Honda Civic 1.5 VTEC Turbo Sedan: Regresso de um formato bem-amado

Pedro Junceiro
Pedro Junceiro
Editor Conteúdos

Se, na Europa, os modelos de três volumes foram perdendo relevância ao longo dos últimos anos (ainda que continuem a ser opção para muitas famílias), em mercados como o americano têm resistido bem à chegada de novas modas, como a dos mais recentes SUV-o-dependentes.

Daí que nos Estados Unidos da América, a Honda tenha o Civic (e o Accord), a Toyota tenha o Corolla, a Nissan conte com o Sentra e a Kia tenha o Forte apenas para citar as propostas ‘estrangeiras’ às daquele país. Na Europa, porém, assiste-se agora a um curioso retorno das carroçarias de três volumes – berlinas ou sedans, se se quiser ser mais específico, mostrando que também há espaço para essas no Velho Continente. E é aqui que entra a Honda com o seu Civic de décima geração.

Os mais atentos saberão que a nova geração do modelo nipónico estreou-se nos EUA, precisamente com a versão que vemos nas imagens, chegando à Europa até depois do compacto de cinco portas, cuja comercialização se iniciou em maio/junho.

Apresenta, até à chegada do 1.6 i-DTEC de 120 CV, apenas um motor no mercado luso, para o efeito o 1.5 VTEC Turbo de 182 CV, uma unidade de nova geração que também está disponível no modelo de cinco portas, aqui associada a uma caixa de velocidades manual de seis relações com manuseamento muito aprimorado. Aliás, esta é um ‘mimo’ de utilizar, muito próxima do volante, logo fácil de utilizar, mas já lá iremos.

Type S de suave

Regressando ao motor, a marca concebeu uma unidade de injeção direta com turbo de baixa inércia, com os seus 182 CV a apresentarem-se de forma suave e com grande progressão, mas sentindo-se de forma clara o ganho de velocidade sempre que o pedal do acelerador é pressionado com mais força. Aliás, é um motor extremamente enérgico e fácil de esticar até rotações mais elevadas – às 5500 rpm ainda continua a mostrar-se enérgico, dando razão à sigla VTEC – mas tal não é necessário para que se desfrute de uma condução viva.

A sua elasticidade é fundamentalmente uma característica que sobressai, pelo que a entrega da potência se faz ao longo de um largo espectro de rotações, o que permite dessa forma a obtenção de um ritmo consentâneo com os desejos em cada momento, mesmo em mudanças mais altas graças aos 240 Nm de binário disponíveis entre as 1900 e as 5000 rpm. Não se confunda, porém, suavidade com pacatez nas respostas: seja-se agressivo na abordagem ao motor e este corresponde, contra-argumentando com ganhos evidentes de velocidade. Uma espécie de Type S… suave.

Para melhor tirar partido do motor 1.5 Turbo há que desativar o modo ECON, que suaviza as respostas do acelerador, mas acentua a economia, que é até um ponto digno de realce com a média de 6,4 l/100 km deste ensaio, não muito longe dos 5,8 l/100 km anunciados para as variantes Elegance e Executiva (5,7 no caso da Comfort). Refinado, trata-se de um motor que é pouco audível no interior, elogiando-se igualmente o trabalho feito na insonorização por parte da marca nipónica.

Funcional e eficaz

Em termos de condução, fruto de uma nova plataforma mais leve (menos 16 kg) e mais rígida (muito importantes 52% de maior rigidez torsional), o novo Civic mostra comportamento são e com muita margem para ‘exploração’ desportiva, concedendo segurança para abusos e com boa eficácia em curva. A precisão das trajetórias é ponto evidente, mas também o é o conforto, que surge bem protegido graças a amortecimento que é bem pensado e que mescla bem as vertentes do conforto dos ocupantes e do comportamento em curva. Uma competência que sublinha igualmente o esforço que a marca levou a cabo para incutir um dinamismo de referência no segmento C, demonstrando que, além de funcional, pode ser divertido!

A bordo: menos e mais

A bordo, a berlina replica a ‘papel químico’ o conceito do compacto de cinco portas, com posição de condução 35 mm baixa do que no anterior modelo – prodigiosa, dizemos nós -, painel de instrumentos mais tradicional (embora digital) e localização mais convencional dos comandos, mesmo que algumas funcionalidades tenham passado para o ecrã tátil central, como a climatização e o controlo do volume (prefira sempre usar o comando tátil no volante, que acaba por ser mais ‘inteligente’). Alguns aspetos podem ser melhorados, sobretudo em termos de ergonomia dos comandos, como por exemplo ao nível do posicionamento de dois dos botões redondos da climatização logo por baixo do ecrã tátil central, confundindo-se com os do volume do áudio e do ‘zoom’ do sistema de navegação (ambos controláveis tatilmente).

Em termos de ergonomia, ainda, nota pouco positiva para o posicionamento algo escondido das entradas USB e HDMI na frente, num patamar secundário por baixo da alavanca da caixa, numa ideia que já tinha sido utilizada no HR-V, por exemplo.

Por outro lado, destaque para a conceção do habitáculo, com muitos materiais de qualidade melhorada, sobretudo na parte superior do tablier e portas, embora com os usuais plásticos mais rijos na zona inferior, mesmo que aparentem boa qualidade. Nota elevadíssima, como também é tradição, para a construção. No que diz respeito à habitabilidade, o espaço atrás é bom para dois adultos desde que não sejam muito altos: as pernas têm muita amplitude, mas a altura do assento ao tejadilho não é muito grande. A largura é positiva para um terceiro ocupante em viagens ocasionais e de curta duração, num atributo que é apanágio do segmento C.

Na bagageira, eis aquele que é um dos seus predicados de maior vantagem. A adoção do terceiro volume irá agradar a quem procura espaço de carga adicional em relação ao cinco portas. Os seus 519 litros são um dado bem-vindo, embora a abertura não seja muito ampla. O que é verdadeiramente estranho é a falta de uma pega interior na tampa da bagageira para que a mesma possa ser fechada sem colocar a mão na chapa exterior… Fica para a próxima.

Nesta geração do Civic, a Honda aposta em equipamento muito completo, sobretudo em termos de segurança e de assistência à condução, denominado Honda Sensing, que equipa todas as versões do modelo. Este recorre à combinação das informações recolhidas pelos sensores de radar e pelas câmaras, juntamente com uma série de sensores de alta tecnologia, possibilitando a inclusão de sistema Travagem Autónoma de Emergência com alerta visual de colisão frontal, Alerta de Saída de Faixa de Rodagem com correção no volante, cruise control e Reconhecimento de Sinalização de Trânsito. O preço situa-se nos 28.300€ para a versão de entrada Comfort, sendo que a Elegance tem um preço base de 30.800€. Isto para os casos de caixa manual de seis velocidades, havendo versões com caixa CVT. Mas prefira as de operação manual.

VEREDICTO

O Honda Civic de décima geração deu um enorme salto em frente, posicionando-se entre as referências do segmento C, unindo funcionalidade, eficácia e dinamismo a um formato que parece aqui mais consensual. Na versão Sedan acrescenta um pouco mais utilidade ao nível da bagageira, permitindo um pouco mais de capacidade de carga do que o modelo de cinco portas. Mas, é também um familiar muito competente na quase totalidade dos seus atributos, apenas com pouquíssimos pontos a melhorar, sobretudo ao nível do manuseamento de alguns dos comandos no interior. Uma mais-valia para as jovens famílias.

FICHA TÉCNICA

Honda Civic Sedan 1.5 VTEC Turbo 6MT Elegance

Motor: Gasolina, quatro cilindros em linha, turbo, intercooler
Cilindrada: 1498 cm3
Potência: 182 CV às 5500 rpm
Binário máximo: 240 Nm às 1900-5000 rpm
Suspensão Dianteira: Independente, McPherson
Suspensão Traseira: Independente, multibraços
Tração: Dianteira
Caixa: Manual, seis velocidades
Aceleração (0-100 km/h): 8,4 segundos
Velocidade máxima: 210 km/h
Consumo médio anunciado (medido): 5,8 l/100 km (6,4 l/100 km)
Emissões de CO2: 131 g/km
Peso: 1270 kg
Bagageira: 519 litros
Comprimento/Largura/Altura (mm): 4648/1799/1416
Distância entre eixos (mm): 2698
Preço base (ensaiado): 30.300€

 

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