Suzuki Swift: Diz que é uma espécie de híbrido

Rui Pelejão
Rui Pelejão
Editor-Executivo

Leve, ágil, divertido de conduzir e com um motor enérgico, temperado por um dispositivo híbrido para moderar consumos, o novo Suzuki Swift é um das melhores escolhas do seu segmento

O Suzuki Swift é um verdadeiro underdog no campeonato dos citadinos. Como qualquer underdog que se preze, os seus maiores trunfos estão na manga e não na mesa de jogo. Lançado em 2005, o Swift vendeu na Europa mais de um milhão de unidades e agora que é hora de uma renovação profunda, as ambições são também renovadas.

A condução, que já era um ponto forte da anterior geração, é o ás de trunfo escondido na manga de uma nova carroçaria, que apresenta uma evolução no design, mais do que propriamente uma revolução. É ao volante e em ritmo mais acelerado que é possível descobrir um temperamento com toque desportivo, que não abdica da facilidade de condução, necessária para as voltinhas da cidade. Trata-se de um carro muito sensitivo e divertido de conduzir graças a um chassis muito equilibrado, a uma agilidade surpreendente e a um comportamento dinâmico capaz de ombrear com modelos com outra vocação mais atlética. Em cidade ou em piso mais irregular são notórias vibrações e solavancos, o que prejudica o nível do conforto do Swift, mas o compromisso é bom, com sinal mais na agilidade e comportamento.

Penso que a quintessência deste comportamento está na nova platafoma “Heartect”, partilhada com o Baleno e que se distingue pela sua flexibilidade e rigidez, mas sobretudo pela sua maior distância entre eixos e pelo seu baixo peso. Basta dizer que das versões comercializadas em Portugal, o Swift mais leve pesa apenas 890 quilogramas, o que é um valor extraordinário para um automóvel com estas características.

O baixo peso retira responsabilidade ao motor e beneficia os consumos e as prestações. É por isso que com o motor 1.0 litros de 111 Cv, conjugado com uma caixa manual de cinco velocidades, o Swift anuncia consumos de 4,3 l/100 km (que na realidade nunca baixam dos 5 l/100 km). A juntar a isto há um dispositivo que a Suzuki chama SHVS (acrónimo de Smart Hybrid Vehicle by Suzuki), que basicamente transforma o Swift numa espécie de híbrido. Um pequeno motor elétrico é o “asa” do motor a combustão para o ajudar nos arranques, atuando também como gerador cuja carga se regenera em andamento com a energia gerada pelas desacelerações e travagens. Acredito que com uma utilização mais correta em cidade, este dispositivo possa implicar poupanças interessantes, mas em estrada e andamento normal, elas são quase impercetíveis.

Atitude dinâmica

É precisamente na estrada que o Swift surpreende, mostrando ser um carro com garra e incisivo, capaz de atacar uma sequência de curvas rápidas com o desembaraço de um pequeno desportivo. O caráter mais impetuoso é caucionado pelo motor, capaz de ser enérgico e reativo na subida de regime, mesmo que penalizado por uma caixa mal escalonada e imprecisa no manuseamento.

A direção também não traduz ou comunica todo o potencial dinâmico do carro, o que é pena. No habitáculo, há maior cuidado nos acabamentos e também mais espaço para os passageiros e bagagens (a capacidade da bagageira cresceu para os 265 litros de capacidade.

Ideal para quem não se preocupa com o status de marcas, ou seja alguém de espírito pragmático e que liga ao real valor das coisas

A posição de condução é boa, com bancos de correto apoio lateral e uma boa visibilidade em todos os ângulos. O design do interior sofreu uma atualização que melhorou aquele tom sorumbático e espartano que o anterior Swift sugerira. O equipamento está compaginado com a média do seu segmento, é pena que os espaços de arrumação sejam apenas figurativos, o que numa utilização quotidiana se pode tornar num motivo de frequente irritação, tal como os controlos do sistema de infoentretenimento, que estão longe de ser intuitivos ou eficazes.

No global, aqui temos uma equilibrada proposta, capaz de se posicionar como uma alternativa credível ao outro utilitário gabado pela qualidade da sua condução, o Ford Fiesta. Ideal para quem não se preocupa com o status de marcas, ou seja alguém de espírito pragmático e que liga ao real valor das coisas.

Suzuki Swift 1.0T GLX SHVS

Motor: Turbo tricilíndrico a gasolina

Cilindrada: 998 cm3

Potência: 111 CV

Binário: 170 NM

Velocidade Máxima: 195 Km/h

Tipo de Caixa: Manual de 5 velocidades

Consumo Combinado: 4.3l/100km

Emissões de CO2: 97 g/km

Preço versão ensaiada (€) – 18.996

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