rígidos retráteis. Com um dinamismo muito convincente – fruto de uma combinação eficaz de direção e chassis -, o motor é um poço de energia, sobretudo quando se explora o binário de 500 Nm a um patamar tão baixo quanto as 1500 rpm. Tudo isso sem que seja necessariamente desconfortável. Em suma, se os anos passam, o SLC nesta vestimenta RedArt Edition continua a chamar as atenções como se fosse o seu primeiro dia na ‘escola’.

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