Ensaio Peugeot 308 GTi

 

Um puro desportivo. É assim o Peugeot 308 GTi. Um carro dotado de toda a competência para quebrar a rotina e oferecer excitantes momentos de condução 

No exterior a frente agressiva incorpora um pára-choques específico – sem faróis de nevoeiro – com um nova grelha que lhe atribui personalidade a que se junta um defletor a adoçar a sua génese desportiva. As pinças de travão Peugeot Sport a vermelho sobressaem por entre as jantes de 19 polegadas, equipadas com pneus de baixo perfil a garantirem o contacto ao solo. A sigla GTi surge na lateral e na traseira, reluzindo ao abrir de porta, nas soleiras, juntamente com a inserção Peugeot Sport, que se estende aos bancos em couro e alcântara, num interior em que o sangue desportivo se alastra através dos pespontos vermelhos em várias zonas do habitáculo: volante; portas; puxadores; seletor e apoios de braços. Sentados, os bancos tipo bacquet regalam-nos o conforto, numa posição de condução ao estilo competição/cliente à medida das expectativas.

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Devidamente em sintonia com o habitáculo, premimos o botão Start&Stop. A sonoridade emanada da dupla saída de escape, que embeleza uma traseira com saia específica GTi, acolhe-nos com um ralenti calmo, quente e brando. Quando deslocamos o polegar cerca de 1 cm para o lado, o botão Sport muda o som ambiente, tornando-o mais encorpado e envolvente. Os manómetros passam de branco a vermelho, num estilo racing e encorajador.

Ao velocímetro digital com a mostragem da velocidade no modo Normal, sucede-se a inscrição Dynamic e três barras prontas a serem preenchidas e a disponibilizarem-nos os valores instantâneos de Power, Boost e Torque… que na realidade nunca temos oportunidade de ver quando estiverem no auge. Melhor dizendo, até temos, mas a determinadas velocidades há que fazer escolhas. 

Interiorizar e andar

Após familiarizados com a estética, já em estrada rapidamente percebemos que o carro requer alguns quilómetros de habituação, fruto das características que lhe conferem performances bem superiores às que a maioria de nós provavelmente está habituado. Mais que as velocidades que atinge, é a explosividade da reação no modo Sport que impressiona. Somos de imediato absorvidos por um tsunami de sensações causadas, em simultâneo, pela entrega de potência que atua como um disparo súbito no eixo dianteiro, em paralelo com um rugir sonoro inebriante, que quase nos faz parecer estar, de imediato, numa classificativa de ralis a tirar tempos.

Momentos em que mais se exige do condutor porque, em certas situações, como em estradas sinuosas, se não posicionarmos o carro para uma trajetória limpa, podemos ser surpreendidos. A suspensão, rebaixada em 11 mm, entrega-nos um carro devidamente colado ao chão e que se move em bloco, bem ao jeito desportivo. Se numa estrada sem imperfeições nos permite performances de franzir o sobrolho, em muitos traçados nacionais acabamos por sofrer algumas perturbações no corpo.

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Sob o capot temos um bloco de quatro cilindros a gasolina de 270 cv. É acima das 5000 rpm que dele tirarmos o melhor rendimento, com o corte a ser feito às 6000 rpm no modo Normal, enquanto no Sport vai ao limite do conta-rotações, 7000 rpm. O bloco permite-nos atingir a marca de 100 km/h em 6,0s, disponibilizando um binário de 333 Nm e uma velocidade máxima eletronicamente limitada a 250 km/h. A velocidade a que o conjunto nos permite abordar certas curvas supera facilmente os limites, legais e de segurança, aliando-se a um tempo de reação permissivamente diminuto e que pode causar estranheza inicial, porque tudo acontece em frações de segundo para as quais o nosso cérebro pode não estar formatado. Com o ESP desligado (controlo eletrónico de estabilidade) o 308 GTi torna-se naturalmente mais solto e a leitura dos seus limites, até aí moldada pela ação do ESP, mais acessível. Em momentos de euforia, o escorregar assume uma tendência subviradora.

Numa condução dentro da legalidade, sem nunca ousarmos pisar a fundo o pedal do acelerador, é possível fazerem-se médias de 6,5l/100 km, com valores de 8/9l a serem mais reais numa condução despreocupada. Sendo um desportivo, foi sentida a falta de um travão de mão, nem que fosse só para fazer figura. No final, falamos de 39.050€.

André Duarte

 

Ficha técnica

Motor 4 cil. em linha, injeção direta, turbo, intercooler, 1598 cc
Potência 270 cv/6000 rpm
Binário 330 Nm/1900 rpm
Transmissão dianteira, caixa manual de 6 vel.
Suspensão tipo McPherson com molas helicoidais à frente e eixo de torção com molas helicoidais atrás
Travagem DV/D
Peso 1395 kg
Mala 470l
Depósito 53l
Vel. Máx. 250 km/h (limitada eletronicamente)
Aceleração 0 aos 100 km/h 6,0s
Consumo médio 6,0 l/100 km
Consumo médio AutoSport 6,5 l/100 km
Emissões CO2 139 g/km

Preço 42.050€

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