Novo Mini Cabrio: Nada de novo na frente ocidental

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Rui Pelejão
Rui Pelejão
Editor-Executivo

Vira o disco e toca o mesmo. Mas se o disco é dos Beatles, não há razões para mudar a música e se o carro é o Mini, convém não inventar. Em Maiorca ao volante do novo Mini Cooper S Cabrio

Heraclito dizia “A única constante é a mudança”. Tudo na vida um dia acaba, que é a condição natural das coisas. Mas como o filósofo grego também sabia, há exceções que confirmam a regra. Uma delas é o Mini.

O Mini nunca acaba e raramente muda. Não o faz, porque na verdade não precisa. Prova disso é a nova geração do mais popular ícone da história da indústria automóvel britânica que na era moderna é construído sob a égide dos alemães da BMW. Por isso, à pergunta: O que mudou na nova geração do Mini? A resposta só pode ser: pouca coisa. Vamos às principais.

Um novo logótipo e umas novas luzes LED com máximos Matrix à frente e luzes traseiras com o grafismo da bandeira inglesa – a Union Jack. Bom para jornalistas do mundo inteiro fazerem gracinhas com título “Mini Brexit”.

Novas jantes de liga leve, maior diversidade de materiais e opcionais, sobretudo no interior, um novo volante multifunções e quando se abre a porta, temos o logótipo da Mini projetado em luz no chão, que pode ser configurado para escrever o nome do dono, do animal de estimação ou do clube preferido.

Na forma convém não mexer muito, porque o original modelo desenhado por Sir Alec Issigonis em 1959 continua a ser um ícone, precisamente por causa da sua original silhueta que o torna inconfundível, mesmo na sua encarnação moderna. É óbvio que os atuais Mini estão muito distantes — quer em tamanho, quer em tecnologia, quer em preço ou filosofia do carro criado por causa da crise do Suez e do racionamento de combustível na Grã-Bretanha e que rapidamente se tornou num ícone da cultura pop dos anos 60.

Um Mini dos anos 60 quase que cabe dentro de um Mini do Séc. XXI, mas se olharmos apenas para a forma, identificaremos sempre a silhueta inconfundível de um Mini. É por isso ingrato o trabalho dos designers da marca que já há uma dúzia de anos vão apenas retocando pormenores óticos, porque o Mini continua a ser um sucesso de vendas no mundo inteiro, graças à sua pureza original e ao apelo rétro que ainda suscita. A receita seguida pela BMW para manter a chama viva foi diversificar a gama, introduzindo novos modelos como o SUV Countryman, a carrinha, ou aquele extraterreste com rodas que foi o Mini Roadster, provavelmente um dos maiores camafeus do design automóvel da última década. Mas, as pedras de toque da gama Mini continuam a ser as versões de 3 a 5 portas, que fui conhecer a Palma de Maiorca, juntamente com o novo cabrio.

Podendo escolher, escolhi o cabrio, que é sempre bom apanhar sol do mediterrâneo. Um Mini Cabrio Cooper S para descobrir o novo conteúdo tecnológico dos Mini, porque quanto à forma, estamos conversados.

Pelas estrada de Palma de Maiorca com o novo Mini

As estradas de montanha, com o mar recortado em fundo azul, são o ecossistema ideal para explorar as capacidades dinâmicas do novo Mini Cooper S com um motor de 192 Cv. A diversão é garantida, porque o carro preserva todos o atributos de condução. Rápido na resposta, ágil e terrivelmente sensitivo, com uma suspensão que não faz grandes concessões ao conforto e se concentra na eficácia e segurança com que podemos atacar uma curva.

Uma das grandes novidades desta geração é a caixa automática de dupla embraiagem com 7 velocidades que é a que tenho sob ordens das patilhas no volante do Mini que tenho nas mãos. Uma caixa rápida e que não hesita em disponibilizar o melhor regime para cada momento da condução. Uma sequência de curva/contracurva de bom e escorregadio piso e o Mini agarra-se ao asfalto, parecendo ser uma extensão da vontade do condutor. Obviamente que este é o Cooper S e por isso as sensações de condução são amplificadas. Mas a gama de motores é bastante extensa e completa: Quatro motores a gasolina com potências entre os 75 Cv e os 192 Cv, e três versões a Diesel com níveis de potência a oscilar entre os 95 Cv e os 170 Cv da versão SD. A Mini garante que reviu os motores para os tornar 5 por cento mais eficientes e poupadinhos. Se o fez, como acredito, fez sem prejuízo das performances, pelo menos no caso deste espevitado e envolvente Cooper S, um parque de diversões sobre rodas. Diversão que aumenta à medida que subimos de regime numa estrada de montanha ou subimos o volume do sistema de som da Harman Kardon, uma das novidades do novo pacote tecnológico da Mini, que integra ainda um renovado e complicadinho sistema de infotainement com ecrã táctil de 6,5 polegadas com ligação USB e Bluetooth, bem como um sistema de carregamento por indução do smartphone, para poder meter a rolar aquela playlist que melhor serve o prazer de condução a céu aberto de um Mini Cooper S Cabrio. Eu cá vou ao som de Beatles, por maioria de razões, porque tudo acaba, menos o Mini e os Beatles.

Ficha técnica

Mini Cooper S Cabrio

Motor 2.0 Turbo

Potência 192 Cv

0-100 km/h 7,2 segundos

Vel. Máxima 230 km/h

Consumo médio 6,3 l/100 km

Preço 35 550 euros