Ensaio Nissan Juke 1.2 DIG-T: Este carro tem imensa piada

Reis Pinto
Reis Pinto
Jornalista

Já leva oito anos no mercado e, apesar de um ou outro retoque estético, mantém a silhueta inconfundível que conquista o mercado desde outubro de 2010. Falamos do Nissan Juke, um crossover compacto cujo design, de tão acertado que é, continua a fazer virar cabeças à sua passagem. As únicas rugas que se lhe conhecem são os característicos vincos da carroçarias, que fazem parte do seu charme.

Isso e as típicas óticas dianteiras redondas, “puxadas” para o interior da carroçaria, separadas das luzes diurnas e dos piscas, “pousados” na parte superior do capot. Curioso é o facto deste pequeno crossover estar disponível em 19 versões, a gasolina e Diesel, incluindo duas de tração integral e duas desportivas.

Para a nossa estreia com o Juke calhou-nos uma versão com o motor a gasolina 1.2 DIG-T, de 115 cavalos, numa das diversas edições especiais que a Nissan tem lançado do modelo (a Black Edition., limitada a 1500 exemplares, já todos comercializados). O que importa reter é o poder de atração que o “pequeno” Juke, com apenas 4,13 metros de comprimento e uma altura pouco superior a 1,5 metros, continua a exercer. E a prova disso é que, no ano passado, vendeu na Europa cerca de 100 mil exemplares.

Anuncia-se para breve um ligeiro lifting, haverá novas jantes, cores, painel de instrumentos, mantendo-se os quatro níveis de equipamento Visia, Acenta, N-Connecta e Tekna Premium. Mas vai continuar a sobressair uma consola central a lembrar o depósito de uma moto, a personalização irreverente do interior, a boa posição de condução, o espaço interior que nos acolhe bem, até mesmo no banco traseiros.

Não se espere encontrar no Juke uma dúzia de espaços de arrumação, nem uma bagageira para 15 dias de férias quando viajamos a cinco, embora tenha uma capacidade de 354 litros. Não se fazem milagres em pouco mais de quatro metros, mas a verdade é que, por outro lado, as dimensões compactas tornam o Juke ainda mais atraente.

Faltam alguns sistemas de segurança ou ajuda à condução e o design do sistema de navegação e áudio já merecia uma atualização. Uma crítica extensiva a outros modelos da Nissan.

Prazer de condução

O que se pode esperar do Juke é um grande prazer condução, de tal forma chassis, suspensões e motor se unem para nos cativar. Não sofre em demasia do seu centro de gravidade alto, mostra-se ágil e permite momentos de grande diversão ao volante.

E mesmo que a potência possa parecer escassa – 115 cavalos –, o binário máximo de 190 Nm surge logo a partir das 1900 rotações e quase parece estarmos ao volante de um Diesel, não fosse a extrema suavidade deste motor e o seu silêncio impressionante. Verdade que é necessário dar um pouco de acelerador no arranque, mas a partir daí tudo se desenrola ou tranquilamente ou de uma forma bem espevitada

Isto porque uma outra particularidade do Juke é a possibilidade de alternarmos entre três modos de condução, Eco, Normal e Sport, que atua sobre o conjunto direção/motor. A diferença sente-se ora nos consumos, ora no prazer de condução, pois em Sport o motor parece que se transfigura.

E é em nome daquele prazer que agradecíamos um pouco mais de apoio lateral dos bancos, pois o Juke conduz-se quase como se de um carro normal se tratasse, incluindo passagens em curva a velocidades por vezes pouco razoáveis.

A velocidade máxima anunciada é de 178 km/h e a clássica medição dos 0 à 100 km/h fica-se pelos 10,8 segundos. Não é alucinante, mas os carros não precisam de ser muito potentes para serem divertidos de conduzir e o conjunto motor/caixa de velocidades trabalha de uma forma harmoniosa.

E a um ritmo normal, em cidade, os consumos oscilam entre os 7,5 e os 8 l/100, dependendo do trânsito e das pendentes do percurso. Em estrada, se a preocupação for o consumo, raramente tocamos os 6l/100.

O Juke está disponível em versões que vão dos 110 cavalos, da versão 1.5 dCi, até aos 214 cavalos do Nismo RS, motor 1.6 a gasolina e tração total. Há, ainda, versões com caixa CVT (Variação Contínua). Os preços começam nos 15.500 euros e vão até aos 25.730 euros.

FICHA TÉCNICA

Nissan Juke 1.2 DIG-T
Motor: Turbo, com injeção direta, quatro cilindros em linha
Cilindrada: 1197 cm3
Potência: 115 CV às 4500 rpm
Binário máximo: 190 Nm às 2000 rpm
Tração: Dianteira
Caixa: Manual, seis velocidades
Aceleração (0-100 km/h): 10,8 segundos
Velocidade máxima: 178 km/h
Consumo médio anunciado : 5,8 l/100 km
Emissões de CO2: 130 g/km
Peso: 1.307 kg
Comprimento/Largura/Altura (mm): 4135 mm / 1765 mm / 1565 mm
Distância entre eixos (mm): 2530 mm
Preço (ensaiado): 20.080 euros
Jantes / Pneus: 225/45 R18

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