Nissan Navara: A Bela e o Monte

Reis Pinto
Reis Pinto
Jornalista

A Nissan anda no mundo das pick-ups há cerca de 80 anos e a prova do seu know how é de que a Mercedes pega nelas e chama-lhes um “X”, enquanto a Renault as denomina de Alaskian. Não são gémeas ao ponto de se confundirem esteticamente, os interiores são diferentes, têm o ADN das respetivas marcas, mas todo o saber da Nissan está lá. Nas versões de lazer (cabine dupla e cinco lugares) a enorme NP300 aburguesou-se e recorre, pela primeira vez, a suspensões traseiras multi-braços e as molas helicoidais, ao invés das robustas (mas desconfortáveis lâminas). Disponível em duas versões do motor 2.3, com 160 e 190 cavalos, a NP300 revelou-se um veículo surpreendentemente confortável, mantendo todos os predicados quando sai do asfalto.

A Navara será dos veículos menos vocacionados para o trânsito citado, fruto das suas dimensões fora do comum (5,30 metros de comprimento, 1,85 de largura e 1,81 de altura), mas o problema coloca-se mais em chegada a altura de estacionar, pois é difícil encaixar esta enorme peça de Lego nos lugares marcados no pavimento.
Após termos subido para a cabine, o generoso habitáculo remete-nos para os irmãos mais novos, o Qasqhai e o X-Trail. O volante tem a pega ideal, os comandos estão todos à mão (embora o monitor tátil de sete polegadas pudesse estar colocado ligeiramente mais alto), não faltam espaços de arrumação e o equipamento está ao nível dos melhores familiares do mercado. Os materiais estão de acordo com a vocação inicial da NP300, o trabalho, e são feito para durar.
A panóplia de equipamentos é vasta e vai desde o ar condicionado automático bi-zona, com saídas para quem viaja atrás, aos vidros traseiros escurecidos, sistema de navegação 3D, câmara de visão traseira, o ecrã tátil de sete polegadas até às barras no tejadilho.
Em questão de sistemas de segurança a Navara oferece o aviso de anticolisão com travagem de emergência, distribuição eletrónica da travagem, sete airbags e um diferencial eletrónico que trava a roda que está a patinar. Nas mais versões mais bem equipadas, está disponível a visão a 360 ​​graus, que oferece uma panorâmica perfeita em redor do veículo.

Bom comportamento
Na versão por nós ensaiada, a N-Connecta, com o motor na sua versão menos potente – 160 cavalos e um binário de 403 Nm entre as 1500 e as 2500 rpm – sobressai a agradabilidade na condução. Com o raio de viragem reduzido em relação à anterior versão, as quase duas toneladas de peso movimentam-se com relativo à-vontade mesmo quando saímos para estradas secundárias.
Tendo em atenção as dimensões e o propósito da NP300, esta pickup não se faz rogada em manter um ritmo mais vivo, graças quer ao escalonamento correto da caixa de velocidades manual de seis velocidades (existe uma automática, de sete, reservada à versão mais potente) quer ao eixo traseiro, que pela sua configurações assegura conforto e eficácia.
Não se esperem acelerações fulgurantes (12 segundos na clássica medição dos 0 aos 100 km/h), que esmo assim são um ótimo valor), mas as suficientes para ultrapassarmos em segurança. A velocidade máxima chega aos 172 km/h e os consumos, de acordo com a marca , são de 6,8, 6,1 e 6,3 l/100km, em circuito urbano, extraurbano e misto, respetivamente.
Na verdade, em cidade é melhor apontar para mais um litro, mas, em cerca de duas centenas de quilómetros em autoestrada e estradas municipais, chegamos a rodar com 4,9 l/100km de média no computador de bordo, chegando ao final do ensaio com 6,9 litros aos 100 quilómetros.

Confortável
Mas o que surpreende nesta versão de lazer é mesmo o conforto com que se viaja na Navara. A troca das molas de lâminas por uma suspensão convencional faz maravilhas (mesmo que o chassis continue a ser autoportante e com as clássicas longarinas), sem retirar capacidade de carga, pois a NP300 continua a suportar uma tonelada de peso na enorme caixa de carga.
Rolando normalmente em tração atrás, basta rodar um manípulo para engrenar a tração às quatro e as redutoras. Numa tecla é possível efetuar o bloqueio eletrónico do diferencial traseiro. Mau grado o refinamento desta versão de lazer, podemos contar com uma altura livre ao solo de 232 mm, 30.4º de ângulo de aproximação, 25.6º de saída e uma profundidade de 600 mm de passagem a vau. A NP300 dispõe, ainda, de controlo automático de descida e de assistência ao arranque em subida.
Argumento final: cinco anos de garantia ou 160 mil quilómetros.

FICHA TÉCNICA
Navara 2.3 dCi N-Connecta (Cabine dupla)
Motor: Turbodiesel, quatro cilindros em linha
Cilindrada: 2298 cm3
Potência: 160 CV às 3750 rpm
Binário máximo: 403 Nm às 1500-2500 rpm
Suspensão Dianteira: Independente, tipo McPherson
Suspensão Traseira: Eixo multibraços com molas helicoidais
Tração: Traseira e integral
Caixa: Manual, seis velocidades
Aceleração (0-100 km/h): 12 segundos
Velocidade máxima: 172 km/h
Consumo médio anunciado (medido): 6,3 l/100 km (6,9 l/100 km)
Emissões de CO2: 167 g/km
Peso: 1958 kg
Comprimento/Largura/Altura (mm): 5300/1850/1805
Distância entre eixos (mm): 3150
Preço base (ensaiado): 37 345 euros

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